Treta no PSL: Bolsonaro prometeu ordem no Brasil, mas nem militares e PMs seguram o caos do governo. Por João Filho

No The Intercept Brasil

O BRASIL parou para acompanhar uma grotesca briga pelo controle do PSL nessa semana. O baixo clero recém-empoderado pautou o país ao protagonizar uma disputa pelo controle do partido de aluguel que abrigou o bolsonarismo. Estão em jogo os R$ 350 milhões do fundo partidário do PSL para as eleições do ano que vem.

A treta foi feia, cheia de ataques, espionagens, grampos, ameaças e xingamentos entre os representantes da chamada nova política. O racha não se deu por divergências ideológicas ou programáticas, mas por grana e poder. Bem vindos à “nova era”.

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Como afundamos no submundo das milícias

Elas são uma nova fase da violência nos porões da ditadura. Agora, já não é o Estado quem reprime de modo direto — mas criminosos, que agem em seu nome e do poder econômico. Regressão é resultado do abismo social aberto pela crise

Por Marildo Menegat, no Blog do Arlindenor / Outras Palavras

O sociólogo alemão Norbert Elias passou um bom tempo da sua vida explicando um paradoxo. Na mesma época em que escreveu sua grande obra, O processo civilizador, a Europa – e a Alemanha, em particular – vivia o seu inverso. A resposta de Elias sempre foi uma coordenada do tempo. Para ele a civilização seria o resultado de uma longa duração não apreensível em curtos períodos. Deste modo, explicava os anos que se seguiram de 1945 até sua morte, no início dos 1990, como uma espécie de verdade oculta do período das Grandes Guerras. Contudo, por que razão seria possível falar em barbárie hoje? Quais critérios podem ser utilizados para explicar um acontecimento tão amplo e desconcertante, que permitiria fazer deste argumento uma ampliação lúcida das capacidades de entendimento da realidade, e não uma mera retórica moralista?

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Desterrados e desaparecidos

Que permite aos oprimidos tirar o sono de seus algozes mesmo liquidados? Será a teimosia em não aceitar que estamos todos aprisionados? E é por isso que nos esquecemos de sua existência – para que a chama subversiva não se espalhe?

Por Priscila Figueiredo*, em Outras Palavras

Os versos de Francisco Alvim “A [cobra] que mesmo depois de morta,/pica mais forte” poderiam explicar a ameaça, já expressão idiomática, contida em “sua boca vai ficar cheia de formiga”. A brutalidade desse veredito, dos mais sádicos, aponta para o que de pior pode acontecer ao ameaçado, o qual no entanto se continuará a temer mesmo quando já for matéria inerte, por isso a cautela suplementar: “Você não apenas estará morto em breve, mas sua boca, pela qual você se tornaria sujeito, se confundirá com a terra, será invadida por ela e seus bichos”. A integridade do cadáver se desfará antes do tempo, e melhor ainda que isso, o órgão pelo qual se afirmaria no mundo o humano vivo que o antecedeu.

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Caso Marielle: Esposa de Lessa é presa em seu novo endereço, ao lado da casa de Bolsonaro

A residência para onde Elaine se mudou, há cerca de três meses, é ao lado de onde fica a casa do presidente Jair Bolsonaro. A operação “Submersus”, ainda cumpre outros 20 mandados de busca e apreensão

Na Fórum

Pessoas ligados ao sargento reformado da PM Ronnie Lessa são alvos de cinco mandados de prisão na manhã desta quinta-feira (3) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Lessa é acusado de ser o assassino da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018.

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Um deputado do PSL encomendou um assassinato em plenário. Mais um absurdo do Brasil miliciano. Por João Filho

No The Intercept Brasil

VESTINDO UMA FARDA militar repleta de medalhas de condecorações, um deputado bolsonarista subiu ao púlpito para oferecer um freela para assassinos: R$ 10 mil em troca da morte de um suspeito de ter assassinado uma mulher naquela mesma manhã, na região metropolitana de Vitória, Espírito Santo. Estava ali um representante do povo, na casa do povo, requisitando os serviços de um matador de aluguel. Um homem com carreira militar, condicionado a cumprir e a fazer cumprir as leis, estava ali, na casa onde se fazem leis, procurando um parceiro para a co-autoria de um crime. Poderia ser uma cena de comédia surrealista, mas é só mais um episódio corriqueiro no Brasil bolsonarista, o Brasil miliciano do PSL.

