A natureza que não é. Por Eugênio Bucci

O que chamamos de natureza é, com frequência, apenas o reflexo distorcido de nossa própria ideologia, um espelho que devolve a imagem do capital

Em A Terra é Redonda

1.

Quando você olha para uma árvore, o que vê?

A pergunta, embora soe brincalhona, carrega uma gravidade de todo tamanho. Eu a formulo a propósito da COP30, que se aproxima da agenda global na forma de um rio intermitente, de águas débeis e incertas. Às vezes, esse rio figurado parece fluir: o número de países com presenças confirmadas na Conferência já teria alcançado o quórum exigido pela ONU. (mais…)

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Na Paraíba, agentes populares em saúde debatem soberania alimentar e combate aos agrotóxicos

Discussões resultantes do processo de formação do Programa de Agentes Educadoras e Educadores Populares de Saúde (AgPopSUS), que tem como principal objetivo estimular ações de promoção da saúde.

Por Maria Jardilene*, Brasil de Fato

O programa Agentes Educadores e Educadoras Populares de Saúde (AgPopSUS) é uma iniciativa do Ministério da Saúde (MS), ancorada na Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS-SUS). Criado para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e garantir que comunidades de todo o país tenham voz e protagonismo na defesa do direito à saúde, o programa já formou milhares de agentes em todo o Brasil. (mais…)

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“A crise climática não pode ser resolvida dentro do capitalismo”. Entrevista com Jason Hickel

Figura-chave do ambientalismo e pensador-chave do decrescimento, Jason Hickel visitou Madri para defender a necessidade de retirar o poder da classe capitalista no Congresso como a única maneira possível de salvar o planeta da crise climática

IHU

Jason Hickel (Manzini, Suazilândia, 1982) é um dos grandes teóricos do decrescimento, movimento que visitou o Congresso espanhol na semana passada para refletir sobre como nos distanciamos de um modelo social e econômico baseado no crescimento sem fim, um sistema incompatível com o equilíbrio ecológico do planeta e sua habitabilidade. (mais…)

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Miséria, desespero e suicídio no capitalismo

É somente uma escolha pessoal tirar a própria vida? Quando isso se torna epidêmico, não revelaria um sistema opressor, que impõe o produtivismo e o fetiche da felicidade ao mesmo tempo, gerando um sofrimento coletivo? Haveria aí um recorte de classes?

Por Michel Goulart da Silva*, em Outras Palavras

O suicídio se manifesta como um fenômeno social complexo, como expressão do sofrimento ao qual as pessoas estão submetidas, especialmente em relação à exploração de classe. Leva-se em conta que “[…] o grosso dos homens e mulheres que se suicidam são da classe trabalhadora. Quem se suicida não é um indivíduo abstrato que, na melhor das hipóteses, é homem ou mulher, tem uma certa idade e vive em determinadas condições socioeconômicas. O porquê de ele estar em tais condições é ocultado ou, simplesmente, dado como natural, em vez de explicado”.1
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Com Deus, Abraão e Lázaro; o rico, não. Por Frei Gilvander Moreira

A parábola do rico e de Lázaro (que com maior propriedade deveria ser chamada “a parábola dos seis irmãos ricos”) está no Evangelho de Lucas na seção que vai de Lc 9,51 a 19,27, que é a viagem de Jesus e seus discípulos/as a Jerusalém, e é exclusiva de Lucas, não está nos Evangelhos de Mateus, Marcos e nem de João. Nessa “viagem” teológico-catequética são apresentados os riscos e as exigências do ser cristão. A viagem de Jesus é, portanto, o caminho das comunidades, cujas opções e riscos são os mesmos do mestre galileu. A parábola é, pois, um convite ao discernimento e ao compromisso com o projeto libertador de Jesus Cristo. É uma provocação. É como um “flash” do final da caminhada. A viagem de Jesus culmina em Jerusalém, onde Jesus será condenado à pena de morte pelos poderes político-econômico-religioso, mas ressuscitará vitorioso no terceiro dia. (mais…)

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A morte e a negação do luto na era do capitalismo acelerado e hiperconectado. Por Sérgio Botton Barcellos

Esses dias tive uma orientanda de doutorado que defendeu uma tese sobre a sustentabilidade, educação ambiental e morte. E fiquei pensando algumas situações. Então, me lembrei quando da morte de Belchior, em 2017, estava em João Pessoa, eu senti uma estranheza e uma tristeza profunda. Não sabia explicar. Mas, sentia que alguém importante tinha partido com um legado artístico e que se propôs a questionar o sistema de vida posto, inclusive os modismos. (mais…)

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Saúde do Trabalhador: como responder à uberização?

Precarização das relações laborais e explosão de acidentes e mortes no local de trabalho ocorreram lado a lado no Brasil. Fortalecer os serviços da Renastt é urgente – mas sem revogar a Reforma Trabalhista e outras formas de desregulamentação, pode ser pouco

Por Guilherme Arruda, Outra Saúde

Nos últimos dez anos, o Brasil viveu uma explosão de acidentes e mortes no local de trabalho. Não por coincidência, trata-se de um período em que se disseminaram novas formas de relação laboral no país, que têm como marca a desregulamentação e a redução das proteções a quem trabalha – a exemplo da uberização e a pejotização. Poderão a Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (STT) e seus instrumentos, como os Centros de Referências de Saúde do Trabalhador (Cerest) e a Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Renastt), responder a esse novo e complexo desafio? (mais…)

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