Ramonet tenta desbravar a nova selva midiática

Que papel jogam as “fake news”, num ecossistema em que mentira e ocultação já eram norma? Como movimentar-se, em meio a algoritmos e manipulações fabricadas? Resta espaço para uma mídia alternativa?

Outras Palavras

Encontramos Ignácio Ramonet, ex editor do Le Monde Diplomatique, co-fundador da Attac e do Fórum Social Mundial. Ex professor da Universidade de Paris VII, Ramonet tornou-se figura proeminente do altermundismo, é especialista em estudos sobre América Latina e sistema midiático. Nessa entrevista, ele trata das mutações pelas quais passou o campo midiático, sobre a maneira como as redes sociais contribuem para modificá-lo, sobre a erosão da hegemonia neoliberal, sobre o fenômeno populista, e ainda sobre os fenômenos políticos recentes que marcaram a América Latina (eleição de López Obrador no México, derrota de Gustavo Petro na Colômbia, eleição de Bolsonaro no Brasil…)

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A mentira se tornou símbolo nacional e a corrupção valor familiar

Bolsonaro construiu sua imagem apenas com palavras, sem nenhuma atitude que legitime o que vomita. Hoje vemos a corrupção entranhada na instituição que ele tanto valorizou: sua própria família

Por Raphael Fagundes e Wendel Barbosa*, na Fórum

A nossa capacidade de expressão, verbal ou não verbal, é algo singular no processo de comunicação. É algo que envolve troca de informações ou ideias e se utiliza de signos e símbolos diversos. A construção desses símbolos se constitui como um instrumento de comunicação. E, tal construção, muitas vezes, tem por finalidade moldar o imaginário popular.

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Viagem didática ao mundo da vigilância

Eles sabem, de sua vida, muito mais do que você. Onde esteve, há seis meses? A quem escreveu — e o quê? Como reagiu (ou não) diante de uma imagem provocadora? Ainda assim, você continua a alimentá-los

Por Víctor Sampedro, na OtherNews | Tradução: Marianna Braghini e Felipe Calabrez, em Outras Palavras

Antes que Orwell escrevesse seu clássico 1984, Aldous Huxley publicou Admirável Mundo Novo, imaginando profeticamente o mundo do capitalismo digital. O livro retrata nossa visão da tecnologia, porque estamos entupidos de soma, a droga legal que Huxley imaginou, e que convertia em paraíso o inferno. No nosso mundo, estamos viciados em tecnologia e em consumo. Ou em consumo de tecnologia, que incita a consumir mais. As corporações digitais apresentam-se como solução a qualquer tipo de necessidade. Incluídas as existenciais, como o amor e a amizade.A indústria tecnológica sustenta que nos monitora para nos dar um “melhor serviço”. Isso só é possível se acreditarmos que as corporações e a sociedade possuem interesses idênticos. E que a publicidade é igualmente confiável e crível como a informação. Duas afirmações que, quando relidas (ou já à primeira leitura), resultam mentiras evidentes.

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La comunicación política entre el ágora y el Whatsapp

La comunicación política es la batalla de las construcciones discursivas por las significaciones para el poder y la hegemonía, lo que supone un acto comunicacional relacional, donde las personas son sujetos históricos, no votantes; son actores políticos, no clientes; son ciudadanos, no consumidores ni clientes

Por Adalid Contreras Baspineiro*, en Servindi

Comunicación para el poder y la hegemonía

No hay, definitivamente, una sola manera de conceptualizar ni de operativizar la comunicación política. Su comprensión depende de la articulación que resulta entre procesos históricos, concepciones comunicacionales y propuestas políticas. Con la finalidad de ponernos de acuerdo sobre lo que vamos a hablar en este artículo, propongo entender la comunicación política como las batallas discursivas por las resignificaciones para el poder y la hegemonía. La acepción de batalla está relacionada con la noción de campo político que Bordieau emplea para entenderlo como un microcosmos o sistema de distancias entre polos relacionalmente opuestos y distintos, que se confrontan por cambiar, o conservar, las relaciones de poder que estructura cada campo. Esto supone la lucha por el poder y la hegemonía considerando ideologías, actores políticos, fuerzas sociales y medios. A su vez, la noción de las construcciones discursivas para las resignificaciones tiene que ver con las representaciones y sentidos que se le dan a las producciones discursivas, esto es, los procesos comunicacionales que se generan en -y alimentan- las luchas o prácticas sociales y políticas por el poder con un proyecto político y una ideología definidos y la hegemonía con gobernabilidad de una propuesta de sociedad.

