Em Brasília, encontro discute direitos humanos dos povos do campo, das águas e das florestas

Na abertura do evento, Ayala Ferreira, da direção nacional do MST, falou sobre os atuais desafios enfrentados pela classe trabalhadora

Por Webert da Cruz, da Página do MST*

Compreender os desafios do atual contexto político e criar estratégias de fortalecimento da base da classe trabalhadora para enfrentamento de retrocessos de direitos são alguns dos objetivos do Encontro Nacional dos Direitos Humanos dos Povos do Campo, das Águas e das Florestas que acontece de 20 a 22 de junho, em Brasília. Reunidos na Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), o evento integra também o II Encontro dos Estudantes, Professores(as), Advogados(as) e Dirigentes da Via Campesina e Movimento Sindical da Agricultura Familiar.  (mais…)

Ler Mais

Boaventura: em busca de Outros Iluminismos

Apoiando-se na Razão e na Ciência, as Luzes europeias enfrentaram a servidão — mas também sacrificaram todas as demais formas de conhecimento. Em contrapartida, é preciso afirmar, a partir das lutas, as Epistemologias do Sul

Por Boaventura de Sousa Santos*, em Outras Palavras

A conhecida revista de arte norte-americana Artforum solicitou-me um curto texto sobre o tema “O que é o Iluminismo?” Este é o título do famoso texto de Immanuel Kant publicado em 1784, glosado desde então por muito autores, inclusivamente por Michel Foucault. A editora da revista queria especificamente que eu abordasse o tema a partir da minha proposta das epistemologias do sul (Epistemologies of the South: Justice against Epistemicide. Nova Iorque, Routledge, 2014; The End of the Cognitive Empire: The Coming of Age of the Epistemologies of the South. Durham, Duke University Press, 2018.). Eis a minha resposta. (mais…)

Ler Mais

Resiliência política é caminho para enfrentar a crise

Análise de conjuntura aponta a convivência com o Semiárido como uma narrativa contra-hegemônica

Na Asa

Um crescente avanço do fundamentalismo e conservadorismo no mundo. A ameaça de uma guerra nuclear envolvendo Estados Unidos e Coréia do Norte. No Brasil, o desemprego atinge recorde, políticas sociais em declínio, a Constituição Federal ameaçada. Lula preso. Esses são alguns elementos da conjuntura internacional e nacional refletidos por representantes de 138 organizações atuantes no Semiárido e que compõem a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), no dia 07 de junho, no Recife (PE). Entre os debatedores estavam Jorge Romano, da ActionAid, Maria Emília Pacheco, ex-presidenta do Consea e assessora da FASE, e Naidison Baptista, da coordenação executiva da ASA. (mais…)

Ler Mais

Junho, cinco anos depois

Os ecos e significados das Jornadas na luta por saúde num país convulsionado

Por Maíra Mathias, do Outra Saúde

No dia 13 de junho de 2013, uma enquete entrou no ar. Promovida por um programa de televisão cujo principal foco são ações policiais contra “bandidos”, a pergunta lançada aos telespectadores era: “você é a favor de protesto com baderna?” Ao vivo, o apresentador José Luiz Datena tentava lidar com os números. O sim disparava, com mais do que o dobro de votos. “Eu votaria no não”, disse. “Eu não sei se as pessoas entenderam”, continuou atônito. “Será que nós formulamos mal a pergunta?” (mais…)

Ler Mais

Nem coerentes, nem lógicas, as lutas de Junho de 2013 sobrevivem à revelia da compreensão da esquerda. Entrevista especial com Giuseppe Cocco

por Ricardo Machado, em IHU On-Line

Lá se vão cinco anos dos levantes de Junho de 2013. Diferentemente de uma perspectiva que pudesse compreender o fenômeno como algo isolado, as jornadas de Junho parecem emergir a cada tentativa de invisibilizá-la. Assim foi com a greve dos garis no Rio de Janeiro em 2014, com as ruas contra o estelionato eleitoral em 2015, com as ocupações universitárias e secundaristas em 2016 e, mais recentemente, com a greve dos caminhoneiros, lembra Giuseppe Cocco em entrevista por e-mail à IHU On-Line. “Oras, essa brecha era, em 2013, claramente democrática. Hoje ela é muito mais complexa e indeterminada. Em Junho de 2013, a multidão declarou que ‘queria tudo’, queria as cidades como espaços comuns de sua reprodução produtiva e indicava claramente como obstáculo a essa apropriação do comum o bloco mafioso do biopoder. Em Junho, todas as lutas que sonhávamos aconteciam, a começar pela contestação geral do bloco do biopoder e da governamentalidade mafiosa”, destaca. (mais…)

Ler Mais

Onde está o seu autoritarismo?, por Cândido Grzybowski

do Ibase

Na última quinta feria, dia 7 de junho, a convite do Clube de Engenharia, participei do Painel “Direitos civis e inclusão social”. Foi o quarto de uma série organizada pelo Clube e junto com o Comitê Fluminense do Projeto Brasil Nação, louvável iniciativa dado o momento que viemos. Está difícil até para reencontrar os elos que podem nos conectar e mobilizar nesta conjuntura política altamente desagregadora. Somos uma espécie de “velha guarda da cidadania” em alerta e busca, mas a falta de esperança está estampada no ar e parece maior do que a indignação com tudo o que está acontecendo no Brasil. (mais…)

Ler Mais

A lógica de extermínio perde o véu, está em praça pública. Entrevista especial com Flávia Cêra

por Vitor Necchi, em IHU On-Line

A psicanalista Flávia Cêra identifica uma crise da política representativa que “pegou a esquerda de jeito”. Quanto à direita, observa que eles “suprimem, justamente, a compreensão e o diálogo”. Até oferecem respostas às demandas da sociedade, mas abolindo “um tempo decisivo em que qualquer posicionamento pode ser questionado, colocado em perspectiva”. Pegam, por exemplo, temas que “apareçam como bola da vez (corrupção, privatização e por aí vai) para imediatamente dar uma resposta”. Para Cêra, “onde aparece uma brecha, lá estão eles para dar uma direção”, mas de uma forma que “nos empurra para cada vez mais longe da política”, pois, “suprimindo esse tempo de compreender, suprime-se o aparecimento da alteridade e da complexidade das relações”. (mais…)

Ler Mais