A morte de um capitão e o futuro de outro

Fausto Salvadori, da Ponte Jornalismo

A eleição de Jair Bolsonaro não fez a democracia desaparecer com uma explosão, como algumas pessoas previram que ocorreria quando foi eleito, em 2018. A historiadora francesa Maud Chirio, por exemplo, foi uma que imaginou que chegaríamos ao final de fevereiro com MST e PT proibidos de existir. Nenhuma ruptura dessas ocorreu, mas nem por isso dá para dizer que a escalada autoritária não está em marcha. A democracia brasileira está morrendo, sim, com um suspiro.

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Luiz Eduardo Soares: ‘As instituições estão sendo corroídas pelo fascismo’

Para ex-secretário Nacional de Segurança Pública, “ultradireita no poder” destruiu autonomia dos órgãos de investigação, como as polícias e o Ministério Público

por Arthur Stabile, em Ponte

Até que ponto as instituições, como Polícia Federal e Ministério Público, estão livres para investigar no Brasil presidido por Jair Bolsonaro (sem partido)? A pergunta surge após a morte de Adriano Magalhães da Nóbrega, acusado de chefiar a milícia Escritório do Crime e de ter ligações com a família Bolsonaro, em ação conjunta das polícias da Bahia e do Rio de Janeiro.

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Milicianos desmatam terrenos perto de áreas de proteção ambiental na Zona Oeste do Rio

Nos locais, os bandidos constroem casas e condomínios. Na internet, os terrenos são vendidos por R$ 79 mil.

Por Eduardo Tchao, RJ1

Para construírem mais imóveis e condomínios, milicianos continuam a desmatar terrenos perto de áreas de preservação ambiental em Campo Grande e Vargem Grande, próximas ao Parque Estadual da Pedra Branca, segundo a polícia.

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Viação Coringa: o transporte da milícia na zona oeste do Rio

Grupo paramilitar usa adesivo de palhaço para marcar veículos usados em linha clandestina de transporte que substitui as empresas regulares na região

Por Sérgio Ramalho, Agência Pública

Mal havia amanhecido quando Ângelo embicou o carro no acostamento tomado pelo mato às margens da estrada do Furado, em Paciência, na zona oeste do Rio. A diarista Maria do Rosário foi a primeira a embarcar no Fiat Uno, ano 1999, rumo à estação de trem de Santa Cruz. As lanternas do aparentemente bem conservado veículo ainda estavam acesas quando o ex-rodoviário passou à frente da 36ª DP (Santa Cruz) para encerrar, 100 metros depois, o percurso de pouco mais de 8 quilômetros da “viação Coringa”. Uma linha clandestina de transporte de passageiros em carros de passeio que opera livremente na região.

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Treta no PSL: Bolsonaro prometeu ordem no Brasil, mas nem militares e PMs seguram o caos do governo. Por João Filho

No The Intercept Brasil

O BRASIL parou para acompanhar uma grotesca briga pelo controle do PSL nessa semana. O baixo clero recém-empoderado pautou o país ao protagonizar uma disputa pelo controle do partido de aluguel que abrigou o bolsonarismo. Estão em jogo os R$ 350 milhões do fundo partidário do PSL para as eleições do ano que vem.

A treta foi feia, cheia de ataques, espionagens, grampos, ameaças e xingamentos entre os representantes da chamada nova política. O racha não se deu por divergências ideológicas ou programáticas, mas por grana e poder. Bem vindos à “nova era”.

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Como afundamos no submundo das milícias

Elas são uma nova fase da violência nos porões da ditadura. Agora, já não é o Estado quem reprime de modo direto — mas criminosos, que agem em seu nome e do poder econômico. Regressão é resultado do abismo social aberto pela crise

Por Marildo Menegat, no Blog do Arlindenor / Outras Palavras

O sociólogo alemão Norbert Elias passou um bom tempo da sua vida explicando um paradoxo. Na mesma época em que escreveu sua grande obra, O processo civilizador, a Europa – e a Alemanha, em particular – vivia o seu inverso. A resposta de Elias sempre foi uma coordenada do tempo. Para ele a civilização seria o resultado de uma longa duração não apreensível em curtos períodos. Deste modo, explicava os anos que se seguiram de 1945 até sua morte, no início dos 1990, como uma espécie de verdade oculta do período das Grandes Guerras. Contudo, por que razão seria possível falar em barbárie hoje? Quais critérios podem ser utilizados para explicar um acontecimento tão amplo e desconcertante, que permitiria fazer deste argumento uma ampliação lúcida das capacidades de entendimento da realidade, e não uma mera retórica moralista?

