MST pretende captar 17,5 milhões de reais oferecendo títulos do agronegócio por um retorno de 5,5% ao ano, mais do que a poupança, em um momento em que o país vê o recrudescimento dos conflitos no campo
Por Regiane Oliveira, no El País
O maior movimento social do mundo quer fincar bandeira na meca do capitalismo: o mercado de capitais. O estandarte vermelho do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), aquele com a bandeira do Brasil sobre um fundo branco representando a paz conquistada com justiça social, onde figuram uma mulher e um homem segurando um facão —símbolo de trabalho, luta e resistência no campo—, vai tremular agora também nas carteiras de investimentos. O MST planeja captar 17,5 milhões de reais com a emissão de um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), uma modalidade de título de renda fixa utilizada para financiar o produtor ou a cooperativa agrícola, que tem como lastro a economia real, ou seja, a própria produção. Na prática, pessoas interessadas em financiar as atividades do movimento podem comprar os títulos e terão, como retorno, uma remuneração pré-fixada que gira em torno de 5,5% ao ano pagos com o lucro da venda dos produtos agrícolas—mais do que a poupança, por exemplo, que rendeu de janeiro a dezembro de 2020, 2,11%.
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