A milícia avança nos territórios do Comando Vermelho. Entrevista especial com José Cláudio Alves

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

As 881 mortes registradas em operações policiais no primeiro semestre de 2019 no Rio de Janeiro, conforme levantamento feito pelo UOL, sugerem que as milícias estão disputando o controle de territórios com o Comando Vermelho – CV e avançando em áreas que até então eram comandadas pelo tráfico de drogas. De acordo com o sociólogo José Cláudio Alves, dados do início deste ano também apontam que dois milhões e 200 mil habitantes de 22 municípios da região metropolitana do Rio de Janeiro estão sob o comando da milícia e a maioria das mortes está ocorrendo em regiões em que as milícias querem atuar. “A percepção nítida é que a milícia avança nos territórios do Comando Vermelho. Na região de Santa Cruz, por exemplo, onde o CV ainda tinha algumas favelas, como Antares e outra próxima a ela, a milícia já tomou conta. Em comunidades de Nova Iguaçu, próximo à Zona Oeste, na região da Estrada de Madureira, houve uma varredura da milícia no final de julho — os números desses mortos não aparecem em lugar nenhum”. E acrescenta: “O padrão da milícia é entrar, eliminar o CV, dar entrada para o Terceiro Comando Puro e fazer o acordo com ele”.

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“A favela não é o problema, é a solução para a habitação no Brasil”. Essa afirmação não vale mais para o Brasil de hoje. Entrevista especial com Alba Zaluar

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

“Foram erros políticos que abriram a passagem para todo tipo de aventureiro que vinha com uma solução mágica, despótica e, essa sim,  militarizada”, diz a antropóloga Alba Zaluar à IHU On-Line ao comentar as mudanças na política de segurança pública no Rio de Janeiro e a eleição do governador carioca Wilson Witzel. Na avaliação dela, até o ano de 2013, “o Rio de Janeiro havia experimentado uma política que conseguiu baixar tanto a taxa de homicídios quanto o que se convencionou chamar de ‘letalidade policial’, ou seja, as mortes provocadas por policiais”. Essa política, pontua, “foi interrompida em 2013, após a morte de Amarildo, o que aumentou as resistências já existentes, inclusive em grande parte da esquerda, sobre as Unidades de Polícias Pacificadoras – UPPs, consideradas como a ‘militarização da favela’”.

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Da fabricação do medo ao voto de cabresto: estratégias das milícias no avanço sobre o Estado. Entrevista especial com Ana Paula Mendes de Miranda

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

O episódio da semana passada, quando Willian Augusto da Silva, de 20 anos, foi morto depois de ter feito reféns os passageiros de um ônibus em plena Ponte Rio-Niterói, trouxe novamente para a pauta do dia o debate sobre a violência na cidade do Rio de Janeiro e Baixada Fluminense. Tida como uma ação exitosa da polícia, o caso chegou a ser usado pelo governador do Rio, Wilson Witzel – que quando soube da morte do sequestrador e da liberação das vítimas pousou de helicóptero no meio da Ponte e saiu vibrando como quem marcara um gol –, como pretexto para discutir a legislação para que policiais “abatam” (na linguagem dele) criminosos. Para a socióloga e antropóloga Ana Paula Mendes de Miranda, essa é uma estratégia, uma “cortina de fumaça”, para inebriar o principal debate acerca da violência: “a principal causa de violência no Rio de Janeiro é o crescimento das milícias. O tráfico de drogas hoje já não é mais tão lucrativo assim, por uma série de razões”, aponta.

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“Quem manda sou eu”: Interferência de Bolsonaro na PF pode gerar demissão coletiva de delegados

De acordo com a jornalista Mônica Bergamo, o clima é de insatisfação entre delegados da Polícia Federal após a interferência de Bolsonaro para trocar o comando do órgão no RJ; presidente tenta barrar as investigações do caso Queiroz

Na Fórum

Delegados da Polícia Federal em todo o país já estariam, como reação à interferência de Jair Bolsonaro no órgão, cogitando um pedido de demissão coletivo. As informações são da jornalista Mônica Bergamo.

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“Há uma lógica miliciana que passa a controlar a sociedade brasileira”

Estudioso de milícias há 26 anos, professor discute sobre as dimensões do poder que, segundo ele, não é paralelo: ‘É o próprio Estado’

por Giovanna Galvani, em CartaCapital

Não é máfia, nem um grupo de matadores de aluguel. Os jagunços do sertão podem ser uma referência do passado, mas não definem ao certo essa estrutura. Capangas também não tocam no cerne da questão. De dimensões enormes, há de se pensar que essa rede queira se legalizar, enfrentar menos problemas e menos guerras. Mas ela já é autorizada a existir. “Você acha que vai prendê-la e pegá-la pelo legal, ela vem e te mata – que é o caso da Marielle. Quando você vai tratá-los como ilegais, aí eles te tratam pela legalidade, e bloqueiam sua capacidade de atingi-los, porque eles têm acesso à informação. A milícia é o próprio Estado”, diz, em uma tarde fria em São Paulo, José Cláudio Souza Alves, professor de sociologia na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e pesquisador das milícias há 26 anos.