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Amadeu: Se WhatsApp quer contribuir com democracia, entregue os metadados da eleição

Em entrevista ao No Jardim da Política, o sociólogo Sérgio Amadeu analisa relação entre política e internet

Nina Fideles e Mayara Paixão, Brasil de Fato

“O debate eleitoral no Brasil foi anulado, ninguém discutiu nada. É uma situação atípica que vai dar muito trabalho para desconstruir”. A frase é do sociólogo Sérgio Amadeu, em resposta ao papel das redes sociais nas eleições de 2018 no Brasil. Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e defensor do software livre, esteve nos estúdios do Brasil de Fato, para participar do programa No Jardim da Política

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Educação para redes e reconstrução de parâmetros de realidade: desafios da era WhatsApp. Entrevista especial com Sérgio Amadeu

por João Vitor Santos, em IHU On-Line

Para o professor Sérgio Amadeu, doutor em Ciência Política, a estratégia adotada por Jair Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018 não é nova. “Enquanto os partidos e os publicitários tradicionais estavam apostando ainda a maior parte de suas fichas na TV, a campanha de ‘Messias Bolsonaro’ há muito tempo já era praticada pelos dutos do WhatsApp”, aponta. Essa tomada dos dutos foi possível, segundo Amadeu, através da expertise de estrategistas que passaram pela experiência norte-americana. “Nas eleições de 2016 nos Estados Unidos havia acontecido um fenômeno semelhante. A diferença está no uso do WhatsApp e na cultura política dos dois países. No Brasil, infelizmente, não acertamos contas com nosso passado escravista, com a violência desmedida das elites econômicas, com os crimes da ditadura militar. Isso permite que a desinformação encontre um terreno mais propício no Brasil”, analisa. Assim, considera que, por aqui, se perdeu o que chama de “parâmetros de realidade”, e notícias falsas assumiram verniz de verdade.

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Popular e desconhecido: o WhatsApp no mundo digital brasileiro. Entrevista especial com Osmar Lazarini

por João Vitor Santos, em IHU On-Line

Os administradores do aplicativo WhatsApp estimam que o número de usuários no Brasil passe de 120 milhões. Na campanha eleitoral de 2018, a ferramenta assumiu um protagonismo que a guindou ao centro do debate tanto sobre disseminação de notícias falsas como no engajamento político. Para Osmar Lazarini, que trabalha com marketing digital, a experiência de 2018 serviu também para revelar como ainda se conhece pouco a cartilha do WhatsApp. Enquanto as mensagens entram em circuitos rizomáticos de circulação, órgãos e instituições parecem não compreender suas lógicas. Para ele, o que marcou a campanha de 2018 foi “o excesso de memes e santinhos ao invés de conteúdo de interesse público. E, também, a má formatação das regras do TSE com relação à internet, além da guerrilha digital espontânea, especialmente no WhatsApp”. (mais…)

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Assim o Facebook estrangulou o jornalismo

Como as mudanças constantes (e unilaterais) no algorítimo atraíram jornais e revistas a uma arapuca — para depois deixá-los aprisionados e à míngua. Agora, é possível escapar?

Por Paulo Motoryn, em Outras Palavras

O debate sobre a influência do Facebook no jornalismo nasceu para morrer. Não falo isso pela crise do próprio Facebook, sobre a qual alguns analistas já se apressaram em profetizar a queda do império de Mark Zuckerberg – o que está muito distante de acontecer. Eu digo isso porque não é o Facebook, mas o jornalismo que está em perigo. (mais…)

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Do grupo de iguais à trincheira da discórdia: a transformação dos grupos de WhatsApp. Entrevista especial com Carmen de Oliveira

por João Vitor Santos, em IHU On-Line

Houve um tempo em que o maior problema dos grupos de família no WhatsApp era a sequência infindável de “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite”. A polarização da campanha eleitoral de 2018 que tomou conta desses ambientes virtuais contaminou muitas pessoas, que passaram a ver a tia como fascista, o sobrinho como comunista. “A comunicação digital tem demonstrado os seus limites especialmente em contextos de polarizações de ideias em que se fazem mais necessários o jogo argumentativo e a escuta mútua para a formação de opinião e de acordos sociais”, avalia a psicanalista Carmen Oliveira. Para ela, compreender como se coadunam os grupos de WhatsApp é fundamental, porque é a partir disso que será possível apreender a transformação pela qual passam. (mais…)

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A “caixa-preta” do WhatsApp. “Um novo direito para uma sociedade que não é mais centrada em organizações, mas em redes”. Entrevista especial com Ricardo Campos

por João Vitor Santos, em IHU On-Line

Um dos desafios para a regulação do WhatsApp é a proteção que o aplicativo gera para a troca de mensagens, permitindo o acesso apenas do emissor e de quem recebe. Numa resposta rápida, poderia se afirmar que basta quebrar esta proteção, a chamada criptografia. Mas isso seria um atentado à privacidade e à liberdade de expressão, valores que, na opinião do jurista Ricardo Campos, jamais podem ser atacados. “Creio que o caminho seja desenvolver um design de regulação em que se consiga obter informações do aplicativo sobre as atividades de compartilhamento”, aponta. Ou seja, o gestor do aplicativo teria de informar o fluxo das mensagens, mas não o conteúdo das mesmas. “O gestor do aplicativo sabe muito bem quem está compartilhando mais mensagens, se é humano ou se não é humano. Enquanto isso não se tornar transparente para os órgãos estatais, o WhatsApp vai continuar sendo uma caixa-preta”, acrescenta. (mais…)

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