Comerciante que teve barraca derrubada na VK: ‘O sonho não acabou, mas me atrasaram bastante’

Pelo menos duas remoções marcaram a história da Vila Kennedy

por Luisa Fenizola, em RioOnWatch

A primeira, após o golpe militar de 1964, foi a remoção das famílias que viviam na Favela do Esqueleto. A remoção foi feita pelo governo do Estado para a construção da UERJ. As famílias removidas foram reassentadas nas recém criadas Vila Kennedy e Vila Aliança, em alusão ao presidente americano que tinha acabado de ser assassinado e à Aliança para o Progresso, programa de cooperação entre os Estados Unidos e o Brasil que financiou a sua construção, como parte da política de boa vizinhança americana no contexto da Guerra Fria, para assegurar a América Latina como área de influência americana. (mais…)

Ler Mais

Nem todos têm um preço, parte 6: Vila Autódromo no contexto das remoções olímpicas do Rio

Theresa Williamson – RioOnWatch

Infelizmente, a Vila Autódromo representa apenas uma de dezenas de comunidades que sofreram remoções na preparação para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Ao todo, 80.000 pessoais foram removidas. Duas a três mil dessas eram da Vila Autódromo. De acordo com algumas estimativas, foram removidas no Rio mais pessoas nos anos pré-Olímpicos do que em ambas as administrações anteriores associadas com remoções, juntas: a de Francisco Pereira Passosna primeira década do século XX e de Carlos Lacerda nos anos 60.

Os Jogos Olímpicos foram o pretexto perfeito para a remoção. Ao longo do século anterior, moradores de favela adquiriram direitos básicos à terra, e suas comunidades vinham sendo lentamente urbanizadas sob a crescente conclusão de que essa seria a única maneira de integrá-las de forma justa. Oportunidades para remoções em massa não seriam mais justificáveis–isso é, até o prazo das Olimpíadas oferecer um estado de exceção.1 A população da cidade ansiava por investimentos. Havia uma suposição geral de que as decisões sendo tomadas pela prefeitura eram pertinentes e de interesse público. E havia pouco controle para garantir que realmente o fossem. (mais…)

Ler Mais

Nem todos têm um preço, Parte 5: Prefeitura parte para a desapropriação e violência

A Ascensão da Vila Autódromo Como Símbolo de Resistência Olímpica (2014-2016)

Theresa Williamson – RioOnWatch

Em maio de 2014, em um segundo evento do OsteRio, logo quando estudantes de planejamento urbano e moradores da comunidade publicavam um mapa mostrando que centenas de moradores estavam decididos a permanecer, o Prefeito Paes disse ao público que era “difícil preparar um plano de urbanização quando [havia] tantas pessoas vindo a [eles] querendo sair”, mas que eles iriam “ver o que resta da comunidade [após todas as indenizações serem dadas aos que estavam saindo], e que os que restassem […] contanto que não [fossem] em áreas de acesso [ao Parque Olímpico], [eles iriam] urbanizar conforme prometido”. (mais…)

Ler Mais

Intimidação e virada crucial na luta da Vila Autódromo (2013-2014)

A Ascensão da Vila Autódromo Como Símbolo de Resistência Olímpica (2013-2014)

Theresa Williamson – RioOnWatch

Até o final de 2012 todos os ingredientes estavam reunidos para o que se passaria ao longo do crucial ano por vir. A resistência da Vila Autódromo, com bases sólidas, seguiu crescendo no início de 2013. O convincente Plano Popular estava sendo distribuído, uma forte rede de líderes comunitários se reunia e se mobilizava, uma diversa gama de parceiros se engajava, a mídia global começava a prestar atenção e a batalha judicial da comunidade seguia resolutamente sem solução. Legalmente, o prefeito não poderia remover a comunidade sem consentimento ou justificativa para a desapropriação. E dada a visibilidade e a mobilização da comunidade, uma remoção relâmpago estava, cada vez mais, fora de questão politicamente. (mais…)

Ler Mais

Horto protestará ‘quantas vezes for necessário’

Hari Pannum – RioOnWatch

Somente uma semana após uma manifestação produtiva em frente ao gabinete do prefeito,em Botafogo no dia 9 de março, os moradores da comunidade do Horto foram às ruas novamente para protestar contra as ameaças contínuas de remoção das suas casas e a crescente especulação imobiliária no bairro circundante ao Jardim Botânico. Aproximadamente 40 moradores integrantes da Associação dos Moradores e Amigos do Horto(AMAHOR) reuniram-se em frente ao Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico. (mais…)

Ler Mais

Indiana, na Tijuca, se apronta para resistir à nova ameaça de remoção

Resistência fortalecida ao longo de oito anos de organização e luta

Tyler Strobl – RioOnWatch

Aos pés do morro do Borel no bairro da Tijuca na Zona Norte do Rio encontra-se a unida e humilde comunidade de Indiana, uma favela encantadora que cresceu, chegando a abrigar aproximadamente 600 famílias desde que foi fundada em 1957. No fundo de um imenso morro e com um pequeno rio que percorre por quase toda a comunidade, a favela tem sido rotulada como uma área de risco pela prefeitura, que tentou removê-la em várias ocasiões durante os últimos oito anos. Disputando a narrativa de risco como base para as ameaças de remoção, muitos moradores acreditam que a especulação imobiliária é o que tem levado a prefeitura a colocar uma incansável pressão sob a comunidade. (mais…)

Ler Mais

Protesto unido contra remoções finalmente resulta em reunião com a Secretária de Habitação

