Os R$ 600 e a brecha em meio ao pesadelo

Ao propor o corte do Auxílio Emergencial pela metade, Bolsonaro abre à esquerda uma chance preciosa de mobilização e educação política. As eleições municipais podem ampliá-la. Mas nada garante, no momento, que será aproveitada

Por Antonio Martins, em Outras Palavras

Capturar o sentimento antissistema é um estratagema central da ultradireita – e o Brasil assiste, desde março, a um episódio clássico. O governo Bolsonaro não desejava o Auxílio Emergencial de R$ 600 – aprovado graças a uma articulação da Rede Brasileira de Renda Básica, que atuou em sintonia com a oposição parlamentar. Mas o presidente percebeu, desde o primeiro momento, que não poderia contrapor-se à proposta – e tinha uma chance de se apropriar dela. Conseguiu fazê-lo com maestria até o momento, auxiliado em boa medida pela modorrência e rigidez política dos partidos de esquerda, que perderam todas as oportunidades de disputá-la. A aprovação de Bolsonaro cresceu e ele ameaça penetrar em territórios políticos antes hostis, aproveitando as eleições de novembro para capilarizar sua influência. As contradições inerentes a seu projeto acabam de gerar, porém um antídoto.

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Funcionalismo público, as mentiras que a elite te conta

Proporcionalmente, Brasil tem bem menos servidores públicos que EUA e países da Europa. Apenas 13,7% do nosso PIB paga salários; 38% vai para o bolso de banqueiros e rentistas. Mas velha mídia insiste que há um “inchaço da máquina pública”…

por José Álvaro de Lima Cardoso*, em Outras Palavras

Nos últimos tempos, no contexto mais amplo de ataques ao setor público, tem se intensificado também as investidas contra o funcionalismo público. Dentre outros objetivos, esta visa colocar a população contra os servidores. Se a população avaliar que o servidor é privilegiado, que não quer trabalhar, que ganha muito, fica mais fácil desmontar os serviços de saúde e educação, objetivos inconfessáveis da campanha. Regra geral tal campanha, a exemplo da campanha em geral pela privatização de estatais, é alicerçada em mentiras, senso comum e mistificações.

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O incrível universo paralelo dos bancos

Pandemia e crise econômica avassalam o país, mas as quatro maiores instituições financeiras fecharam o semestre com lucro de R$ 26 bilhões. Na origem do “sucesso”, décadas de privatização das finanças públicas conduzida por amigos como Guedes

por Paulo Kliass*, em Outras Palavras

As grandes instituições financeiras tupiniquins parecem atuar em um universo paralelo. O Brasil está sentindo os efeitos dramáticos da pandemia em praticamente todas as suas dimensões. Para além das quase 120 mil mortes, assistimos ao crescimento impressionante do desemprego e da precariedade no mercado de trabalho, com consequências terríveis para a grande maioria de nossa população. Do ponto de vista das empresas, observa-se igualmente um quadro de enormes dificuldades, com aumento exponencial do encerramento de atividades, falências e diminuição do faturamento.

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Por que o pacote Bolsonaro-Guedes patina

Problema é bem mais amplo que o valor do novo benefício. Governo articula vasto ataque a direitos sociais históricos – e precisa disfarçá-lo com dinheiro. Mas ortodoxia neoliberal, que está de volta, o espreita

Por Antonio Martins, em Outras Palavras

Ninguém fala em Big Bang Day impunemente. Mas foi exatamente com estes termos que o ministro Paulo Guedes referiu-se, no fim de semana, ao pacote de medidas econômicas e sociais que seria anunciado hoje (25/8). Ao final, saiu um traque – de pólvora seca. Por divergências internas, o Palácio do Planalto cancelou o anúncio ontem à noite, prometendo, em seu lugar, a reapresentação da Carteira Verde Amarela — ao final, igualmente adiada. A esquerda ganha algum tempo. Será útil aproveitá-lo para compreender com clareza o ataque que está sendo preparado e, quem sabe, formular o antídoto.

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Por que Globo está em cruzada contra os servidores? Desmontando os dados do Instituto Millenium

Emissora distorce dados e tenta atrair opinião pública para “reforma” administrativa de Guedes. Objetivo: privatizar Saúde e Educação, oferecendo aos pobres “vouchers”, com os quais comprarão serviços de terceira qualidade

Outras Palavras

Uma carta aberta da Rede de Associações de Servidores de SP 

Esta semana os grupos Globo e Estadão veicularam um suposto “estudo” elaborado pelo assumidamente neoliberal think tank Instituto Millenium, que congrega personalidades influentes do Governo, da Globo e de outras empresas de mídia e do setor financeiro.

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Eletrobrás, privatização humilhante

Mesmo desmembrada aos poucos, desde FHC, é a maior empresa de energia da América Latina. Gera lucros, todos os anos. Em suas 47 usinas está 52% da água armazenada no país. Se vendida, será desnacionalizada. É o que planeja Guedes

por José Álvaro de Lima Cardoso*, em Outras Palavras

Um dos pré-requisitos do desenvolvimento econômico de qualquer país é a sua capacidade de suprir logística e energia para o desenvolvimento da produção, com segurança e regularidade. Sem fontes de energia, não existe nação. Em boa parte, os golpes que os EUA têm realizado na América Latina visam a garantia, de um ponto de vista estratégico, de fontes de minerais e de energia. O golpe de 2016 no Brasil, no aspecto econômico, decorreu principalmente para a obtenção de acesso privilegiado a fontes de petróleo. O golpe na Bolívia, no ano passado, teve como uma das principais motivações o lítio, também conhecido como o Petróleo Branco, cujas reservas, em 60% ou 70% se encontram no país vizinho.

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Pandemia desmascara modelos de negócio da educação privada

“Há escolas que estão mostrando que são só atividades de negócios, nada a ver com educação. É a mercantilização do ensino”, aponta dirigente da Federação dos Professores de São Paulo (Fepesp)

Por Redação RBA

Carreatas de escolas particulares por volta às aulas e demissões em massa nas universidades privadas. Essas ações, em meio à pandemia do novo coronavírus, mostram que parte das instituições de ensino não tem compromisso com a educação, apenas com seu próprio modelo de negócio. A avaliação é do presidente da Federação dos Professores de São Paulo (Fepesp), Celso Napolitano.

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