Os militares, a cloroquina e o SUS

Os militares que desonram o Exército ao ocupar a Saúde. Em cargos muito bem remunerados, e cheios de privilégios, oficiais sem nenhuma experiência sanitária desmontam estrutura da qual depende a população. E mais: o sucesso da favela de Paraisópolis na luta contra a pandemia

Por Maíra Mathias e Raquel Torres, em Outra Saúde

OS MILITARES E O SUS

Antes da pandemia do novo coronavírus, o Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército – que tem suas raízes na chegada da Corte portuguesa ao Brasil – produzia cloroquina para os militares com malária e lúpus e artrite reumatoide. Para atender essa demanda, foram necessários cerca de 265 mil comprimidos nos últimos três anos. Tudo mudou radicalmente no governo Jair Bolsonaro. Desde 23 de março, a produção aumentou cem vezes, alcançando 2,25 milhões de comprimidos. Para dar conta dessa ampliação, mais de RS 1,5 milhão foram sugados do Tesouro Nacional. A cloroquina em pó, matéria-prima necessária para o boom, veio da Índia, a um preço quase seis vezes maior do que o normal. Sempre que  questionado pela imprensa, o Comando do Exército respondia que a mudança se devia a demandas de dois ministérios: Defesa e Saúde.

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“Nem o pior ministro da Saúde fez o que Exército está fazendo, desmontando a engrenagem do SUS”

Adriano Massuda, ex-secretário de Saúde de Curitiba e professor da FGV, diz que nunca intervieram tanto na estrutura da pasta como agora, com a ocupação de cargos-chave por militares

por Flavia Marreiro, em El País

Adriano Massuda, 41 anos, não economiza termos fortes para descrever os desacertos do Governo Bolsonaro e de parte das gestões estaduais no enfrentamento da maior crise sanitária do século. “Faltou a organização de uma resposta nacional com a dimensão que essa pandemia exige. E não tem desculpa! A gente teve tempo para se preparar”, lamenta o ex-secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde e especialista em gestão em saúde, lembrando que o novo coronavírus surgiu na Ásia e levou quase três meses para chegar até aqui.

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A Fiocruz na mira do bolsonarismo

Em áudio enviado a aliados, secretária do Ministério da Saúde indica que governo planeja interferir nas próximas eleições da Fundação – onde “tudo envolve LGBTI”

Por Malu Gaspar, na piauí

Os embates em defesa do uso da cloroquina e pelo fim do isolamento social não são os únicos a que o governo Bolsonaro está disposto para fazer valer suas teses sobre a gestão do sistema de saúde pública do Brasil. O grupo que hoje comanda o ministério tem como objetivo interferir na direção da Fundação Oswaldo Cruz, uma das principais instituições de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias para a saúde, e na Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, que regula e autoriza as pesquisas científicas no Brasil. É o que indica um áudio enviado pela secretária de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde, Mayra Pinheiro, a aliados no ministério, sobre as polêmicas envolvendo os dois órgãos.

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Fiocruz divulga nota enviada ao MPRJ sobre distanciamento social

Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) encaminhou, na manhã da última quarta-feira (28/5), um relatório ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), em resposta à solicitação do órgão. O documento, produzido por um Grupo de Trabalho sobre Distanciamento Social no âmbito do Observatório Covid-19 Fiocruz, responde a questionamentos sobre medidas de distanciamento social no estado do Rio de Janeiro. 

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Lançamento da Frente pela Vida: saúde e democracia são inseparáveis

Por Pedro Martins, Abrasco

O lançamento da Frente pela Vida reuniu na sexta-feira, 29 de maio, diversas entidades da sociedade civil e teve como pontos centrais a defesa da democracia, da ciência e do Sistema Único de Saúde (SUS). Diante da crise sanitária, econômica pela qual o país passa, a presidente da Abrasco, Gulnar Azevedo, que abriu as saudações do ato, ressaltou o caráter dessa Frente: “Queremos que essa frente mostre para a sociedade que nosso compromisso é com a vida. Para isso precisamos seguir o caminho certo da ciência e de fortalecimento o SUS para que ele atenda a todos que precisam dele”. Em sua fala, Gulnar afirmou ainda que é necessário “entrar em cena o coro dos lúcidos”, tendo em vista os ataques que têm sido feitos à democracia atualmente no país.