Cheyne Bull – RioOnWatch

Na sexta-feira passada, dia 2, aproximadamente 35 moradores de comunidades e aliados se uniram para protestar do lado de fora do gabinete do prefeito, em Botafogo. A manifestação foi o mais recente ato em uma série contínua de ações feitas por moradores com o objetivo de chamar atenção para a grande quantidade de comunidades sob ameaça de remoção durante a administração do Prefeito Marcelo Crivella. Moradores de locais que atualmente enfrentam remoções–incluindo Horto, Barrinha, Rio das Pedras, Araçatiba, Maracajás e Rádio Sonda—estiveram presentes com parceiros de outras favelas como Vila Autódromo, Rocinha e Vidigal. (mais…)

Ler Mais

Nem Todos Têm Um Preço, Parte 2: Apresentando a Vila Autódromo

Esta é a segunda matéria de uma série de sete que compõe o capítulo intitulado ‘Nem Todos Têm Um Preço’, que conta a história de luta da Vila Autódromo. Escrito por Theresa Williamson, diretora executiva da Comunidades Catalisadoras,* o capítulo faz parte do livro Rio 2016: Olympic Myths, Hard Realities (Rio 2016: Mitos Olímpicos, Duras Realidades) organizado pelo economista Andrew Zimbalist. Como o livro foi publicado somente em inglês, pedimos permissão e agradecemos à editora Brookings por nos permitir publicar o capítulo na íntegra em português

Theresa Williamson – RioOnWatch

É nesse contexto complexo (veja a parte 1) que se desenvolve a inspiradora e rica história da pequena favela Vila Autódromo, que surpreendeu por ser tão forte frente à escala dos ataques que se dispôs a enfrentar. Como é o caso de praticamente todas as favelas, a comunidade vincula a sua fundação à uma oportunidade de emprego ou subsistência, neste caso gerada à beira da Lagoa de Jacarepaguá. Ocupada por pescadores em 1967, há cinquenta anos, a pequena favela, localizada há aproximadamente oito quilômetros a sudoeste da Cidade de Deus, teve seu início apenas um ano após a fundação de sua afamada compatriota regional (Cidade de Deus é talvez o melhor exemplo de uma favela que ficou famosa devido à violência sensacionalizada, com o filme de 2002 de mesmo nome). Mas enquanto a Cidade de Deus foi ocupada inicialmente como habitação pública–a horas de distância dos centros empregatícios da época, repleta de pessoas removidas pelo regime militar, aglomeradas contra sua vontade apesar de se originarem de comunidades diferentes–a Vila Autódromo foi estabelecida por um pequeno grupo de pescadores que escolheram o local para subsistir e morar,1 sem se preocupar com a falta de desenvolvimento na região naquela época. Na realidade, a região inteira se caracterizava pelo que muitos enxergavam como pântanos impenetráveis. (mais…)

Ler Mais

Nem Todos Têm Um Preço, Parte 1: (Re)Introduzindo Favelas

Esta é a primeira matéria de uma série de sete, que compõe o capítulo intitulado ‘Nem Todos Têm Um Preço’ que conta a história de luta da Vila Autódromo. Escrito por Theresa Williamson, diretora executiva da Comunidades Catalisadoras,* o capítulo faz parte do livro Rio 2016: Olympic Myths, Hard Realities (Rio 2016: Mitos Olímpicos, Duras Realidades) organizado pelo economista Andrew Zimbalist. Como o livro foi publicado somente em inglês, pedimos permissão e agradecemos à editora Brookings por nos permitir publicar o capítulo na íntegra em português. Leia nossa resenha do livro Rio 2016 aqui.

Theresa Williamson – RioOnWatch

Foi exatamente há cento e vinte anos, como conta a história já completamente entrelaçada com lendas, que soldados oprimidos–assolados pela pobreza e feridos, após a longa e sangrenta batalha de Canudos, a guerra civil mais fatal do Brasil–se dirigiram da Bahia ao Rio de Janeiro que era a capital da nação na época. Os soldados, outrora escravos que haviam sido recém libertados e imediatamente recrutados para a luta, receberam promessas de terras na capital, por servirem em combate.1 (mais…)

Ler Mais

Cerro Corá Moradores em Movimento #RedeFavelaSustentável

Lucas Smolcic Larson – RioOnWatch

Cerro Corá é uma pequena favela localizada no topo do bairro do Cosme Velho na Zona Sul do Rio, e abaixo do morro do Corcovado. Em 2010 o censo registrou lá apenas 708 pessoas e 200 moradias. Mas o tamanho do Cerro Corá não impediu que os moradores fossem bem-sucedidos na luta pelo desenvolvimento da comunidade. Com esse objetivo em mente, um grupo de moradores e colaboradores de outras partes da cidade se juntaram para formar o Cerro Corá Moradores em Movimento.

Em 2013, eles começaram um projeto de museu chamado Memórias do Cerro Corá seguindo uma tendência em favelas do Rio. Em 2014, o grupo ocupou a Associação de Moradores, que estava fora de funcionamento, e construíram e fundaram uma biblioteca comunitária no local. Naquele ano, a Agência de Notícias das Favelas fez uma matéria sobre essas iniciativas que foi traduzida para o inglês no RioOnWatch. Porém, três anos se passaram e o grupo continua ativo. Em 2016, foi criado o Pré-Vestibular Popular Cerro Corá. Pré-Vestibulares são ainda mais críticos para moradores de favela, que de forma geral são limitados à educação pública inadequada ou de baixa qualidade e, em consequência, encontram-se excluídos de universidades. (mais…)

Ler Mais