Milly Lacombe: Meu encontro com Manoel Soares

Na Trip

Conheci Manoel Soares através de meu parceiro de vida e de trabalho Antonio Amancio. Não precisei de dois minutos para ser sugada pelo campo gravitacional de Manoel que, como ele mesmo atesta, fala pra caramba. E nesse dia ele falou. Falou e falou e depois falou um pouco mais. E quando ele fala a gente escuta porque o pensamento dele é precioso e necessário.

Se, como ensinou James Baldwin, o preço da libertação da branquitude é a libertação dos negros – a libertação total: nas cidades, nas vilas, perante a lei e na mente –, Manoel está em campanha para que todos e todas nós nos libertemos de nossas mentes e desse Brasil tão atordoado em seus preconceitos.

(mais…)

Ler Mais

Origens do racismo estrutural brasileiro. Por Juremir Machado da Silva

No Correio do Povo

O Brasil é um paradoxo cruel: o processo que levou à abolição da escravatura aumentou o racismo que era evidentemente enorme. Trato disso detalhadamente em “Raízes do conservadorismo brasileiro: a abolição na imprensa e no imaginário social (Civilização Brasileira, 2017).

A festa da abolição ainda estava nas ruas e já o Diário do Maranhão cobrava um programa governamental repressivo contra os novos cidadãos livres do Império. Depois de um elogio ao gabinete organizado por João Alfredo Correia de Oliveira, em substituição ao de Cotegipe, e de um voto de louvor ao projeto de abolição enviado ao parlamento pelo ministro da Agricultura, Rodrigo da Silva, o jornal de São Luís passava ao que realmente lhe interessava: “A criação de leis repressivas contra a vagabundagem e a ociosidade”.

(mais…)

Ler Mais

Adolescente que filmou últimos momentos de George Floyd será premiada por coragem

Na BBC

A americana Darnella Frazier, de 17 anos, que filmou George Floyd sendo sufocado pela polícia, vai receber um prêmio pela coragem de ter registrado a cena.

“Com nada além de um celular e muita coragem, Darnella mudou o curso da história deste país”, afirma Suzanne Nossel, presidente da Pen America, associação de defesa da liberdade de expressão e dos direitos humanos que vai homenagear a jovem. “[Seu vídeo] acendeu as chamas de um corajoso movimento que pede pelo fim do racismo sistêmico e da violência praticada pela polícia.”

(mais…)

Ler Mais

MPF instaura inquérito para apurar racismo estrutural na segurança privada no Rio de Janeiro

Procuradoria convidará representantes de supermercados, shopping centers e bancos para discutir medidas de prevenção à discriminação e à violência

A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Rio de Janeiro (PRDC), órgão do Ministério Público Federal (MPF) instaurou inquérito civil para apurar as medidas adotadas pela Polícia Federal e por supermercados, shopping centers e bancos no que se refere ao enfrentamento da discriminação e do racismo estrutural nos serviços de vigilância destes estabelecimentos. 

(mais…)

Ler Mais

Carrefour pode pagar dano moral coletivo em favor de todos os brasileiros

Por Rafa Santos, no Conjur

A vítima da “política de segurança” do Carrefour não é apenas João Alberto Silveira Freitas, 40, e sua família, mas toda a sociedade brasileira. Como ocorre nos crimes ambientais, a irresponsabilidade empresarial prejudica o país inteiro. Esse é o raciocínio do constitucionalista Lenio Streck e da advogada Camila Torres.

Lenio acrescenta: “Há casos de lesões e atos criminosos que transcendem aos valores individuais e às vítimas diretas. Porque ferem a consciência moral de uma coletividade e, no caso, todo um país. Nesse caso é razoável que se aplique a noção de dano moral coletivo. Mesmo que não haja precedente similar, o caso concreto demanda profunda reflexão e, por que não, uma nova forma de enxergar esse tipo de lesão, pelo seu caráter transcendente”.

