Milícia no Rio de Janeiro: como é a vida em Rio das Pedras, bairro dos suspeitos da morte de Marielle

Por Luiza Franco*, na BBC News Brasil

Quando deixou sua cidade no Nordeste, ainda jovem, rumo ao Rio de Janeiro, Zélia (nome fictício) sabia da fama de perigosa que a cidade carregava, mas tinha ouvido falar que o lugar onde se instalaria, Rio das Pedras, perto da Barra da Tijuca, na zona oeste, era mais calmo.

Sua fama de “favela tranquila” não se deve à ausência de violência, mas à imposição de certa ordem pela força e pelo medo, não do tráfico, mas da milícia, grupo armado violento formado por integrantes e ex-integrantes de forças de segurança do Estado, como policiais, bombeiros e agentes penitenciários.

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Aos 80 anos, amigo de Chico Mendes refunda “jornal das selvas” para denunciar governo Bolsonaro

Elson Martins resistiu à ditadura de 1964 e fundou “O Varadouro”, jornal alternativo que cobria o movimento seringueiro no Acre; para ele, que considera o atual governo ainda mais ameaçador, o agronegócio “vem com tudo, para destruir”

De Olho nos Ruralistas

O jornalista acreano Elson Martins acabava de participar de uma importante reunião de trabalho na segunda-feira (11) quando, no fim da noite, começou a receber mensagens de diferentes colegas indignados com a notícia que se tornou uma das mais divulgadas no país: o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, acabara de chamar Chico Mendes, o sindicalista internacionalmente reconhecido como ambientalista, de “irrelevante” para o atual momento. Amigo do seringueiro durante as décadas de 70 e 80, ele viu ainda mais sentido em seu trabalho. Ele foi o fundador do Jornal Varadouro, o “jornal das selvas”, uma das mais importantes experiências da imprensa alternativa do país. Exatamente naquele dia ele começava a ser revivido.

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Comissão Arns dá início aos seus trabalhos, atuando em rede com organizações sociais e em âmbito nacional

Grupo de juristas, intelectuais, jornalistas e ativistas, entre os quais seis ex-ministros de diferentes governos, faz o lançamento oficial da Comissão Arns, no dia 20 de fevereiro, em São Paulo. A Comissão Arns vai se dedicar ao acompanhamento de casos de graves violações aos direitos humanos contra pessoas e comunidades discriminadas

São Paulo, fevereiro de 2019 – Por uma dívida histórica quanto à incorporação dos direitos humanos na vida dos cidadãos e pelos riscos de retrocesso em conquistas celebradas na Constituição de 1988, um grupo de brasileiros decidiu se juntar para constituir a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos ‘Dom Paulo Evaristo Arns’ – Comissão Arns. O lançamento oficial da comissão será no próximo dia 20 de fevereiro (quarta-feira), às 11h, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo de São Francisco (mais informações abaixo).

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“Não aceitamos mudanças feitas sem consulta aos povos indígenas”, afirmam mulheres Munduruku

Em carta produzida no III Encontro de mulheres Munduruku do médio Tapajós, indígenas repudiam medidas do governo Bolsonaro

Por Verônica Holanda*, no Cimi

De 30 de janeiro a 2 de fevereiro, ocorreu o III Encontro de mulheres Munduruku do médio Tapajós, na aldeia Sawré Muybu, dentro da terra indígena de mesmo nome. Como resultado, foi divulgada uma carta em sua página do Facebook solidarizando-se com os Pataxó Hã Hã Hãe, afetados pela poluição causada pelos rejeitos de mineração da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho. Elas também reafirmam a resistência à política indigenista do governo Bolsonaro, criticando a ausência de consulta acerca de medida que têm impacto direto sobre suas vidas.

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Ação do MPF resulta em condenação por crime de trabalho escravo em Trairão (PA)

Trabalhadores estavam em situação desumana para habitação. Não havia instalação sanitária nem água potável para o consumo e as refeições eram feitas em local aberto

Ministério Público Federal no Pará

A Justiça Federal no Pará condenou o proprietário rural Miguel Cirilo dos Santos a dois anos de reclusão, em regime aberto, por submeter cinco trabalhadores a condições similares à escravidão, na Fazenda Sobrado, localizada no município de Trairão, sudoeste paraense.

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Homofobia: para vice-PGR conduta cabe no conceito de crime de racismo

Para Luciano Mariz Maia, classificar as pessoas como as que merecem ou não viver é o que há de mais dramático no racismo

Procuradoria-Geral da República

“Quantas mortes serão necessárias para sabermos que já morreu gente demais? Quatrocentos e vinte mortes são poucas porque há 60 mil mortes no Brasil por ano?”, questionou o vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia, durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte iniciou, nesta quarta-feira (13), a discussão sobre a suposta omissão legislativa para a criminalização da homofobia. O tema entrou em debate no julgamento conjunto da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) 26 e do Mandado de Injunção (MI) 4.733. Após as sustentações orais, o julgamento foi suspenso e será retomado na sessão desta quinta-feira (14).

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“Eles são os caçadores e nós somos bichos aqui em baixo”, diz moradora de favela alvejada por tiros vindos de torre da polícia

Pública teve acesso ao relatório feito por Defensorias na favela de Manguinhos, no Rio de Janeiro, onde moradores acusam policiais civis de usar atiradores ‘snipers’ contra jovens

Por José Cícero da Silva e Natalia Viana, em Agência Pública

Desde setembro do ano passado, moradores da favela de Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro, relatam uma situação de completo terror: jovens de mochilas e boné, geralmente em motos, têm sido alvejados por tiros certeiros e repentinos.

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Versão do ministro Ricardo Salles coincide com a dos assassinos de Chico Mendes

Mais do que uma gafe, fala do titular do Meio Ambiente no Roda-Viva está alinhada com discurso de fazendeiros da UDR, nos anos 80, e inimigos do modelo extrativista; em Xapuri, amigos do sindicalista contam ter ouvido muita coisa parecida

Por Julia Dolce, em De Olho nos Ruralistas

“As pessoas do agronegócio da região dizem que ele usava os seringueiros para se beneficiar, fazia uma manipulação da opinião”, disparou na segunda-feira o ministro do Ambiente, Ricardo Salles, logo após dizer que não conhecia Chico Mendes, reconhecido oficialmente como um dos Heróis da Pátria. A intervenção do político no Roda-Viva, na segunda-feira, tornou-se conhecida principalmente pela pergunta marcante feita sobre o sindicalista acreano: “É irrelevante, que diferença faz quem é Chico Mendes neste momento?”

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Celebração faz memória aos 14 anos do assassinato de Dorothy

Bispo do Xingu pediu que a comunidade local não tenha medo e se inspire na vida da agente pastoral

Por Mário Manzi, em CPT Nacional

As ruas de Anapu falam. A mata fala. Os povos da floresta falam. Os ventos assoviam o nome de Dorothy. Esses ventos alvissareiros carregam o nome da missionária que, de tempos em tempos cai nos ouvidos dos passantes e daqueles que nessa terra fazem morada. Do-ro-thy, ou Doti. As irmãs de Notre Dame de Namur, parceiras de Stang, mantém os trabalhos pastorais na região. Muitas vezes são elas chamadas de Dorothy. Ou Doti. O nome não cabe mais na figura de cabelos brancos que chegou à região ainda na década de 1970, contemporânea à construção da rodovia Transamazônica. Dorothy transborda, tornou-se símbolo da luta fundiária e da luta pelas matas. Ela está presente na voz das camponesas e dos camponeses, das autoridades e dos inimigos do povo, aqueles que a mataram, e que seguem temendo o nome da missionária.

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