“Os eleitores de Bolsonaro, Salvini e Trump são motivados por paixões tristes”. Entrevista com François Dubet

De onde vem o ódio social? Por que cresce, quando explode e como pode ser detido? Não são perguntas novas, mas certamente aparecem como um sinal de época. Multiplicam-se em centenas de cenas que vão se repetindo ao redor do globo: da violência racial nos Estados Unidos às mobilizações na Hungria, deflagradas pelo próprio primeiro-ministro Viktor Orbán contra a “invasão muçulmana”.

Por Carolina Keve, do Clarín-Revista Ñ, no IHU / Tradução do Cepat

Para o sociólogo François Dubet, ex-diretor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, o fenômeno não pode deixar de ser lido sem levar em conta a crise das instituições, mas também deve ser entendido relacionado ao crescimento da desigualdade. Estamos diante de “O tempo das paixões tristes”. É assim que chama os tempos atuais e este é o título de seu último livro, onde esmiúça um tema que conhece bem, em uma conjuntura que – embora ainda não estivesse atravessado pela pandemia – parece antecipá-la, com um diagnóstico bastante preocupante sobre os possíveis desdobramentos sociais que enfrentaremos. Eis a entrevista.

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Sobre identitarismos, antirracismos e lugares de fala. Por Dennis de Oliveira

No Jornal da USP

Determinados fenômenos ganham mais repercussão em função das diversas análises do que por eles em si. Foi o caso do filme da Beyoncé,  Black is King, produzido pelos estúdios Disney. O filme em si seria mais uma das megaproduções de um dos maiores oligopólios midiáticos se não fosse a repercussão da polêmica gerada pela crítica da professora Lilia Schwartz e as respostas em vários outros artigos, entre eles o de Djamila RibeiroAline RamosAza Njeri (que propõe uma leitura afrocentrada da produção de Beyoncé), entre várias outras. A repercussão continuou com um pedido de “desculpas” da própria Lilia Schwartz em seu Instagram no dia 4 de agosto. E, depois, Maria Rita Kehl volta a colocar o tema em pauta com um artigo intitulado “Lugar de cale-se”.

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“Tempo da Criação” também exige atenção ao racismo ambiental

“Existe uma interseção entre os excluídos e a degradação ambiental como uma questão ligada à vida, pois os pobres e marginalizados do mundo são os mais afetados pelas consequências devastadoras das mudanças climáticas e da poluição”, escreve Daniel P. Horan, frei franciscano e professor da cátedra Duns Scotus de Espiritualidade na Catholic Theological Union, em Chicago, nos EUA, onde leciona Teologia Sistemática e Espiritualidade, em artigo publicado por National Catholic Reporter. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

IHU On-Line

Depois de vários anos de espera por algum tipo de justiça ambiental, surgiram notícias no fim de agosto de que o Estado de Michigan, nos Estados Unidos, deverá pagar mais de 600 milhões de dólares aos residentes da cidade de Flint como parte de um acordo por um caso de negligência e malversação do governo que acabou envenenando milhares de pessoas, principalmente crianças, por meio do abastecimento de água da cidade.

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A desigualdade brasileira posta à mesa

Tradicionais na dieta brasileira, arroz e feijão tiveram queda brusca de consumo em 15 anos. Hoje, os ricos comem muito mais e melhor que todos: 187% mais hortaliças e 303% mais frutas que os 25% mais pobres

Por Maister F. da Silva*, em Outras Palavras

Os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada pelo IBGE e pelo Ministério da Saúde e divulgados no último mês de abril, podem ter passado um tanto desapercebidos, no entanto são reveladores. Especialmente no que se refere ao tipo e quantidade de alimentos adquiridos pelas famílias brasileiras. O arroz, o feijão e a farinha, bases de nossa alimentação cotidiana, tiveram o consumo diminuído consideravelmente. A pesquisa aponta que em 2003 o consumo per capta anual desses alimentos girava em torno de 52 kg, ao passo que em 2018 era de 28 kg.

