A difícil reinvenção da democracia frente ao fascismo social. Entrevista especial com Boaventura de Sousa Santos

Ricardo Machado – IHU On-Line

A democracia tornou-se uma daquelas palavras vazias de sentido. Como é usada para descrever tudo aquilo que não é um regime político autoritário, tendemos a não ver os tons de cinza entre o branco e negro. “Para uns, a democracia realmente existente está de tal modo descaracterizada que só por inércia ou distração se pode considerar como tal. Vivemos em regimes autoritários que se disfarçam com um verniz democrático”, aponta Boaventura de Sousa Santos, em entrevista por e-mail à IHU On-Line. “Vivemos em democracias de baixa ou muito baixa intensidade que convivem com regimes sociais fascistas. Daí o meu diagnóstico de que vivemos em sociedades que são politicamente democráticas mas socialmente fascistas”, pontua. (mais…)

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Cidade de Caetité acolhe o Conselho Anual da CPT Bahia

Os agentes da CPT Bahia estarão reunidos de 05 a 09 de dezembro em Caetité (BA) para o Conselho Anual do regional. O encontro, que acontecerá no Centro de Treinamento de Líderes, vai refletir sobre a conjuntura política e econômica do Brasil e apontar luzes para a atuação dos movimentos sociais e populares, além de avaliar as ações da CPT em 2016 e planejar as de 2017

CPT Bahia

Para assessorar o evento e contribuir com a análise do contexto atual do país foi convidado o Dr. Nelson Oliveira – Professor da UFBA, doutor em economia Política. “Neste momento preocupante da atual conjuntura em que os direitos conquistados ao longo da história pela classe trabalhadora estão sendo lesados, uma crise colocada pelos ricos e a conta sendo paga pelos pobres, é preciso entender onde estamos e para onde vamos, bem como os desafios que estão colocados para os povos da terra, das águas e das florestas”, avalia Gilmar Santos, coordenador da CPT – BA. (mais…)

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A esquerda precisa de um “impulso de despressurização”. Entrevista especial com Bruno Cava

Patricia Fachin – IHU On-Line

Um dos problemas centrais da esquerda brasileira não é a sua “desunião” ou o fato de “estar perdida”, ao contrário, há unidade em “excesso”, e basta ver que a “esquerda brasileira ainda é muito petista”, diz Bruno Cava à IHU On-Line. Nos dias de hoje, essa unidade, critica, “se pretende construir com base num clima de pânico moral, que vem saturando o ambiente de ativismo e movimento, e que converte a ação e discussão políticas numa grande moral de pertencimento e terapia coletiva, a que a todo instante se tem de prestar contas e estar em dia”. (mais…)

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Terra arrasada

Mais do que uma crise do PT, o que a primeira eleição após o colapso do “pacto social” revela é um cenário devastador para a esquerda

Por Marcos Barreira* – Blog da Boitempo

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No final dos anos 1990, o Brasil vivia o fim de um ciclo político. O desemprego recorde e os mais de 50 milhões abaixo da linha de pobreza já não podiam ser ocultados pelos defensores da “estabilização econômica”. O caráter antissocial das medidas de austeridade exigia uma contrapartida em termos assistenciais. Pela primeira vez, as elites falavam de medidas concretas para reduzir os níveis de pobreza absoluta gerados pelas experiências neoliberais. Nessa época, vários países da América Latina criaram fundos de combate à pobreza e programas de renda mínima, sempre assessorados pelos organismos financeiros internacionais. No Brasil, começam a ganhar forma, ainda como ações locais, alguns programas de transferência de renda. Em seguida, tais programas foram adotados no plano federal, em escala muito limitada, como medidas de “urgência” contra a crise.1 (mais…)

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A religiosidade dos pobres e a esquerda. Os preconceitos intelectuais e a indisposição para aprender com o outro. Entrevista especial com Roberto Dutra Torres Junior

Patricia Fachin – IHU On-Line

A recente eleição de Crivella no Rio de Janeiro, especialmente sua popularidade nos bairros pobres da cidade, tem trazido à tona um debate sobre o modo como a esquerda, em geral, enxerga os evangélicos. Quase todos na esquerda, diz Renato Dutra à IHU On-Line, “rejeitam a adesão dos evangélicos à ‘teologia da prosperidade’ e aos ideais de autonomia e valorização do indivíduo como se isso fosse uma distorção da autêntica forma de ser e agir das classes populares”. Mas o que a esquerda não “entende”, pontua, é que “há uma combinação específica entre individualismo moral e solidariedade, caudatária da tradição pequeno-burguesa que é a principal fonte de expectativas de vida das classes mais baixas”. Ao não perceber essa relação entre individualismo e solidariedade, e “operar com a dicotomia rígida individualismo versus solidariedade, a esquerda não observa o fenômeno popular-religioso que combina as duas coisas”, afirma. (mais…)

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Por que uma nova esquerda é necessária

Vitória de Trump abala projeto neoliberal, mas leva ao poder direita autoritária. Quem lutará, agora, por justiça, igualdade e soberania popular?

Por Christophe Ventura* | Tradução: Inês Castilho – Outras Palavras

A eleição de Donald Trump – cuja primeira explicação é a rejeição, no seio das classes populares, de Hillary Clinton, a encarnação do pior conluio entre dinheiro e política – confirma o “momento populista” mundial [1]. (mais…)

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Convulsão social e futuro cinzento

“Na crise de hegemonia, caracterizada por Gramsci como aquele interregno em que o “velho está a morrer e novo ainda não pode nascer”, a evolução mais provável não é a revolução. Pelo contrário, é a reação e o incremento do Estado de exceção. Do ponto de vista das saídas políticas, a saída mais provável é à direita. Esta é uma tendência no mundo ocidental: a não funcionalidade das democracias e a falência dos partidos de centro e centro-esquerda joga as massas desempregadas e os trabalhadores para a direita”, escreve Aldo Fornazieri, professor da Escola de Sociologia e Política, em artigo publicado por Jornal GGN. Segundo ele, “setores de esquerda, principalmente intelectuais, enganam e iludem acerca da avaliação do nosso tempo. Uns sugerem que o amanhã não vai ser um inverno. Outros dizem que há uma revolução invisível. Aqui no Brasil incensa-se a energia da juventude, das mulheres e dos novos movimentos sociais. O fato é que as esquerdas e as forças progressistas estão desorganizadas, desorientadas e sem estruturas de poder. Nada indica que dessas situações críticas emerjam pontos de ebulição revolucionária. Pelo contrário, os imensos poderes estocados, se necessário, reagirão pela discricionalidade da lei e pela força para reordenar a ordem do capital”

IHU On-Line

Não existe um conceito preciso de “convulsão social”. Uma de suas aproximações parece indicar que ele abriga a existência de uma situação na qual o governo não governa e os vários setores sociais se põem em movimento sem uma direção clara e definida, cada um lutando pelos seus interesses particulares. Em face da ausência de uma direção geral, alguns movimentos testam os limites da legalidade, tanto à direita quanto à esquerda. Outros ingredientes das convulsões sociais importam a existência de crise econômica, de desemprego elevado, de desesperança, de medo quanto ao futuro, de redução de consumo, de violência social generalizada, de crise do Estado, de incapacidade dos partidos tradicionais e dos governos de apresentarem saídas para as crises conjuminadas, desmoralização das instituições e de crescente desobediência civil. (mais…)

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