Caso Marielle: a engrenagem da impunidade que move a milícia no Rio de Janeiro. Entrevista especial com Pablo Nunes

A divulgação dos possíveis mandantes do assassinato da ex-vereadora carioca trouxe mais dúvidas que respostas a um crime chocante e bárbaro, mas que ilustra a intrincada relação entre polícias e crime organizado no estado fluminense

Por: IHU e Baleia Comunicação

O Estado do Rio de Janeiro, como laboratório do crime, desafia quaisquer hipóteses históricas ou sociológicas. É como se sempre fosse diferente para que tudo permaneça exatamente como sempre foi. Esta frase é tão paradoxal quanto a realidade fluminense. Se em muitos casos é difícil e tênue a linha que separa o crime das ações policiais, no Rio esses limites são ainda mais indistinguíveis. (mais…)

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Eduardo Soares: Uma radiografia do poder miliciano

Como elas expandiram seus tentáculos no poder público? Por que combatê-las requer controle externo das polícias? Quais suas novas formas de lucro e influência? A partir do caso Marielle, ex-secretário do Rio analisa o paramilitarismo carioca

Luiz Eduardo Soares em entrevista à Ponte

Luiz Eduardo Soares está estudando e combatendo a violência urbana no Brasil literalmente há décadas – na verdade, nem se lembra exatamente como começou nisso. Vindo da militância no PCB clandestino nos anos 1970, estudou inicialmente a violência no campo, mas no fim dos anos 1980, no nascer da nova democracia no país, já militava pela legalização das drogas e utilizava o termo “genocídio” para se referir à mortandade de jovens negros, de vidas ceifadas violentamente, pelo Estado. (mais…)

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O crime contra Marielle Franco desenreda o longo fio que liga o Golpe de 1964 ao crime organizado no Brasil. Entrevista especial com José Cláudio Souza Alves

Seis décadas depois do Golpe Civil-Militar, em 1964, e relação entre esquadrões de morte, hoje chamados de milícias, e os altos poderes da segurança pública, como na Intervenção Federal no Rio, continua a pleno vapor, encobrindo crimes e atrapalhando investigações

Por: IHU e Baleia Comunicação

Desde que a Polícia Federal divulgou o relatório final da investigação apontando os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, bem como o delegado Rivaldo Barbosa, responsável pelas investigações iniciais, com mandantes e artífice do crime, há uma sensação de justiçamento. Mas o caso é mais complexo. (mais…)

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Ela ousou enfrentar o urbanismo miliciano

Prisão dos mandantes do assassinato mostra: o mercado imobiliário tornou-se a principal fonte de renda das milícias fluminenses. Marielle se opôs a projeto que visava favorecê-las. O que o crime revela sobre a questão fundiária no campo e na cidade?

por Glauco Faria, em Outras Palavras

Em 22 de dezembro de 1988, o líder seringueiro e sindicalista Chico Mendes era assassinado na porta de sua casa, em Xapuri, no Acre. Sua morte havia sido encomendada pelo fazendeiro local Darly Alves da Silva a seu filho, Darci, que executou uma sentença já há muito anunciada. (mais…)

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Entenda como Marielle incomodou a expansão imobiliária criminosa

Exploração de imóveis é fonte de receita e poder político para milícia

Por Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil

O relatório final do inquérito da Polícia Federal (PF) sobre os assassinatos da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, mostra que o estopim para o crime pode ter sido uma disputa política em torno de um projeto de regularização fundiária. (mais…)

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Marielle: o fio do novelo. Por Sonia Fleury

Feitas as prisões, falta muito a esclarecer sobre a motivação do crime e os envolvidos. Qual a possível relação entre os mandantes e o clã Bolsonaro? Será possível começar a mapear a presença das milícias na política do Rio e do Brasil?

em Outras Palavras

Os últimos lances na investigação que já dura 6 anos, desde o assassinato de Marielle e Anderson, foram celebrados como a aproximação do seu fim, com o esclarecimento dos mandantes e da motivação do crime bárbaro, a partir da convocação de um coletiva pelo Ministro Lewandowski para anunciar que a delação premiada do assassino confesso Ronnie Lessa havia sido homologada pelo Supremo Tribunal Federal. Para a família, as esperanças foram renovadas como expressou a Ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco; para a viúva, vereadora Mônica Benício, a coletiva convocada pelo Ministro causou frustração e dor, enquanto o Governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, reagiu dizendo que até agora tudo que se sabe são fofocas. Aliás, sua postura tem variado ao longo do tempo entre a necessidade de manter uma aparente neutralidade, como em 2021 quando declarou que cobrava uma solução mas não garantia um desfecho da investigação, até a postura atual, cujo cinismo ao afirmar que tudo não passa de fofoca, o retira, definitivamente da sua busca de neutralidade, Em ambos os casos, apresenta posturas não condizentes com a autoridade máxima do Estado onde o crime foi executado e investigado, até recentemente, pela polícia civil do seu governo. (mais…)

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Violência e religião: caminhos que se encontram no contexto do tráfico e da milícia. Entrevista especial com Christina Vital

Para a professora, líderes de grupos criminosos vivem sua religiosidade sem abandonar a truculência despótica do crime organizado

Por: João Vitor Santos, em IHU

Christina Vital tem se dedicado a estudar dois temas que parecem contraditórios: religião e violência. Mas, no contexto do crime organizado, estes temas estão imbricados. No entanto, é preciso cuidado na análise, pois, segundo ela, é equivocado falar que a religião transforma quem opera o crime organizado. A questão está mais em como o crime organizado vive sua religiosidade de forma muito particular. “Não acredito que possamos falar de uma metanoia, em sentido bíblico, para o caso de traficantes que se apresentam como evangélicos ou que estão próximos a essas redes e têm nelas referências de conduta e estratégia”, afirma em entrevista concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. (mais…)

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