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Fome, desigualdade e a geografia do Bolsa Família

Quais os estados brasileiros onde quase metade da população depende do programa. Por que, mesmo em regiões “mais ricas”, repasses são cruciais. Tímida, porém pioneira, iniciativa garantiu comida na mesa, mas também justiça espacial

Por Igor Venceslau, na coluna Outras Cartografias, em Outras Palavras

Bolsa Família é um termo que faz parte do debate político e do cotidiano da população brasileira das últimas duas décadas. Não é somente um programa de transferência direta de renda: é a garantia de uma renda mínima para alimentação da população mais pobre. É a responsabilidade, ainda que insuficiente, de uma sociedade que por séculos conviveu com a miséria extrema e com o maior de seus males – a fome, que mereceu um estudo específico no clássico de Josué de Castro, Geografia da Fome (1946).

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A Niterói de Iris e Alessandro desenha o mapa da segregação racial brasileira

Negros ainda não desfrutam completamente dos índices de qualidade de vida que fazem a fama da cidade. Índices de mortes pela polícia, expectativa de vida expõem fosso entre brancos e negros

por Felipe Betim, em El País

A nutricionista Iris Motta, 46, e o jornalista Alessandro Conceição, 37, moram em Niterói, município a 15 quilômetros da capital Rio de Janeiro que ostenta alguns dos melhores indicadores sociais e econômicos de todo o Brasil. Porém, ambos vivem realidades bem diferentes. É fim de tarde e, assim como algumas dezenas de pessoas, Iris se exercita no calçadão da praia de São Francisco, bairro de classe média-alta da cidade. As ruas estão impecavelmente limpas e uma viatura de polícia faz a segurança do local. “Morar aqui é ótimo, me sinto muito segura”, afirma Iris, que é branca e vive no Canal, bairro de classe média. Alguns desses serviços de qualidade até chegam no Complexo de favelas do Viradouro. Mas o cotidiano de Alessandro, que é negro, é cheio de armadilhas. “Em toda minha existência ocupar certos lugares significa sempre gerar muita desconfiança. Eu sei que os olhares vigilantes de policiais viram para mim”, conta. O rapaz vem convivendo desde 19 de agosto com uma nova ocupação da Polícia Militar em seu bairro, apesar de o Supremo Tribunal Federal ter proibido operações policiais nas favelas do Rio durante a pandemia de coronavírus.

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Silvio Almeida: “Quem quer civilizar o Brasil não pode temer o poder. Temos de nos livrar dessa alma de senhor de escravo”

Advogado e filósofo opina que a alternativa ao bolsonarismo precisa ter a vida como valor. Defende que sentença da juíza que cita “raça” para justificar condenação de réu negro deve ser anulada

por Felipe Betim, em El País

Silvio Luiz de Almeida (São Paulo, 1976) é um dos principais pensadores brasileiros da atualidade. Além de filósofo, advogado tributarista e professor universitário, com especializações em Direito Político e Econômico e Teoria Geral do Direito, Almeida estuda as relações raciais no Brasil e publicou, no ano passado, o livro Racismo estrutural (Editora Polén). Em entrevista ao EL PAÍS, opina que o presidente Jair Bolsonaro é um “sintoma da derrota do Brasil”, um país que ficou “apático em torno de 100.000 mortes” pelo novo coronavírus porque “já se acostumou com a morte, principalmente de trabalhadores e de pessoas negras”.

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Saneamento não admite excluídos, dizem pesquisadoras da ENSP

No Informe Ensp

Para as pesquisadoras do Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), Adriana Sotero Martins e Bianca Dieile da Silva e Maria José Salles, em artigo da revista Radis, o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, e o saneamento mostra isso. “Segundo o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), deveríamos alcançar a universalização dos serviços em 2033, mas como diminuíram os investimentos a cada ano e a cada governo, essa projeção foi adiada para 2060, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI).” Confira o artigo!

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Covid-19: mortes expõem iniquidades, fragilidades no distanciamento e importância do SUS

No Informe Ensp

No último dia 8 de agosto, o Brasil superou a triste marca de 100 mil mortes por Covid-19. Diante desse trágico cenário, a Escola Nacional de Saúde Pública Serio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/Fiocruz) solidariza-se com todas as famílias pelas mortes em decorrência dessa catástrofe e também com aquelas cujos entes morreram, provavelmente, pelo mesmo motivo, mas não constaram nas estatísticas nacionais. “A solidariedade da Fiocruz e de seus trabalhadores é um afago para toda a sociedade. Reforçamos esse sentimento para com os familiares da nossa instituição que tiveram essa lamentável perda durante a pandemia do coronavírus”, afirmou o diretor da ENSP, Hermano Castro.

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