Marco Rubio expõe o projeto de recolonização

Sob aplauso das elites europeias, o secretário de Estado dos EUA abre o jogo em Munique. A descolonização foi perversa; para livrar-se da decadência, o Ocidente deve impor sua ordem à China e Sul Global; Gaza e Venezuela são caminho a seguir

Por Crismar Lujano, no Diario Red | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Ao falar, em 13/2, à Conferência de Segurança de Munique, um dos principais fóruns geopolíticos mundiais, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, tirou o último véu da já pouco disfarçada política externa MAGA para os próximos anos. Seu discurso foi recebido com uma ovação em pé por grande parte da elite europeia, aliviada por ouvir o chefe da diplomacia norte-americana reivindicar a aliança imperialista oldfashioned do colonialismo sem complexos e do poderio militar sem limites. Ela seria a base finalmente da tão esperada restauração geopolítica da hegemonia ocidental. (mais…)

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O retorno à política de força e o fim da ilusão multilateral: como um mundo conflagrado abre caminho para a política da extrema direita. Por Estevão Rafael Fernandes

No Blog da Boitempo

Há alguns acontecimentos capazes de revelar transformações já em curso antes mesmo de serem percebidas. Tratar as declarações e ameaças de Trump meramente como bravatas de um mandatário excêntrico já se provou um erro de leitura; estamos, na verdade, diante de sintomas de uma reconfiguração estrutural da ordem internacional.

Em janeiro de 2026, reportagens do periódico canadense Globe and Mail revelaram que as Forças Armadas daquele país vinham desenvolvendo cenários de contingência para tensões com os Estados Unidos, incluindo a modelagem de resposta a uma hipotética invasão americana. A informação passou quase despercebida fora do Canadá, talvez porque já tenhamos nos acostumado a ouvir um presidente dos Estados Unidos tratar países soberanos como imóveis à venda e alianças históricas como contratos rescindíveis. É assim que funciona normalização do impensável, como uma erosão gradual, perceptível apenas quando o terreno já cedeu. (mais…)

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Em Davos, império, arrogância e… declínio

Brutalidade de Trump choca, mas não é raio em céu azul. Por décadas, mundo das corporações sequestrou a riqueza coletiva e zombou da democracia e dos direitos. Resultado: um sistema arcaico e cada vez mais indesejado, mas em crise aguda

Por Mariana Mazzucato* | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Enquanto o Fórum Econômico Mundial (FEM) se reúne em Davos sob o lema “Um Espírito de Diálogo”, os Estados Unidos assumiram o controle da infraestrutura petrolífera da Venezuela, instalando o que o presidente Donald Trump chama de administração norte-americana “indefinida” das reservas de petróleo do país, ao mesmo tempo que chantageiam países europeus com sua exigência pela Groenlândia. A desconexão entre o apelo do FEM ao diálogo e a agressão unilateral norte-americana é, no mínimo, chocante. (mais…)

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A Venezuela e a tradição internacionalista. Por Valerio Arcary

A esquerda deve posicionar-se diante de dilemas históricos escolhendo o campo que enfraquece o imperialismo, sem jamais confundir aliança militar com submissão política

Em A Terra é Redonda

“Existe atualmente no Brasil um regime semifascista que qualquer revolucionário só pode encarar com ódio. Suponhamos, entretanto que, amanhã, a Inglaterra entre em conflito militar com o Brasil. Eu pergunto a você de que do conflito estará a classe operária? Eu responderia: nesse caso eu estaria do lado do Brasil “fascista” contra a Inglaterra “democrática”. Por que? Porque o conflito entre os dois países não será uma questão de democracia ou fascismo. Se a Inglaterra triunfasse ela colocaria um outro fascista no Rio de Janeiro e fortaleceria o controle sobre o Brasil. No caso contrário, se o Brasil triunfasse, isso daria um poderoso impulso à consciência nacional e democrática do país e levaria à derrubada da ditadura de Getúlio Vargas. A derrota da Inglaterra, ao mesmo tempo, representaria um duro golpe para o imperialismo britânico e daria um grande impulso ao movimento revolucionário do proletariado inglês”.[i]
(Leon Trotsky)

1.

Leon Trotsky defendeu a URSS, nos anos trinta, diante da iminência de uma invasão pela Alemanha nazista, apesar de sua posição crítica diante do governo de Joseph Stalin. No livro Em defesa do marxismo retomou a avaliação crítica da degeneração burocrática do regime político soviético apresentada no livro A revolução traída. (mais…)

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Em defesa da soberania da Venezuela! Repúdio à agressão imperialista

“De forma irrestrita e veemente, as entidades que subscrevem esta NOTA repudiam a agressão militar perpetrada, na madrugada de 3 de janeiro de 2026, pelo governo dos Estados Unidos da América contra a República Bolivariana da Venezuela. Este ato de violência contra um território nacional é uma criminosa transgressão do direito internacional, uma afronta aos fundamentos da convivência pacífica entre os Estados soberanos e se configura como mais uma ação imperialista do governo Donald Trump.

O mundo, em 2026, começa, pois, sob o signo da rapinagem, da barbárie e da guerra! (mais…)

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Império sequestra e barbariza. Por Gilberto Maringoni

O verdadeiro alvo não era Maduro, mas o próprio conceito de soberania. O ataque à Venezuela é o laboratório de uma nova barbárie, na qual a lei do mais forte se disfarça de aplicação da justiça

Em A Terra é Redonda

1.

Jornalista: “O senhor notificou algum membro do Congresso [sobre o ataque à Venezuela] com antecedência?”

Donald Trump: “Marco, você quer falar sobre isso? Você esteve envolvido”.

Marco Rubio: “Claro. Nós avisamos os membros do Congresso imediatamente depois. Este não era o tipo de missão que permitia notificação prévia ao Congresso”.

As falas reproduzidas acima aconteceram numa coletiva de imprensa na tarde de sábado (3 de janeiro), no resort de luxo de Mar-a-lago, de propriedade do presidente dos Estados Unidos. (mais…)

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