Chacinas e violência policial marcam Londrina, no Paraná

Na segunda cidade mais populosa do estado, mortes causadas por policiais têm crescido, e também protestos da população

Por Cecília França, Nelson Bortolin | Edição: Bruno Fonseca, Agência Pública

No dia 7 de fevereiro de 2024, a Polícia Militar do Paraná foi acionada para atuar contra um suposto “tribunal do crime” do PCC em Londrina, município de cerca de 570 mil habitantes no norte do estado. A ação no bairro Jardim Felicidade, na zona norte da cidade, terminou em uma chacina: seis mortos. Os agentes alegam que foram recebidos a tiros e por isso tiveram de atirar primeiro. Familiares das vítimas contestam essa versão e pedem justiça. (mais…)

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Mortes causadas por policiais em São Paulo têm o maior crescimento do país

Mais de 800 pessoas foram mortas por policiais no estado em 2024, mostra Anuário Brasileiro de Segurança Pública

Por Rafael Custódio | Edição: Mariama Correia, Agência Pública

O estado de São Paulo lidera o aumento do número de mortes em decorrência de intervenções policiais em relação à população, segundo o levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com dados de 2024, divulgado nesta quinta-feira, 24 de julho. O aumento foi de quase 61%, quando comparado com 2023, o que fez com que as polícias paulistas ficassem à frente de estados como o Rio de Janeiro e a Bahia, que apresentaram redução nos mesmos índices, de 19% e 8%, respectivamente. A violência em São Paulo levou à morte de 813 pessoas por ações da polícia. (mais…)

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Amazônia concentra quase metade dos conflitos no campo nos últimos 40 anos, diz CPT

Atlas dos Conflitos no Campo Brasileiro publicado pela Comissão Pastoral da Terra registra cerca de 51 mil disputas por terra e água, além de casos de trabalho escravo, entre 1985 e 2023; Publicação é lançada em evento que marca o aniversário de 50 anos da organização ligada à Igreja Católica

Por Paula Bianchi, no Repórter Brasil

DE SÃO LUÍS (MA) — Lançado nesta segunda-feira (21), o Atlas dos Conflitos no Campo Brasileiro revela o peso da Amazônia na geografia da violência agrária no país. Entre 1985 e 2023, a região concentrou quase metade (44%) dos 50.950 casos, segundo dados compilados pela CPT (Comissão Pastoral do Campo), responsável pela publicação. Desse total, 84% referem-se a disputas por terra, 8,9% a casos de trabalho escravo, e 7,1% a conflitos por água. (mais…)

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Violência policial fecha bailes funk em Paraisópolis, maior favela de São Paulo

Presença ostensiva dos agentes encerrou encontros como o tradicional baile da DZ7

Por Glória Maria | Edição: Mariama Correia, Agência Pública

Desde o massacre de Paraisópolis, em 2019, que resultou na morte de nove jovens após uma ação da Polícia Militar durante um baile funk, os eventos culturais na maior favela de São Paulo, segundo Censo 2022, passaram por uma série de transformações. A presença ostensiva da polícia reduziu gradativamente o público do tradicional baile da DZ7, que reunia milhares de pessoas nas madrugadas de fim de semana na zona sul. Há quase dois anos, o baile deixou de acontecer. Moradores atribuem a paralisação à presença de viaturas no local, que passou a ser constante no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). (mais…)

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Audiência da CIDH expõe a falta de reparação dos indígenas pelas violações da Ditadura

Rodrigo de Medeiros Silva [1]

No 193º Período de Sessões da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ocorreu a audiência temática “Brasil: Situação das políticas de memória, verdade e justiça”, neste dia 21 de julho [2]. Ela foi pedida por três grupos, um articulada pela Ouvidoria-Geral da Defensoria Pública do Estado Rio Grande do Sul, a partir do Conselho Nacional de Ouvidorias-Gerais Externas de Defensorias Públicas do Brasil (CNODP), em parceria com a Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (ArpinSul); o Centro de Trabalho Indigenista (CTI); a Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados; a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos – Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul; a Comissão Guarani Yvyrupa (CGY); o Conselho Estadual de Direitos Humanos do Rio Grande do Sul (CEDH-RS); o Conselho Indigenista Missionário – Regional Sul (CIMI-Sul); a Fundação Luterana de Diaconia (FLD); o Fórum Justiça no Rio Grande do Sul; a Justiça Global; a Operação Amazônia Nativa (Opan); a Ouvidoria-Geral da Defensoria Pública do Estado de Santa Catarina; a Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares (RENAP); o Serviço de Assessoria Jurídica Universitária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (SAJU da UFRGS); além de parlamentares de vários lugares do país. (mais…)

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MPF recomenda afastamento de diretora escolar em Santarém (PA) por racismo institucional contra indígenas

Além do afastamento, MPF recomenda processo disciplinar, pedido público de desculpas, campanha e comissão de igualdade racial

Ministério Público Federal no Pará

O Ministério Público Federal (MPF) enviou recomendação à Secretaria Municipal de Educação (Semed) de Santarém (PA) para que afaste imediatamente a diretora da Escola Municipal São Miguel por suposta prática de racismo institucional e atos discriminatórios contra indígenas do povo Munduruku da aldeia Pau D’arco. Também foram recomendadas a abertura de processo disciplinar e a adoção de outras medidas antirracismo. (mais…)

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O sofrimento palestino, à luz de Fanon

O psiquiatra e revolucionário martinicano nunca visitou o território. Mas suas ideias são uma ferramenta poderosa para pensar a saúde mental dos que vivem sob a ocupação israelense, propõe estudiosa palestina. Leia trecho de obra recém-lançada pela Ubu

Por Samah Jabr e Elizabeth Berger, Outra Saúde

Que saúde mental é possível quando se vive sob ocupação há 80 anos? Não só por meio da violência física direta o colonialismo israelense fere e mata os palestinos. Como observou o médico martinicano Frantz Fanon, em contextos assim, a opressão colonial se entrelaça em (e, muitas vezes, origina) cada situação de sofrimento. Em seu tempo, ele “entendeu, à luz da tradição de Marx e Engels, porém reforçada pelos instrumentos do século XX da tradição freudiana, que a escravização física de seres humanos acontecia simultaneamente à escravização de suas almas por meio da perda de suas histórias, dignidade e autonomia”, observam as autoras do texto que publicamos hoje. Por isso, apesar de Fanon nunca ter visitado a Palestina, suas ideias permitem “ler as entrelinhas do manual do opressor e desenvolver uma psicologia da libertação genuinamente robusta”, elas argumentam. (mais…)

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