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Instituições de assistência social pedem fortalecimento do SUS e SUAS para ações durante a pandemia

Pedro Calvi / CDHM

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM) participou, nesta segunda-feira (18), de encontro virtual promovido pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) para continuar discutindo formas de agilizar e ampliar o acesso ao Auxílio Emergencial de 600 reais. Também participaram representantes do Ministério Público Federal, do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), do Conselho Nacional de Saúde (CNS), do Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social (CONGEMAS), do Fórum Nacional de Secretários de Estado de Assistência Social (FONSEAS), do Conselho Federal de Serviço Social (CFSS), da Frente Nacional em Defesa do SUAS, do Movimento Nacional de Entidades da Assistência Social, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), da Rede Brasileira de Renda Básica.

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O compromisso do ministro com a Saúde privada

Agora está claro: para salvar milhares de vidas, será preciso requisitar hospitais particulares, sempre subsidiados pelo Estado. Mas Nelson Teich hesita e expõe seus laços com a mercantilização. Leia também: a interminável novela dos testes

por Maíra Mathias e Raquel Torres, em Outra Saúde

Nelson Teich dá a impressão de ter todo o tempo do mundo para o enfrentamento à covid-19. Ouvir o ministro da Saúde, por vezes, é ter a impressão de que voltamos a janeiro, quando a encrenca provocada pelo coronavírus já era evidente, mas ainda não havia casos confirmados no Brasil. Ontem, ele foi instado pela imprensa a se posicionar num debate fundamental no momento: a criação de uma fila única de leitos. A proposta, pautada desde março por sanitaristas e juristas,  ganhou de vez o noticiário depois que estados como Amazonas, Ceará e Pernambuco e capitais como Rio de Janeiro chegaram ao limite da capacidade de internação, especialmente nas UTIs. Em resumo, consiste em requisitar a infraestrutura existente do setor privado – leitos, equipamentos, profissionais – para dar conta da demanda urgente por atendimento no SUS. Assim, o país evitaria passar pela bárbara situação de permitir que pessoas morram esperando por uma vaga no setor público enquanto os hospitais particulares têm leitos vazios. Diante da pandemia, países como Espanha, Irlanda e Austrália tomaram essa decisão, presente no rol de ações possíveis durante calamidades públicas – e prevista também no Brasil. 

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Vírus, arma de guerra contra povos originários

Indígena do povo fulni-ô alerta: aumento de invasões e missões evangélicas, em plena pandemia, é genocídio deliberado. Com Saúde precarizada nas aldeias, visam repetir história, usando “doença do branco” para dizimá-las

por Pagu Rodrigues*, em Outras Palavras

A covid-19 já alcançou aldeias indígenas brasileiras, são 21 casos suspeitos, 42 casos confirmados e já há registro de 4 mortes entre indígenas, maioria na região Norte do país. Isso se deve principalmente à multiplicação das invasões de garimpeiros, madeireiros e grileiros que intensificaram a invasão às terras indígenas incentivados por medidas e declarações do Presidente Bolsonaro de que iria dispor de parte desses territórios para exploração, bem como de que “achava errado” as ações do IBAMA de inutilizar máquinas e equipamentos apreendidos.

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Em tempos da Covid 19, a classe média “descobre“ que está no mesmo barco furado dos pobres. Por Joaquim Shiraishi Neto(1)

Aqui em casa, em isolamento físico e “distanciamento social”, organizando a minha rotina, lendo e escutando lives – puxa! acabei de sair de uma -,  decido passar a limpo algumas anotações.

No geral, estamos aceitando todas as medidas dos governos (federal e estaduais) para combater a pandemia da Covid 19, sem qualquer tipo de questionamento. O medo da morte faz com que aceitemos os argumentos da urgência e da ciência como critérios válidos para justificar as medidas dos governantes, sem nos darmos conta de que algumas delas violam o catálogo de direitos humanos (liberdade, privacidade, intimidade, propriedade, pluralidade e os direitos sociais). O governo de São Paulo, por exemplo, está se valendo dos dados móveis dos celulares das pessoas para monitorar e controlar a movimentação, os deslocamentos e as aglomerações nas cidades do Estado, seguindo o padrão biopolítico adotado pelos países asiáticos (Coreia do Sul, Hong-Kong, Taiwan , Singapura)[2].

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Bolsonaro demite o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta

Relação entre presidente e ministro se deteriorou na crise do coronavírus; oncologista deve assumir o cargo

Redação Brasil de Fato

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na tarde desta quinta-feira (16). A saída foi confirmada pelo próprio ministro, por meio da conta oficial dele no Twitter. O oncologista Nelson Teich é o mais cotado para assumir o cargo. 

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