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A milícia avança nos territórios do Comando Vermelho. Entrevista especial com José Cláudio Alves

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

As 881 mortes registradas em operações policiais no primeiro semestre de 2019 no Rio de Janeiro, conforme levantamento feito pelo UOL, sugerem que as milícias estão disputando o controle de territórios com o Comando Vermelho – CV e avançando em áreas que até então eram comandadas pelo tráfico de drogas. De acordo com o sociólogo José Cláudio Alves, dados do início deste ano também apontam que dois milhões e 200 mil habitantes de 22 municípios da região metropolitana do Rio de Janeiro estão sob o comando da milícia e a maioria das mortes está ocorrendo em regiões em que as milícias querem atuar. “A percepção nítida é que a milícia avança nos territórios do Comando Vermelho. Na região de Santa Cruz, por exemplo, onde o CV ainda tinha algumas favelas, como Antares e outra próxima a ela, a milícia já tomou conta. Em comunidades de Nova Iguaçu, próximo à Zona Oeste, na região da Estrada de Madureira, houve uma varredura da milícia no final de julho — os números desses mortos não aparecem em lugar nenhum”. E acrescenta: “O padrão da milícia é entrar, eliminar o CV, dar entrada para o Terceiro Comando Puro e fazer o acordo com ele”.

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“A favela não é o problema, é a solução para a habitação no Brasil”. Essa afirmação não vale mais para o Brasil de hoje. Entrevista especial com Alba Zaluar

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

“Foram erros políticos que abriram a passagem para todo tipo de aventureiro que vinha com uma solução mágica, despótica e, essa sim,  militarizada”, diz a antropóloga Alba Zaluar à IHU On-Line ao comentar as mudanças na política de segurança pública no Rio de Janeiro e a eleição do governador carioca Wilson Witzel. Na avaliação dela, até o ano de 2013, “o Rio de Janeiro havia experimentado uma política que conseguiu baixar tanto a taxa de homicídios quanto o que se convencionou chamar de ‘letalidade policial’, ou seja, as mortes provocadas por policiais”. Essa política, pontua, “foi interrompida em 2013, após a morte de Amarildo, o que aumentou as resistências já existentes, inclusive em grande parte da esquerda, sobre as Unidades de Polícias Pacificadoras – UPPs, consideradas como a ‘militarização da favela’”.

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Da fabricação do medo ao voto de cabresto: estratégias das milícias no avanço sobre o Estado. Entrevista especial com Ana Paula Mendes de Miranda

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

O episódio da semana passada, quando Willian Augusto da Silva, de 20 anos, foi morto depois de ter feito reféns os passageiros de um ônibus em plena Ponte Rio-Niterói, trouxe novamente para a pauta do dia o debate sobre a violência na cidade do Rio de Janeiro e Baixada Fluminense. Tida como uma ação exitosa da polícia, o caso chegou a ser usado pelo governador do Rio, Wilson Witzel – que quando soube da morte do sequestrador e da liberação das vítimas pousou de helicóptero no meio da Ponte e saiu vibrando como quem marcara um gol –, como pretexto para discutir a legislação para que policiais “abatam” (na linguagem dele) criminosos. Para a socióloga e antropóloga Ana Paula Mendes de Miranda, essa é uma estratégia, uma “cortina de fumaça”, para inebriar o principal debate acerca da violência: “a principal causa de violência no Rio de Janeiro é o crescimento das milícias. O tráfico de drogas hoje já não é mais tão lucrativo assim, por uma série de razões”, aponta.

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“Quem manda sou eu”: Interferência de Bolsonaro na PF pode gerar demissão coletiva de delegados

De acordo com a jornalista Mônica Bergamo, o clima é de insatisfação entre delegados da Polícia Federal após a interferência de Bolsonaro para trocar o comando do órgão no RJ; presidente tenta barrar as investigações do caso Queiroz

Na Fórum

Delegados da Polícia Federal em todo o país já estariam, como reação à interferência de Jair Bolsonaro no órgão, cogitando um pedido de demissão coletivo. As informações são da jornalista Mônica Bergamo.

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“Há uma lógica miliciana que passa a controlar a sociedade brasileira”

Estudioso de milícias há 26 anos, professor discute sobre as dimensões do poder que, segundo ele, não é paralelo: ‘É o próprio Estado’

por Giovanna Galvani, em CartaCapital

Não é máfia, nem um grupo de matadores de aluguel. Os jagunços do sertão podem ser uma referência do passado, mas não definem ao certo essa estrutura. Capangas também não tocam no cerne da questão. De dimensões enormes, há de se pensar que essa rede queira se legalizar, enfrentar menos problemas e menos guerras. Mas ela já é autorizada a existir. “Você acha que vai prendê-la e pegá-la pelo legal, ela vem e te mata – que é o caso da Marielle. Quando você vai tratá-los como ilegais, aí eles te tratam pela legalidade, e bloqueiam sua capacidade de atingi-los, porque eles têm acesso à informação. A milícia é o próprio Estado”, diz, em uma tarde fria em São Paulo, José Cláudio Souza Alves, professor de sociologia na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e pesquisador das milícias há 26 anos.

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