O Olavo do mercado

A mídia gosta de diferenciar os olavetes e fanáticos religiosos, que formariam a “ala psiquiátrica” do governo, de seu homem no Ministério da Economia. Mas Paulo Guedes não é tão diferente do guru de Richmond, em seu apego a teorias sem fundamento e em sua arrogância e truculência na discussão pública

Por Luis Felipe Miguel, no blog da Boitempo

Nas eleições do ano passado, diante da inviabilidade eleitoral de seus candidatos, os grupos dominantes do Brasil se viram frente a uma encruzilhada. Podiam reabrir um caminho de negociações com o PT, que lançara um candidato presidencial mais do que palatável, Fernando Haddad, e assinalava com clareza sua disposição para pactuar um lulismo 2.0, adequado às condições adversas do pós-golpe de 2016. Esse caminho implicava restabelecer algum grau de vigência da Carta de 1988 e alguma moderação no frenesi pela destrutiva de direitos e de políticas de proteção social. A outra opção era apoiar um candidato destemperado e despreparado, notabilizado por seu discurso histriônico de apologia à violência e com notórias ligações suspeitas com grupos criminosos. A burguesia, as elites políticas tradicionais, a imprensa e as classes médias não titubearam e escolheram a segunda opção.

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“O que estamos chamando de política pública é, na verdade, política de incentivo aos interesses privados”. Entrevista especial com Rudá Ricci

Por Patricia Fachin, em IHU On-Line

Desde os anos 1990, a formulação de políticas públicas no Brasil e no mundo deixou de ser fundamentada em uma concepção pública de Estado e passou a ser elaborada a partir de uma concepção corporativa, e é isso que explica, em parte, a crise da representatividade política em vários países e a dificuldade dos Estados em elaborar políticas que satisfaçam as necessidades da população. “Aceleradamente fomos trazendo todos os modelos de empresa privada, inclusive os interesses das empresas, para dentro do Estado e dos partidos do Estado, de tal maneira que hoje não tem diferença nenhuma entre as propostas de condução do Estado do PT para o PSDB, para o MDB e, inclusive, para o PSL”, afirma Rudá Ricci à IHU On-Line, na entrevista concedida por telefone. Segundo ele, “todos os governos se ajoelharam para o mercado no último período. Estamos quebrando a noção de política pública e o que estamos chamando de política pública é, na verdade, política de incentivo aos interesses privados”.

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A política externa oculta do governo Bolsonaro

Redução das tarifas básicas de importação. “Flexibilização” do Mercosul. Ingresso na OCDE, aceitando suas exigências. Enquanto Araújo diz pataquadas Paulo Guedes prepara medidas que podem tornar país ainda mais submisso, desindustrializado e dependente

Por Marcelo Zero,em Brasil Debate / Outras Palavras

Enquanto o clã Bolsonaro e o chanceler templário mesmerizam a opinião pública nacional e internacional com suas declarações bombásticas, estapafúrdias e francamente cretinas sobre política externa, a equipe econômica do novo governo prepara, praticamente na surdina, decisões que terão, se implementadas, profundo impacto negativo na inserção internacional do Brasil.

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“Privatização está por trás do rompimento das barragens”, diz coordenadora do MAB

Militante do MAB avalia que milhões de pessoas serão afetadas pela contaminação com resíduos da mineração

Por Leonardo Fernandes e Katarine Flor, em Brasil de Fato / MST

Daiane Hohn, da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), participou do último programa No Jardim da Política para avaliar as causas e desdobramentos do rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG).

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A Vale precisa ser pública!

História de um projeto de país que se perdeu. Como empresa criada para viabilizar industrialização foi privatizada e convertida em mera extratora e exportadora de nossa riqueza mineral

Por Paulo Kliass, em Outras Palavras

A criação da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) foi mais uma das muitas decisões estratégicas adotadas por Getúlio Vargas. Com um projeto bastante definido a respeito dos rumos de um desenvolvimento nacional autônomo, ele deixou um legado fundamental para o futuro da sociedade brasileira. A constituição de uma empresa pública federal para se ocupar da exploração da riqueza do subsolo (em especial o minério de ferro) ocorreu mais de uma década antes do lançamento da Petrobrás.

