Leite, racismo e neonazismo

Por Joana Monteleone, no Brasil de Fato

Alimentos e ingredientes têm sido usados muitas vezes na história como marcas de distinção cultural, social e racial.

Hoje, vemos imagens de racistas brancos consumindo leite nas redes sociais como prova de uma suposta superioridade genética. O leite, assim, passou a ser um código, um símbolo de um grupo social que se orgulha de partilhar uma característica genética, a de ser tolerante à lactose. 

(mais…)

Ler Mais

Bolsonaro, o invencível? Por Antonio Martins

Parte da esquerda acha que o capitão não perde espaço – e, ao contrário, cresce ainda mais – quando vem à luz a reunião ministerial monstruosa de 22/4. É um erro grave, que se baseia em saudosismo e leva à paralisia. Há um antídoto

No Outras Palavras

Quem perdeu a capacidade de formular projeto, e pensar mesmo a médio prazo, vive esperando uma bala de prata que destrua o adversário e encerre o pesadelo. Não há isso na fita da reunião ministerial de 22 de abril. Dada a ausência, muita gente de esquerda, em análises e conversas nas redes sociais, voltou a entrar em depressão. Bolsonaro estaria fortalecido. Seus apoiadores fascistas já preparariam uma contra-ofensiva. Moro teria parido um rato. Estas avaliações expressam almas feridas, mas não são capazes de analisar objetivamente os fatos – o que impede de projetar as ações seguintes.

(mais…)

Ler Mais

Agroecologia ou Colapso (1). Por Paulo Petersen e Denis Monteiro

No esforço por repensar o mundo, é preciso olhar ao campo. Ali há um sistema de produção cooperativo e sustentável. Subestimado inclusive pelo marxismo ortodoxo, está sendo redescoberto. Será uma das bases para o pós-capitalismo

Em Outras Palavras

No dia 8 de abril, a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) publicou uma proposta para retomada do Programa Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA). O documento foi assinado por 774 organizações, redes e movimentos sociais do campo e das cidades e propõe a alocação imediata de 1 bilhão de reais para compra e distribuição de alimentos para as populações em situação de fome e de insegurança alimentar e nutricional, montante que deve chegar a 3 bilhões até o fim de 2021. Como procuraremos demonstrar, esta proposta é coerente com a perspectiva agroecológica para transformação dos sistemas alimentares, cuja configuração hegemônica atual é responsável pelo encadeamento de crises que tem nos levado a um verdadeiro impasse civilizatório. Apresentamos aqui o sentido político desta proposição nesse momento histórico de extrema gravidade marcado pelo súbito aprofundamento de crises pré-existentes deflagrado pela disseminação do coronavírus. 

(mais…)

Ler Mais

O Brasil sempre teve a cara de Rubem Fonseca. Por Fausto Salvadori

Se tem gente que surpreendeu com “o que o Brasil virou” nos últimos anos, é porque talvez nunca tenha prestado muita atenção ao país antes disso. Como se tivesse passado a vida olhando para o outro lado. E isso não é raro. Afinal, a gente tem dificuldade de olhar para nós mesmos. Precisamos de bons espelhos. Para uma nação, um desses espelhos pode ser a literatura.

Rubem Fonseca, que deixou o Brasil e os demais países do mundo na semana passada, era um mestre quando se tratava de nos mostrar o país dividido e carregado de ódio e violência que muitos teriam preferido não ver. Aos olhos do Brasil de 2020, é uma literatura que parece muito familiar.

(mais…)

Ler Mais

Estadão: “O preço da pusilanimidade”

Nota de Combate: como é sempre importante saber o que eles dizem em determinadas conjunturas, aí vai o Editorial do Estadão de hoje, 21/04:

“O presidente Jair Bolsonaro assumiu de vez que é candidato a caudilho. Em comício para seus simpatizantes, de caráter escandalosamente golpista, anunciou: “Nós não queremos negociar nada. Queremos é ação pelo Brasil. Chega da velha política. Acabou a época da patifaria. Agora é o povo no poder. Lutem com o seu presidente”.

(mais…)

Ler Mais

Em tempos da Covid 19, a classe média “descobre“ que está no mesmo barco furado dos pobres. Por Joaquim Shiraishi Neto(1)

Aqui em casa, em isolamento físico e “distanciamento social”, organizando a minha rotina, lendo e escutando lives – puxa! acabei de sair de uma -,  decido passar a limpo algumas anotações.

No geral, estamos aceitando todas as medidas dos governos (federal e estaduais) para combater a pandemia da Covid 19, sem qualquer tipo de questionamento. O medo da morte faz com que aceitemos os argumentos da urgência e da ciência como critérios válidos para justificar as medidas dos governantes, sem nos darmos conta de que algumas delas violam o catálogo de direitos humanos (liberdade, privacidade, intimidade, propriedade, pluralidade e os direitos sociais). O governo de São Paulo, por exemplo, está se valendo dos dados móveis dos celulares das pessoas para monitorar e controlar a movimentação, os deslocamentos e as aglomerações nas cidades do Estado, seguindo o padrão biopolítico adotado pelos países asiáticos (Coreia do Sul, Hong-Kong, Taiwan , Singapura)[2].

(mais…)

Ler Mais

A fábrica da desunião. Por Rubens R.R. Casara

Na Revista Cult

Geração ofendida

Para muitos, a sensação é de termos sido lançados em um pesadelo. Diante dos absurdos que se repetem, há uma pergunta que ainda não recebeu uma resposta adequada: como permitimos essa longa noite que parece não ter fim?

Por um lado, a visão de mundo hegemônica parece indicar que os “outros” devem ser percebidos como ameaças, concorrentes e, não raro, inimigos que devem ser destruídos. O egoísmo tornou-se virtude em um mundo em que o objetivo principal é a acumulação de capital.

(mais…)

Ler Mais