Angela Davis flerta com o pós-capitalismo. Entrevista a Alex Lubin e Gaye Theresa Johnson

Ao lançar novo livro, ela celebra o elo entre o Black Lives Matter e os Panteras. Também vê nos movimentos feministas a liga capaz de articular um radicalismo negro generoso, disposto a articular a rebeldia de todas as periferias do mundo

Na Nueva Sociedad | Outras Palavras

Futures of Black Radicalism [“Futuros do radicalismo negro”, 2020] é uma obra que reúne militantes, acadêmicos e pensadores da tradição radical negra como um reconhecimento e comemoração da obra de Cedric J. Robinson — o primeiro a cunhar o termo. Os ensaios escolhidos no livro olham para o passado, presente e futuro do radicalismo negro, bem como para as influências que ele exerceu em outros movimentos sociais. O “capitalismo racial”, outra das importantes ideias desenvolvidas por Robinson, tem uma conexão com os movimentos sociais internacionais atuais, explorando as ligações entre a resistência negra e o anticapitalismo.

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Negacionismo, gatopardismo e transicionismo. Por Boaventura de Sousa Santos

Pandemia mostra: o fim do mundo que conhecíamos já começou, e seu desmoronar pode ser brutal. Três grandes tendências entrarão em choque. Há chance de evitar o futuro-distopia – mesmo que ele já esteja cravado em nós

No Outras Palavras

A pandemia do novo coronavírus veio pôr em causa muitas das certezas políticas que pareciam ter-se consolidado nos últimos quarenta anos, sobretudo no chamado Norte global. As principais certezas eram: o triunfo final do capitalismo sobre o seu grande concorrente histórico, o socialismo soviético; a prioridade dos mercados na regulação da vida não só econômica como social, com a consequente privatização e desregulação da economia e das políticas sociais e a redução do papel do Estado na regulação da vida coletiva; a globalização da economia assente nas vantagens comparativas na produção e distribuição; a brutal flexibilização (precarização) das relações de trabalho como condição para o aumento do emprego e o crescimento da economia. No seu conjunto, estas certezas constituíam a ordem neoliberal.

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Os Silêncios do Papa Francisco na Fratelli Tutti. Por Antônio Canuto

Na CPT

A Encíclica social do Papa Francisco, Fratelli Tutti, lançada em Assis, no dia 03 de outubro de 2020, junto ao túmulo de São Francisco, é uma Encíclica que provoca as consciências de homens e mulheres para o tema central da Fraternidade urgente e necessária para se construir um mundo onde todos tenham seu lugar assegurado, com condições dignas de vida. Ninguém pode ser excluído da mesa da fraternidade. Nacionalidade, cor, religião nada pode e deve impedir uma autêntica fraternidade. “O mundo existe para todos, porque todos nós, seres humanos, nascemos nesta terra com a mesma dignidade. As diferenças de cor, religião, capacidade, local de nascimento, lugar de residência e muitas outras, não podem antepor-se nem ser usadas para justificar privilégios de alguns em detrimento dos direitos de todos”, diz o Papa. (118)

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O mundo em que vivemos perigosamente. Por Marcio Sotelo Felippe

Na Revista Cult

Johanna Altvater nasceu em Minden, Vestfália, em 1920, filha de operários. Em 1935 fez um curso de secretária comercial. Foi descrita na juventude como uma “mistura de moleca e namoradeira engraçada”. Em seu primeiro trabalho registraram ser “pontual, trabalhadora, honesta e muito interessada no trabalho”. Casou-se em 1953, adotando o nome do marido, Zelle. Não teve filhos naturais, mas tomou a seus cuidados uma criança de seis anos. Pagou seus estudos e depois a adotou. Morreu em Detmund, em 2003, aos 84 anos de idade.

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Shoshana Zuboff: “O neoliberalismo destroçou tudo. Temos que começar do zero”

A filósofa e professora emérita da Harvard Business School deu nome a um fenômeno que domina o mundo: o capitalismo de vigilância. Acredita que é possível conter o Facebook, o Google e a Amazon

Por Carmen Pérez-Lanzac, no El País

Shoshana Zuboff (Nova Inglaterra, Estados Unidos, 1951) realizou o sonho de todo ensaísta com seu livro The Age of Surveillance Capitalism (a era do capitalismo de vigilância): reconhecer, dissecar e dar nome a uma tendência econômica que já estava em andamento havia 20 anos. A filósofa e professora emérita da Harvard Business School diz que sempre foi “uma ativista em letras minúsculas”, mas que a publicação deste livro a tornou uma ativista em letras maiúsculas. O objetivo é muito importante. Zuboff também é uma das protagonistas de O Dilema das Redes, documentário da Netflix que revela a variedade de efeitos nocivos das redes sociais e que está tendo muita repercussão. Zuboff dá a entrevista de sua casa no Maine (nordeste dos EUA). É cordial, bem norte-americana: te chama pelo nome e de vez em quando ajuda a se fazer entender usando palavras em espanhol.

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Quem elogia torturador deveria ser preso. Por Alex Solnik

“A falta de resposta crítica a declaração tão injuriosa aos verdadeiros heróis nacionais por parte da cúpula militar me faz conjecturar que os atuais comandantes concordam com os elogios, o que também os inclui dentre os herdeiros da linha-dura da ditadura”, escreve Alex Solnik

No Brasil 247

No dia 9 de outubro de 2008, sentença do juiz Gustavo Santini Teodoro, da 23a Vara Civel de São Paulo condenou, pela primeira vez desde o fim da ditadura, um oficial do Exército Brasileiro por sequestro e tortura durante o regime militar de 1964.

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Krenak: O Amanhã não está à venda

Líder indígena desafia: povos originários estavam ameaçados e isolados bem antes da pandemia. Mundo percebe enfim a iminência da extinção, e pode ser que não haja o “depois”. Perceberemos, enfim, que somos parte da Natureza?

Por Ailton Krenak, no OutrasPalavras

Parei de andar mundo afora, cancelei compromissos. Estou com a minha família na aldeia Krenak, no médio rio Doce. Há quase um mês, nossa reserva indígena está isolada. Quem estava ausente regressou, e sabemos bem qual é o risco de receber pessoas de fora. Sabemos o perigo de ter contato com pessoas assintomáticas. Estamos todos aqui e até agora não tivemos nenhuma ocorrência.

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