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Histórico de violações da Vale vai muito além de Mariana e Brumadinho

Terceira maior mineradora do mundo, empresa tem trajetória marcada por crimes contra o meio ambiente e comunidades

por Leonardo Fernandes, Lu Sudré e Rute Pina, em Brasil de Fato / MST

Maior mineradora do Brasil e a terceira companhia na indústria global de mineração de metais, a Vale S.A carrega vários crimes ambientais e tragédias humanas em seu histórico. A empresa é responsável pelo rompimento da barragem Mina do Feijão, em Brumadinho (MG) na última sexta-feira (25), que, até o momento, matou 65 pessoas. Há 288 desaparecidos e 192 resgatados.

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Vale: a trajetória da tragédia

Um pouco da história: como a ex-estatal tornou-se uma gigante da mineração e atingiu o grau mais perverso da lógica “privatizam-se os lucros socializam-se as perdas”. Nesse caso, eles são incalculáveis

Por Luiz Alberto Gomes de Souza, em Outras Palavras

Estamos diante da terrível e criminosa tragédia do dia 25 de janeiro, quando se rompeu a barragem de rejeitos de Córrego Feijão, da Vale, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, com um rio de lama cobrindo rapidamente uma área administrativa da Vale e uma comunidade próxima.  Essa lama está contaminando o rio Paraopeba, afluente do São Francisco, podendo chegar até este, com um resultado catastrófico.

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Crimes ambientais e humanos numa empresa privatizada. Por Luiz Alberto Gomez de Souza

Estamos diante da terrível e criminosa tragédia do dia 25 de janeiro, quando se rompeu a barragem de rejeitos de Córrego Feijão, da Vale, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, com um rio de lama cobrindo rapidamente uma área administrativa da Vale e uma comunidade próxima.  Essa lama está contaminando o rio Paraopeba, afluente do São Francisco, podendo chegar até este, com um resultado catastrófico.

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‘O texto constitucional está em risco’. Para onde a balança do novo governo vai pender? Entrevista especial com Luiz Werneck Vianna

Por Patricia Facchin, em IHU On-Line

“O caminho pelo qual nós enveredamos ainda é muito misterioso e não se sabe para onde a balança vai pender”, diz o sociólogo Luiz Werneck Vianna à IHU On-Line ao comentar os primeiros movimentos do governo de Jair Bolsonaro. O discurso de posse do presidente, avalia, “foi ameaçador” e indica a intenção de fazer a “roda girar para trás” na questão dos costumes e das mulheres, mas “em outros temas ele tem a intenção de que a roda gire de uma maneira diversa da que estava girando, e essa maneira é a maneira neoliberal”. O modelo econômico que orienta o governo, pontua, “não é bom nem mau”, mas é preciso “ver o cenário social e político dele. Para fazer tudo isso, quem tem que ser removido? Quem tem que perder? Esse não é um jogo somente de ganhadores. Há ganhadores e perdedores, e os perdedores, por ora, estão do lado de baixo e devem perder muito mais do que já perderam”, pondera.

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O enterro das políticas afirmativas e a transformação do espaço público em privado. Entrevista especial com Maria Luiza Franco Busse

por João Vitor Santos, em IHU On-Line

O governo de Jair Bolsonaro não tem nem 15 dias e já ouvimos que as demarcações de terras estão suspensas, que índio não precisa de tratamento diferenciado, que questões de gênero são ideologias, médicos cubanos foram quase banidos, sem contar expressões como “despetização” e “desideologização” que parecem ser entoadas como mantras para fortalecer projetos como o Escola Sem Partido. Por trás da poeira levantada nesses debates, ficam evidentes as intenções do novo governo de restringir a ação das chamadas políticas afirmativas. É bem verdade que esse movimento começa no governo de Michel Temer, mas, agora, parecem ser mais urgentes porque se entende que são pautas de apenas uma fatia da população, ainda associada à esquerda. Mas desde quando defender direitos de povos originários, por exemplo, é uma pauta de esquerda? Políticas afirmativas não deveriam ser pautas humanísticas, sublimando as polarizações? Para a jornalista e semióloga Maria Luiza Franco Busse, o problema é que a direita não compreende essas demandas.

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