Eleições: há espaço à esquerda de Lula?

Falta uma candidatura que proponha novo projeto de país e recomponha um horizonte de transformações. Eleitoralmente, ela atrairia uma parcela dos que rejeitam o lulismo – e evitaria que, no segundo turno, o presidente esteja só, contra uma frente de seus adversários de direita

Por Rui Abreu, em Outras Palavras

Com a devida distância da realidade e a dez meses das eleições, as pesquisas vão apresentando um provável quadro de reeleição presidencial no Brasil. A imagem da presidência foi se recuperando na segunda metade do ano passado após alguns movimentos erráticos do neofascismo nacional e internacional. Pedidos de sanções, tarifas, tentativa do congresso blindar os crimes dos ricos e ataques à soberania foram fortalecendo o governo mesmo num quadro de precariedade econômica para a esmagadora maioria das famílias brasileiras que a isenção de rendimentos até cinco mil reais pretende mitigar. Sucessivos nomes são colocados em disputa com Lula e todos apresentam tendências de voto inferiores, tendo o presidente mais ou menos vantagem em todos os cenários. (mais…)

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Psol – coligação sim, federação não. Por Valerio Arcary

Há uma dialética inteligente em lutar pela construção de um partido socialista que vai além dos limites do PT e, ao mesmo tempo, lutar ao lado do PT e do governo Lula contra o bolsonarismo. A ideia de que deve existir um só partido de esquerda parece atraente, mas não é progressiva

“A ambição nunca descansa. A ambição não ouve a razão alheia”
(Sabedoria popular portuguesa).

Em A Terra é Redonda

1.

Ainda que não tenha sido ainda deliberado, formalmente, é previsível que o PSol venha a decidir pelo apoio à candidatura de reeleição de Lula desde o primeiro turno sem uma grande controvérsia interna. Ao contrário do contexto de 2022, prevalece no partido a compreensão de que seria um erro uma candidatura própria, em função dos riscos colocados pela ofensiva de Donald Trump na América Latina, os resultados recentes de eleições na Argentina e Chile, e a implantação da extrema direita no Brasil liderada pelo neofascismo. (mais…)

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As eleições de 2026 e os possíveis impactos para a docência no Brasil

A intensificação das disputas políticas e culturais no Brasil, sobretudo a partir da década de 2010, tem produzido impactos diretos sobre o ambiente escolar e o exercício da docência. Em meio ao avanço de agendas conservadoras, à disseminação de discursos de ódio e ao fortalecimento de mecanismos institucionais de controle, professores e professoras passaram a enfrentar um cenário crescente de censura, perseguição e violência simbólica e matéria

Por Rodrigo Coutinho Andrade, Le Monde Diplomatique Brasil

Ao longo do ano de 2025, o Observatório Nacional da Violência contra Educadores/as (ONVE) publicou uma pesquisa intitulada Um estudo quantitativo da perseguição a educadoras/es no Brasil (ONVE, 2025), tratando das ameaças à educação democrática em seu primeiro volume[1]. O mesmo estudo, materializado por meio do Projeto de Extensão interinstitucional sediado na Universidade Federal Fluminense (UFF), e viabilizado financeiramente pelo Ministério da Educação (MEC), objetivou “mensurar o impacto da censura e da perseguição sobre o trabalho docente no Brasil desde 2010” (ONVE, 2025, p. 6), motivado principalmente pela expansão do discurso de ódio contra educadores e demais situações que impulsionaram práticas de censura após o ano de 2010. (mais…)

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Eleições 2026: Congresso “inimigo do povo” muda o tom e promete “entregas concretas”

Presidente da Câmara abre ano eleitoral destacando pautas populares como fim da escala 6×1 e combate ao feminicídio

Por Guilherme Cavalcanti | Edição: Ludmila Pizarro, em Agência Pública

Já na primeira semana do ano legislativo, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou um novo tom do legislativo. Em seu discurso na última segunda-feira (2), falou em “entregas concretas”, em sintonia com “as expectativas da população”, e anunciou que a agenda para o primeiro semestre priorizará o fim da escala 6×1, o combate ao feminicídio e a regulamentação do trabalho por aplicativos. “Que 2026 continue sendo um ano de entregas ao país, atendendo sempre as expectativas da população, em sintonia com as ruas”, afirmou. (mais…)

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O cálculo de Caiado e Kassab

Aparente fragmentação da direita revela algo a mais. Centrão aposta em reorganizar a direita e se libertar dos Bolsonaro, pensando em 2030. No curto prazo, busca ampliar bancada, projetar candidato próprio e testar sua força – para negociar, com Lula ou Flávio, o segundo turno

Por Glauco Faria, em Outras Palavras

No final de janeiro, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou sua saída do União Brasil e, em seguida, sua filiação ao PSD. A justificativa foi o fato de sua hoje ex-legenda, dentro da recém-formada e ainda não oficializada federação União Progressista, inviabilizar sua possível candidatura à Presidência da República. (mais…)

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Eleições: A ameaça invisível das big techs. Por Reynaldo Aragon e Eden Cardim

A dez meses das urnas, resta um ponto cego: qual será o papel das redes sociais, turbinadas por IA? Corporações têm meios técnicos para desviar votos manipulando os medos e desejos de cada eleitor. Para impedi-las, é preciso ação política. Haverá?

Em Outras Palavras

A Eleição Invisível

A eleição brasileira de 2026 já começou — e ela não está acontecendo no território físico, mas no território cognitivo. Enquanto o debate público olha para pesquisas, candidatos e alianças partidárias, a disputa real se desenrola em outra camada da realidade: a arquitetura invisível das plataformas digitais, onde algoritmos e capital privado constroem aquilo que chamo de gerrymandering digital. Trata-se de uma técnica sofisticada, capaz de reorganizar o eleitorado não por regiões geográficas, como no gerrymandering clássico, mas por regiões emocionais, grupos de comportamento, padrões de vulnerabilidade psicológica e tendências de engajamento afetivo. Em vez de redesenhar distritos no mapa, as plataformas redesenham o mapa mental do país. (mais…)

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Eleições: A direita sem candidato dos sonhos. Por Rômulo Paes de Sousa

O bolsonarismo quer, a todo custo, que Flávio esteja na urna. E o recuo de Tarcísio revela a dependência da direita ao ex-presidente. Farialimers, pastores, jornalões e Centrão reféns de uma agenda que exige a infame anistia aos golpistas

Em Outras Palavras

A melhora dos resultados do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto selou, na prática, o enterro da última quimera daqueles que apostavam em Tarcísio de Freitas como único representante do direitismo na disputa presidencial. Farialimers, pastores influentes, grandes jornais, partidos do Centrão e até a ex-primeira-dama defendiam que o governador de São Paulo liderasse uma ampla frente de direita, empurrando a disputa para o posto de vice na chapa. Enquanto setores do mercado prefeririam outro governador nessa composição, Michelle Bolsonaro e parte expressiva de lideranças evangélicas insistem no seu nome para a vaga. (mais…)

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