(mais…)

Ler Mais

Desigualdade racial no Judiciário: ‘Como se identificar com uma profissão em que você não se enxerga?

Por Andressa Marques, no Sul21

Entre os tantos setores que representam a desigualdade racial no Brasil, o Judiciário talvez seja um dos que tornam o abismo mais evidente. Dados do Censo do Poder Judiciário divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de 2018 apontam que, entre os magistrados, 16,5% se autodeclaram pardos e 1,6% pretos. O percentual está muito distante da realidade da sociedade brasileira, composta, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2019, por 46,8% de pardos e 9,4% de pretos. “O primeiro desafio que se constrói é você se identificar com aquela profissão, na medida em que você não se enxerga nela em termos de representação racial”, resume a juíza Karen Luise Vilanova Batista de Souza, da 1ª Vara do Júri de Porto Alegre.

(mais…)

Ler Mais

Os negros e a chibata. Por Elaine Tavares

No Palavras Insurgentes

Não, não vi o vídeo. Apenas a imagem se repete na minha linha da vida o tempo todo. O homem negro sendo espancado por dois seguranças, enquanto aparentemente uma mulher incentiva. Hoje é o Dia da Consciência Negra e a situação se reveste de especial perversão. É assim aqui, nos Estados Unidos, na Europa, em qualquer lugar. Ser negro é ser alvo. Aqui em Joinville uma mulher, eleita vereadora, também teve a vida ameaçada, porque cometeu a ousadia de ser petista e negra.  

(mais…)

Ler Mais

Relatório das Desigualdades de Raça, Classe e Gênero GEMAA 2020

O objetivo do Relatório das Desigualdades de Raça, Gênero e Classe GEMAA 2020 é tornar acessível ao grande público dados estatísticos relacionados a raça, gênero e classe no Brasil. Com base em resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2019, produzimos análises sobre distribuição da população, renda familiar, média de escolaridade, presença no ensino superior, taxa de desemprego, classe social, dentre outros, sempre em referência à variável raça e, em alguns casos, sua intersecção com gênero. As conclusões ressaltam as intensas desigualdades do país, sobretudo no que se refere à questão racial e ao grupo de mulheres pretas e pardas.

(mais…)

Ler Mais

Nota pública da ONU Brasil sobre a morte de João Alberto Silveira Freitas

A ONU Brasil manifesta solidariedade à família de João Alberto Silveira Freitas, que foi brutalmente agredido na noite de 19 de novembro de 2020 e veio a óbito em seguida, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

A violenta morte de João, às vésperas da data em que se comemora o Dia da Consciência Negra no Brasil, é um ato que evidencia as diversas dimensões do racismo e as desigualdades encontradas na estrutura social brasileira. Milhões de negras e negros continuam a ser vítimas de racismo, discriminação racial e intolerância, incluindo as suas formas mais cruéis e violentas. Dados oficiais apontam que a cada 100 homicídios no país, 75 são de pessoas negras. O debate sobre a eliminação do racismo e da discriminação racial é, portanto, urgente e necessário, envolvendo todas e todos os agentes da sociedade, inclusive o setor privado.

(mais…)

Ler Mais

Caso João Beto: presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados pede urgência na investigação

Por Pedro Calvi / CDHM

O soldador de portões João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos e negro, foi espancado e morto por dois homens brancos, na noite desta quinta-feira (19), em uma unidade da Rede Carrefour, na zona norte da capital gaúcha. João Beto, como era conhecido, deixa mulher, [quatro filhos] e uma enteada.

Os dois agressores trabalhavam como seguranças no supermercado. Eles foram presos em flagrante. Um deles é policial militar e foi levado para um presídio militar. O outro é segurança da loja e está em um prédio da Polícia Civil. Um deles não tem o registro nacional para atuar na profissão, mas a polícia não informou qual dos dois. Ambos são funcionários de uma empresa terceirizada.

(mais…)

Ler Mais