O que significa Bolsonaro no poder, por Jessé Souza

Bolsonaro e sua penetração na banda podre das classes populares foi útil para vencer o PT, mas é tão grotesco, asqueroso e primitivo que governar com ele é literalmente impossível

 No Jornal GGN

A eleição de Jair Bolsonaro foi um protesto da população brasileira. Um protesto financiado e produzido pela elite colonizada e sua imprensa venal, mas, ainda assim, um “protesto”. Uma sociedade empobrecida – cheia de desempregados, de miseráveis e violência endêmica, cujas causas, segundo a elite e a grande imprensa que a mantém, é apenas a “corrupção política” – elege o mais nefasto político que os 500 anos de história brasileira já produziu. Segundo a imprensa comprada, a corrupção é, inclusive, culpa do PT e de Lula manipulando a informação e criando uma guerra entre os pobres. Sem compreender o que acontece, a sociedade como um todo é manipulada e passa a agir contra seus melhores interesses.

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O fetichismo e as formas políticas: o Estado burguês na forma burlesca. Por Mauro Luis Iasi

A bizarrice burlesca do governo atual não é uma característica contingente. Ela é a forma necessária do Estado burguês em um momento em que nenhuma racionalidade minimamente séria consegue mais ligar as intensões neoliberais aos resultados obtidos

“Se há um idiota no poder
é porque os que o elegeram
estão bem representados.”
Barão de Itararé

No Blog da Boitempo

Marx estava convencido de que o fetichismo da mercadoria constituía a base real daquilo que Hegel entendia como uma das dimensões da alienação: o estranhamento, esse processo pelo qual as objetivações humanas se distanciam daqueles que as criaram e se voltam contra ele como uma força hostil que os controla.

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A culpa é da esquerda

A culpa é um afeto pouco transformativo. Assim como criticar tornou-se o mesmo que desqualificar e agredir, autocrítica tornou-se sinônimo de admissão de culpa.

Por Christian Ingo Lenz Dunker*, no Blog da Boitempo

Agora que o castelo de areia criado pelo ódio e pela desinformação começa a ser varrido pelas ondas de corrupção e lama que vêm caracterizando as primeiras semanas do governo Bolsonaro, talvez tenha chegado a hora da autocrítica da esquerda. Qual parte lhe cabe nesse latifúndio de miséria, ignorância e regressão? Imagino que vários outros (bem mais qualificados em ciência política e no entendimento de processos institucionais, que efetivamente comandam o chão de fábrica da política) tenham muito mais e melhor a dizer do que eu. Mas aqui vai minha contribuição lateral para esse começo de conversa que teve bons e maus motivos para ser adiada.

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Só mudança de mentalidade é insuficiente. Por Gilvander Moreira[1]

É “a revolução a força motriz da história e também da religião, da filosofia e de toda forma de teoria” (MARX; ENGELS, 2007, p. 43). A luta pela terra aponta perspectivas emancipatórias capazes de mover a história? “Na atividade revolucionária, o transformar a si mesmo coincide com o transformar as circunstâncias” (MARX; ENGELS, 2007, p. 209). No prólogo de A ideologia alemã, Marx e Engels, de forma contundente, asseveram: “Até o momento, os homens sempre fizeram representações falsas de si mesmos, daquilo que eles são ou devem ser. Eles organizaram suas relações de acordo com suas representações de Deus, do homem normal e assim por diante. Os produtos de sua cabeça tornaram-se independentes. Eles, os criadores, curvaram-se diante de suas criaturas. Libertemo-nos de suas quimeras, das ideias, dos dogmas, dos seres imaginários, sob o jugo dos quais eles definham. Rebelemo-nos contra esse império dos pensamentos. Ensinemos-lhes a trocar essas imaginações por pensamentos que correspondam à essência do homem” (MARX; ENGELS, 2007, p. 523). (mais…)

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Noam Chomsky: Aqui, ódio de classe é maior do que nos EUA

