Educar para a barbárie: o cachorro Orelha e as hierarquias que matam

O ataque brutal ao cachorro Orelha não surge como aberração: é a culminância de um processo pedagógico silencioso em que o jovem aprende que há seres cuja função social é ser ridicularizado, espancado, descartado…

Verbena Córdula, Diálogos do Sul Global

A impunidade não nasce no tribunal. Ela é ensaiada no jantar de família — muito antes do crime, do boletim de ocorrência ou da perícia. Começa quando pais e responsáveis ensinam, cotidianamente, que regras são negociáveis quando se tem poder suficiente para dobrá-las. Por exemplo, pressionar professores para aprovar um filho despreparado é uma aula prática sobre como instituições funcionam para quem sabe exigir, ameaçar ou constranger. É nesse aprendizado precoce que se forma o sujeito que, mais tarde, não vê problema em humilhar, torturar ou matar. O que aconteceu com o cachorro Orelha é a continuação lógica dessa pedagogia da impunidade, a partir da qual a violência extrema surge como desdobramento natural de anos de permissividade e limites sistematicamente destruídos no espaço doméstico. (mais…)

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Angela Davis deu sua vida para expor a repressão do Estado

Angela Davis se tornou mundialmente famosa aos 20 anos, quando o FBI a colocou na lista das pessoas mais procurados. Desde que garantiu sua liberdade, ela trabalhou durante meio século para revelar como funciona a repressão em Estados “democráticos” como os EUA.

Por Cecilia Sebastian / Tradução de Pedro Silva, Jacobin

Aos vinte e seis anos, Angela Davis se tornou uma das prisioneiras políticas mais famosas do mundo e um ícone revolucionário, sendo a sua imagem tão reconhecível quanto a de Mao Zedong ou Che Guevara. As circunstâncias que levaram à sua prisão foram complexas e parcialmente forjadas. (mais…)

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Guia de Direitos dos Povos de Matriz Africana é lançado em Brasília

Lançamento será esta noite no Teatro dos Bancários

Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil

Um guia, com mais de 100 páginas, promete contribuir para o combate à discriminação racial e à intolerância religiosa em relação aos povos de matriz africana no país, em especial no Distrito Federal. O material é uma iniciativa da Secretaria de Combate ao Racismo e às Discriminações, em conjunto com a Comissão da Verdade da Escravidão Negra do Sindicato dos Bancários de Brasília. (mais…)

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Bahia registra mais de 700 casos de intolerância religiosa em 2025 e delegado destaca predominância do racismo religioso

Por Eduarda Pinto, Bahia Notícias

A Bahia registrou cerca de 759 ocorrências relacionadas referentes ao crime de racismo, que inclui discriminações referentes a raça, cor, religião ou procedência nacional. Nesta quarta-feira, dia 21 de janeiro, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, o Bahia Notícias divulga os dados obtidos junto à Polícia Civil da Bahia. (mais…)

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Racismo, discurso de ódio e extrema direita: por que os terreiros lutam e não recuam

Encruzilhadas exigem posições em diálogo com as lutas históricas por democracia, direitos e políticas públicas

Por Francisco Nonato do Nascimento Filho*, Brasil de Fato

No Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro, os terreiros brasileiros saem às ruas para denunciar os efeitos estruturais do racismo religioso e enfrentar o avanço do discurso de ódio da extrema direita, representado pelo bolsonarismo. A data é marcada pela presença e pelo legado ancestral da saudosa Mãe Gilda de Ogum, fundadora do Axé Abassá de Ogum, vítima de racismo religioso, cuja memória inspira a resistência e fortalece a luta dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro e de Matriz Africana. (mais…)

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Jesus inicia sua missão pública se aproximando dos últimos e com eles irradia justiça (Mt 4,12-23). Por Gilvander Moreira

Nos dois primeiros capítulos do Evangelho de Mateus fala-se das origens de Jesus. Mateus 1-2 é para explicar para as comunidades cristãs oriundas principalmente da cultura judaico-semita Marcos 1,1, isto é, para dizer que “Jesus é o Cristo, Filho de Deus, Messias”, mas não messias conforme esperado pelos saduceus – “messias da ideologia da prosperidade” -, pelos fariseus – “messias legalista” – e nem pelos chefes dos sacerdotes – “messias da pureza cultual” – , mas um Messias que vem do meio do povo marginalizado, “gente da gente”, que só nasceu porque houve gente, principalmente mulheres, que rompeu com o lugar que a sociedade patriarcal e machista lhes impunha. Um Messias que provoca o pânico no poder estabelecido e nos Herodes de plantão, apenas por ter nascido. Um Messias que refaz o caminho do povo libertando-se da escravidão do imperialismo egípcio e que convoca seus seguidores e suas seguidoras a fazer o mesmo caminho libertador. (mais…)

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