Enfermagem em greve no coração do capitalismo

Como entender a mobilização de 15 mil profissionais durante um mês em Nova York, contra hospitais privados e o regime Trump? Quais as reivindicações? Como se deu a participação do prefeito Zohran Mamdani? Qual a situação atual? Leia entrevista exclusiva

Por Sophia Vieira, Outra Saúde

No dia 12 de janeiro, enfermeiros e enfermeiras das principais redes hospitalares de Nova York entraram em greve. Cerca de 15 mil profissionais aderiram à mobilização liderada pelo sindicato dos enfermeiros da cidade. Em um contexto de repressão a manifestações populares, principalmente pelo governo Trump, a ação se torna um exemplo para o movimento sindical e demonstra que 2026 pode ser um ano promissor de enfrentamento à política neoliberal de precarização da vida na cidade onde se encontra o coração do capitalismo estadunidense. (mais…)

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COP30: quando a Amazônia se torna espelho das contradições do mundo

Conferência expõe os limites da governança climática e aponta a urgência de outro projeto de humanidade

Por Nina Fideles, Brasil de Fato

Belém (PA), no norte do Brasil, torna-se palco simbólico de um mundo em disputa. Às margens do rio Guamá, onde o calor úmido se mistura ao cheiro da floresta e à memória ancestral dos povos originários, realiza-se a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30). O Brasil volta ao centro das negociações internacionais cercado de expectativas, lutas e muitas contradições. (mais…)

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É mais fácil imaginar o fim da floresta do que o fim do capitalismo

Os dados climáticos apresentados nessa COP30 tornaram-se uma enxurrada de informações que Mark Fisher descrevia como estatísticas que nos dessensibilizam em vez de alertar. Mas há alternativa: o socialismo ecológico, substituindo acumulação por reciprocidade e a extração por regeneração. O futuro não será sustentável se não for, antes de tudo, ancestral e pós-capitalista.

Por Bräulio Rodrigues, na Jacobin

Esta inversão perversa do velho ditado de Fredric Jameson define nosso momento climático com precisão obscena. O que é a COP senão a ritualização desta incapacidade? Uma cerimônia onde celebramos nossa própria impotência, vestida com o jargão vazio da sustentabilidade e da economia verde. Tudo pode ser gerido, basta fazer um bunker no meio da Amazônia. (mais…)

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Fortalecendo a intersetorialidade em tempos de emergência climática na luta contra as iniquidades em saúde

Mudanças climáticas, perda de biodiversidade, degradação ambiental, pandemias, resistência aos antimicrobianos, riscos na segurança dos alimentos e insegurança alimentar são faces da mesma crise sistêmica global, profundamente interconectadas com o modelo econômico capitalista dominante. A implementação de estratégias baseadas na abordagem Uma Só Saúde torna-se essencial para enfrentar os desafios contemporâneos de forma mais efetiva, promovendo uma visão sistêmica que integra as dimensões da saúde humana, animal, vegetal e ambiental

Quando a pandemia de COVID-19 nos impactou com consequências catastróficas, ficou ainda mais evidente que nossa abordagem fragmentada da saúde havia falhado sob diversas perspectivas, como na detecção precoce, na adoção de medidas de controle oportunas e na capacidade de resposta ágil e efetiva. Igualmente, na fragilidade da coordenação e compartilhamento de dados, na interrupção de outros serviços essenciais e na disseminação massiva de desinformação. Esta situação reafirmou a urgência da incorporação de uma visão integrada compreendendo saúde humana, animal, vegetal e ambiental, entendendo que neste último deve-se considerar um sistema socioecológico complexo que engloba elementos bióticos e abióticos interconectados, fundamentais para a sustentabilidade da vida e da saúde. Não há “Uma Só Saúde”, também conhecida como “Saúde Única”, sem compreender que a crise sistêmica global, incluindo a relação das mudanças climáticas, degradação ambiental, ameaças na biodiversidade e a ocorrência de emergências de saúde pública, como as epidemias e pandemias, estão profundamente interconectadas com o modelo econômico capitalista. (mais…)

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A luta por tempo livre e o mito do capitalismo justo

Mesmo com o extraordinário avanço tecnológico, nunca se trabalhou tanto – reflexo direto do desmonte de direitos e chantagens patronais que abriram portas para jornadas primitivas. A luta contra a escala 6×1 é apenas a ponta do problema de uma batalha mais ampla

Por Leonardo Lani de Abreu, em Outras Palavras

A liberdade humana é inconcebível sem o tempo, a ponto de se poder afirmar que, na ausência do tempo livre, isto é, o período temporal em que uma pessoa não está obrigada a trabalhar ou a realizar outras atividades impostas, inexiste também a liberdade real. Quem não é dotado de tempo livre tem pouca margem para pensar, criar, estudar, descansar ou participar da vida política. O resultado dessa privação é o surgimento em larga escala de indivíduos autocentrados, intelectualmente embotados, esgotados, ou, numa palavra, infelizes. Esta é a razão por que Marx (2011) identificou a riqueza genuína como o tempo livre dispensado ao alcance da plenitude do desenvolvimento humano, em vez do acúmulo de bens materiais. (mais…)

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As barragens e o capitalismo de desastres. Por Henri Acselrad

Para além da tragédia abrupta, o desastre é um processo contínuo de transferência de custos, onde a “vida ecológica dos rejeitos” expropria o futuro de comunidades inteiras em nome do lucro

Em A Terra é Redonda

1.

Neste mês de novembro de 2025, completam-se dez anos da ocorrência do desastre da Samarco/Vale/BHP em Mariana e na Bacia do Rio Doce. Grande quantidade de estudos alimentou a discussão sobre esta tragédia e aquela que se seguiu, em Brumadinho em 2019, apontadas como expressões de um capitalismo extrativo “de desastre”[i]: após a baixa nos preços das commodities, as empresas haviam buscado ampliar sua produção, apoiando-se no baixo custo operacional proporcionado pela expansão da produção, na precarização das relações de trabalho e no afrouxamento das normas de segurança. (mais…)

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