No TUTAMÉIA

O ódio de classe é extremo no Brasil. É maior do que nos EUA. E ódio puro e simples. É profundo. Não é algo que se possa curar apenas colocando um bandeide. A visão é de Noam Chomsky em entrevista ao TUTAMÉIA (acompanhe a íntegra no vídeo). Para ele, a eleição pode ser suficiente se puder evitar o pior. Mas será preciso encarar os problemas de fundo: o ódio de classe, a enorme desigualdade, as razões que seguraram o desenvolvimento, o foco na exportação de produtos primários, a importação de manufaturados baratos. (mais…)

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Stedile: “Nesta eleição a disputa é de classes: quem está com o povo e contra ele”

Para o dirigente do MST, as eleições evidenciam que a atual capacidade de mobilização da população é através do voto

Por Eduardo Miranda, em Brasil de Fato / MST

Eleger o presidente, os deputados e os senadores comprometidos com os interesses dos trabalhadores é a principal forma que a população terá de desfazer medidas que atingiram direitos básicos como saúde, educação e segurança, na avaliação de João Pedro Stedile, da direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Em entrevista ao Brasil de Fato, ele avalia que o voto nulo e em branco só interessa a quem quer manter a crise em que o país se encontra. (mais…)

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Pesquisa e ciência neutras? Por Gilvander Moreira[1]

Fez parte da dominação imperialista a afirmação de uma ciência neutra, pura, apolítica, pretensamente objetiva, portadora de uma verdade única e universal e não comprometida com a causa das classes (super) exploradas. Afirmar a neutralidade da ciência é uma forma de tergiversar sobre o compromisso conservador que as universidades via de regra têm. Assim, muitas vezes, pesquisa-se para manter e reproduzir o sistema estabelecido opressor. Entretanto, “com o marxismo, começou a batalha pelo desmascaramento do discurso pretensamente neutro e objetivo presente no positivismo e no empirismo lógico, e mesmo no historicismo” (OLIVEIRA, 2004, p. 33). E a partir da década de 1980, “os cientistas sociais se veem na contingência de tomar partido, de colocarem com urgência a que interesses sociais e políticos servem. Como nos tempos de Hitler, os cientistas que guardam silêncio ou pretendem ser neutros estão, na prática, tão comprometidos com as atrocidades do sistema vigente como aqueles que o fazem conscientemente” (BONILLA et al., 1987, p. 135). (mais…)

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Polêmica: Esquerda sem Antígona?

Todas as ferramentas conceituais e experimentais da esquerda estão sujeitas a uma submissão às formas sociais do capital. Os escritos de Adorno e Kurz nunca fizeram tanta falta.

Por Thiago Canettieri, em Outras Palavras

A peça Antígona, integrante da Trilogia Tebana, escrita por Sófocles[1], é, talvez, uma das mais conhecidas passagens da tragédia grega sobre o luto e a morte.  Quando Creonte, rei de Tebas, entrega o trono a Édipo, que havia derrotado a Esfinge, este também se casa com Jocasta e, com ela, tem quatro filhos: Etéocles, Polinices, Antígona e Ismene. Como se sabe, Édipo havia matado Laio, antecessor de Creonte, seu pai, e se casou com a própria mãe, Jocasta. Ao descobrir tal infortúnio Édipo se cega e pede para ser exilado. Com isso, o trono passa para seus dois filhos homens: Etéocles e Polinices, que prometem revezar no trono. O primogênito, Etéocles, reina primeiro, mas não cumpre a promessa, iniciando uma guerra entre os irmãos que, em batalha, se matam. A maldição de Édipo segue seu curso, mesmo com seu exílio. Assim, Creonte reassume o trono de Tebas que, por sua vez, determina que todas as honras da morte, com sua pompa e circunstância, sejam dadas a Etéocles, enquanto proíbe que Polinices, considerado um traidor, seja sepultado ou receba o funeral devido. Antígona, então, decide cumprir as exéquias e sepultar o irmão que teve seu corpo jogado às aves de rapina e outros animais. Ela acaba sendo detida pelos guardas que vigiavam o corpo, é levada até Creonte que a condena morrer presa em uma caverna. Lá, Antígona se mata. (mais…)

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