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Desterrados e desaparecidos

Que permite aos oprimidos tirar o sono de seus algozes mesmo liquidados? Será a teimosia em não aceitar que estamos todos aprisionados? E é por isso que nos esquecemos de sua existência – para que a chama subversiva não se espalhe?

Por Priscila Figueiredo*, em Outras Palavras

Os versos de Francisco Alvim “A [cobra] que mesmo depois de morta,/pica mais forte” poderiam explicar a ameaça, já expressão idiomática, contida em “sua boca vai ficar cheia de formiga”. A brutalidade desse veredito, dos mais sádicos, aponta para o que de pior pode acontecer ao ameaçado, o qual no entanto se continuará a temer mesmo quando já for matéria inerte, por isso a cautela suplementar: “Você não apenas estará morto em breve, mas sua boca, pela qual você se tornaria sujeito, se confundirá com a terra, será invadida por ela e seus bichos”. A integridade do cadáver se desfará antes do tempo, e melhor ainda que isso, o órgão pelo qual se afirmaria no mundo o humano vivo que o antecedeu.

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Caso Marielle: Esposa de Lessa é presa em seu novo endereço, ao lado da casa de Bolsonaro

A residência para onde Elaine se mudou, há cerca de três meses, é ao lado de onde fica a casa do presidente Jair Bolsonaro. A operação “Submersus”, ainda cumpre outros 20 mandados de busca e apreensão

Na Fórum

Pessoas ligados ao sargento reformado da PM Ronnie Lessa são alvos de cinco mandados de prisão na manhã desta quinta-feira (3) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Lessa é acusado de ser o assassino da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018.

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Um deputado do PSL encomendou um assassinato em plenário. Mais um absurdo do Brasil miliciano. Por João Filho

No The Intercept Brasil

VESTINDO UMA FARDA militar repleta de medalhas de condecorações, um deputado bolsonarista subiu ao púlpito para oferecer um freela para assassinos: R$ 10 mil em troca da morte de um suspeito de ter assassinado uma mulher naquela mesma manhã, na região metropolitana de Vitória, Espírito Santo. Estava ali um representante do povo, na casa do povo, requisitando os serviços de um matador de aluguel. Um homem com carreira militar, condicionado a cumprir e a fazer cumprir as leis, estava ali, na casa onde se fazem leis, procurando um parceiro para a co-autoria de um crime. Poderia ser uma cena de comédia surrealista, mas é só mais um episódio corriqueiro no Brasil bolsonarista, o Brasil miliciano do PSL.

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A milícia avança nos territórios do Comando Vermelho. Entrevista especial com José Cláudio Alves

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

As 881 mortes registradas em operações policiais no primeiro semestre de 2019 no Rio de Janeiro, conforme levantamento feito pelo UOL, sugerem que as milícias estão disputando o controle de territórios com o Comando Vermelho – CV e avançando em áreas que até então eram comandadas pelo tráfico de drogas. De acordo com o sociólogo José Cláudio Alves, dados do início deste ano também apontam que dois milhões e 200 mil habitantes de 22 municípios da região metropolitana do Rio de Janeiro estão sob o comando da milícia e a maioria das mortes está ocorrendo em regiões em que as milícias querem atuar. “A percepção nítida é que a milícia avança nos territórios do Comando Vermelho. Na região de Santa Cruz, por exemplo, onde o CV ainda tinha algumas favelas, como Antares e outra próxima a ela, a milícia já tomou conta. Em comunidades de Nova Iguaçu, próximo à Zona Oeste, na região da Estrada de Madureira, houve uma varredura da milícia no final de julho — os números desses mortos não aparecem em lugar nenhum”. E acrescenta: “O padrão da milícia é entrar, eliminar o CV, dar entrada para o Terceiro Comando Puro e fazer o acordo com ele”.

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