“Marxismo só tem sentido como um pensamento aberto”. Entrevista especial com Michael Löwy

Por Ricardo Machado, no IHU

Quando Karl Marx reflete acerca de assuntos econômicos, políticos e sociais, está imerso no espírito de seu tempo, o século XIX. Claro, é notória sua contribuição para compreender essa sociedade em transformação. “As tentativas de ‘superá-lo’ só levam a regressões: ao positivismo, ao liberalismo do século XIX, à economia política burguesa etc.”, destaca o professor Michael Löwy. Entretanto, para Löwy, leituras mais duras dos escritos limitam as possibilidades de manter o marxismo atual. “Graças aos trabalhos de John Bellamy Foster, Paul Burkett, Ian Angus e Kohei Saito, descobriu-se toda uma dimensão ecológica da obra de Marx, que havia sido totalmente ignorada pelas leituras da esquerda tradicional”, exemplifica. (mais…)

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Força de trabalho e ideologia, oxigênio das relações do capital. Por Gilvander Moreira[1]

Em muitas passagens de O Capital, o filósofo Karl Marx se refere à classe dominante, integrada por capitalistas, especuladores de bolsa, proprietários de terra, e à classe proletária, que é composta pelos trabalhadores: todos aqueles que, não tendo outra coisa, são obrigados a vender sua força de trabalho. São trabalhadores das indústrias, das fábricas, assalariados, trabalhadores camponeses, entre outros, que vendem sua força de trabalho como mercadoria para os capitalistas. De uma forma analógica, podemos dizer que “a molécula Trabalho encontra-se com a molécula Capital e produzem o ser do Capital” (IASI, 2006, p. 91). A força de trabalho é uma espécie de oxigênio para manter vivas as relações do capital.  (mais…)

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Domenico Losurdo (1941-2018)

Perda imensurável para o pensamento crítico mundial, o filósofo italiano Domenico Losurdo deixa um precioso legado para o pensamento marxista. Leia aqui as páginas finais de sua última obra publicada em vida: “O marxismo ocidental: como nasceu, como morreu, como pode renascer”.

No Blog da Boitempo

É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Domenico Losurdo, um dos maiores e mais originais filósofos marxistas da atualidade, querido amigo e camarada. Ele nos deixou nesta manhã de quinta-feira, dia 28, aos 77 anos, vítima de um súbito câncer cerebral. Perda imensurável para o pensamento crítico mundial, Losurdo deixa um precioso legado para o pensamento marxista. Suas reflexões, sempre afiadas e eruditas, concentram-se na crítica radical ao liberalismo, ao capitalismo, ao imperialismo e à “tradição colonialista”. Sua última obra publicada em vida é O marxismo ocidental: como nasceu, como morreu, como pode renascer. Como forma de homenagem, disponibilizamos abaixo as páginas finais da obra, em que Losurdo reflete sobre as condições para o renascimento do marxismo no ocidente. A TV Boitempo está atualmente preparando a publicação de uma série inédita de vídeos com ele sobre comunismo e revolução no século XXI.

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Onde está o seu autoritarismo?, por Cândido Grzybowski

do Ibase

Na última quinta feria, dia 7 de junho, a convite do Clube de Engenharia, participei do Painel “Direitos civis e inclusão social”. Foi o quarto de uma série organizada pelo Clube e junto com o Comitê Fluminense do Projeto Brasil Nação, louvável iniciativa dado o momento que viemos. Está difícil até para reencontrar os elos que podem nos conectar e mobilizar nesta conjuntura política altamente desagregadora. Somos uma espécie de “velha guarda da cidadania” em alerta e busca, mas a falta de esperança está estampada no ar e parece maior do que a indignação com tudo o que está acontecendo no Brasil. (mais…)

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Michael Löwy: O romantismo revolucionário de Maio de 1968

O espírito romântico de Maio de 1968 não é composto somente de “negatividade”. Ele está carregado também de esperanças utópicas, de sonhos libertários e surrealistas, de “explosões de subjetividade”. A reivindicação do direito à subjetividade estava inseparavelmente ligada à impulsão anticapitalista radical que cruzava, de um lado a outro, o espírito de Maio de 1968.

Por Michael Löwy, no Blog da Boitempo

O espírito de 1968 é uma poderosa bebida, uma mistura apimentada e embriagadora, um coquetel explosivo composto de diversos ingredientes. Um de seus componentes – e não o menor deles – é o romantismo revolucionário, isto é, um protesto cultural contra os fundamentos da civilização industrial-capitalista moderna e uma associação, única em seu gênero, entre subjetividade, desejo e utopia – o “triângulo conceitual” que, segundo Luisa Passerini, define 19681. (mais…)

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A Intoxicação Midiática

Anderson Pirota*, no Correio da Cidadania

O debate sobre mídia, política e sociedade ocupa um destaque muito importante na atualidade. Obviamente, tem lugar privilegiado na pauta de muitos pesquisadores sobre o assunto, ao se refletir com maior profundidade no que diz respeito à informação e mídia na sociedade contemporânea, incidindo significativamente nos processos sociais, culturais e políticos. (mais…)

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Marx e a ciência política

Toda a ciência social digna de seu nome toma por base alguma concepção materialista da história e, assim, é tributária do pensamento de Marx.

Por Luis Felipe Miguel, no Blog da Boitempo

A obra de Karl Marx deixou sua marca em uma grande quantidade de campos do saber. Ele foi um filósofo, mas se tornou um economista. É um dos pais fundadores da sociologia. No caminho, revolucionou a ciência da história. O marxismo – um rótulo que não o agradava – evoluiu na forma de uma quase infinidade de correntes e leituras divergentes, contribuindo de diferentes maneiras para essas e outras disciplinas científicas (direito, antropologia, geografia, linguística). E não são apenas os marxistas que se alimentam das ideias de Marx. Elas assentaram muitas das bases do fazer científico nas humanidades. Thomas Kuhn dizia que as chamadas “ciências sociais” permanecem no estágio pré-científico, uma vez que nelas não vigora qualquer paradigma que seja compartilhado por todos os praticantes; a cada vez, temos que justificar nossas escolhas teóricas de fundo. Sem discutir aqui os limites da compreensão de Kuhn sobre o trabalho científico, é conveniente anotar que tal cizânia se liga às implicações políticas mais imediatas da ciência social, que sofre, assim, uma pressão maior para cumprir um papel de legitimação ideológica. Mas se pode dizer, sem medo de errar e contra o próprio Kuhn, que toda a ciência social digna de seu nome toma por base alguma concepção materialista da história e, assim, é tributária do pensamento de Marx. (mais…)

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