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Operação Ojuara: MPF denuncia 22 envolvidos em crimes ambientais e formação de milícia no AC e no AM

O ex-superintendente do Ibama no Acre, Carlos Gadelha, e o empresário José Lopes estão entre os denunciados; trabalho é resultado de atuação da FT Amazônia

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 22 pessoas em decorrência da Operação Ojuara, deflagrada em maio deste ano pela Polícia Federal (PF) e pela Força-Tarefa Amazônia, do MPF. Entre os crimes apresentados nas denúncias, estão: corrupção, constituição de milícia privada, divulgação de informações sigilosas, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

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Assassinato de Marielle: homem flagrado com 117 fuzis incompletos deixa a prisão

No Extra

Preso em março passado, depois que a Divisão de Homicídios encontrou em sua casa 117 fuzis incompletos, Alexandre Motta de Souza deixou na manhã deste sábado o presídio em Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio. Ele teve teve a prisão revogada na sexta-feira pela juíza Alessandra Bilac. Alexandre é amigo do ex-PM Ronnie Lessa, acusado de participação nas mortes da vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes e foi preso no mesmo dia em que a DH realizou operação para prender Lessa. No momento da prisão, a polícia achou as peças novas, desmontadas em caixas e concluiu que Ronnie Lessa traficava armas e escondia o material na casa de Alexandre.

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Lições de Marielle. Por Luiz Eduardo Soares

Quando combatemos as execuções extrajudiciais nas favelas, combatemos a matriz da putrefação da política e, por consequência, da democracia

Blog da Boitempo*

Em 17 de março de 2000, fui exonerado do governo estadual. No dia 20, deixei clandestinamente o Rio de Janeiro e saí do país, com o apoio da Polícia Federal. Em poucos dias, minha família foi a meu encontro, nos Estados Unidos. Voltei a viver no Rio dois anos depois. Minhas filhas demoraram mais a voltar. Em dezembro de 2000, lancei Meu casaco de general: 500 dias no front da segurança pública do Rio de Janeiro, pela editora Companhia das Letras, relatando o dia a dia daquela batalha pelos direitos humanos e contra a corrupção policial, irmã siamesa da brutalidade policial. O genocídio de jovens negros e de jovens pobres vinha se tornando mais evidente, ao longo dos anos 1980 e 1990, não só no Rio, onde, porém, acontecia com especial destaque e intensidade. O esforço que liderei contava com uma equipe destemida: éramos apenas sete, três homens e quatro mulheres, mas dispostos a mudar as instituições da segurança, o imaginário social relativo à questão e as políticas públicas na área. Inauguramos, em 1999, uma política orientada por valores democráticos e progressistas, inscrevendo, no centro de nossos compromissos, além da mudança na relação com as comunidades, temas como desarmamento, homofobia, racismo e violência doméstica contra a mulher. Essa inscrição rompeu padrões num setor que parecia inexoravelmente dominado pela direita. Acabamos derrotados, mas muita coisa ficou, além da memória: por exemplo, um conjunto de programas e projetos que seriam replicados adiante, em diferentes estados e em âmbito nacional – ao menos como tentativa.

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Novo decreto de armas segue inconstitucional e acentua ilegalidades da normativa anterior, destaca PFDC

Novo texto mantém, por exemplo, autorização para que qualquer cidadão adquira, registre e tenha em posse alguns tipos de fuzis

O novo decreto de armas – publicado pelo governo federal em 21 de maio para, supostamente, retificar problemas na normativa anterior – não só manteve a inconstitucionalidade e a ilegalidade do Decreto 9.785/2019, como em diversos aspectos agravou as ilegalidades que marcam a medida.

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Jair fora de si

Por Laurez Cerqueira, em seu blog

Certamente o povo brasileiro não está preparado para assistir a cenas de Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e outras pessoas da família sendo presos. Isso seria inimaginável até a semana passada, mas essa hipótese, ainda turva, surge no horizonte.

O Ministério Público e a Polícia Civil do Rio de Janeiro avançam sobre o crime organizado no Estado, penetram nos subterrâneos da família Bolsonaro e põem o presidente da República, recém-eleito e empossado, em situação dramática.

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