Para garantir os direitos humanos constitucionais é preciso, antes de mais nada, derrubar o ‘teto de gastos’. Entrevista especial com Ricardo Gonçalves

“47% da população morava em um domicílio que foi beneficiado pelo Auxílio Emergencial em novembro, sendo que a maioria eram negros (64%)”, diz o economista

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

O retorno da fome e o aumento da insegurança alimentar são as duas novas consequências da crise brasileira. No momento, o percentual de brasileiros desocupados é de 14,2% e o número de pessoas na informalidade é de 40%. “É impossível manter direitos humanos básicos, como moradia e alimentação, sem uma renda familiar mínima”, diz o economista Ricardo Gonçalves, ao comentar a realidade que atinge parte das famílias brasileiras. Segundo ele, sem o Auxílio Emergencial em 2020, “em novembro do ano passado, 30% da população brasileira estaria sobrevivendo abaixo da linha da pobreza, com uma renda familiar per capita menor do que R$ 436 por mês, e 11% abaixo da linha da pobreza extrema, com R$ 151 por mês. Cabe enfatizar que 72% dessas pessoas são negras, 38% mulheres negras e 34% homens negros”.

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“O país da ‘ordem e progresso’ é um país essencialmente aporofóbico”. Entrevista especial com Flavio Comim

A partir do conceito de aporofobia, professor analisa como a nação nega as práticas de inclusão e justiça social, invisibilizando e estigmatizando socialmente a figura do pobre

Por João Vitor Santos, no IHU

Nos idos dos anos 1980, Chico Anysio cria o personagem Justo Veríssimo, o político corrupto que não tem nenhum decoro ao afirmar que tem “horror a pobre”. Parece piada, mas não é. Essa ojeriza de Veríssimo ao pobre – e não à pobreza – parece sempre muito vívida na história do Brasil. O problema, como aponta o professor e economista Flavio Comim, é que isso, embora sempre encarado como piada, não é tomado com a franqueza que o assunto demanda. É por isso que ele usa o conceito de aporofobia para nomear essa marca social que condiciona os mais pobres. “O país da ‘ordem e progresso’ é um país essencialmente aporofóbico, onde ideais de inclusão e justiça social são diariamente negados pelas práticas de seus representantes políticos e instituições”, dispara, embora reconheça que há exceções.

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Fome, estômago e consciência da superexploração

Na rotina de “N” e “V”, duas catadoras de latinhas e mantenedoras de suas famílias, um retrato do trabalho (e das desigualdades) no país. O que há por trás do abismo entre os que consomem e os que sobrevivem à espera de descartes?

Por Roberta Trespadini*, em Outras Palavras

A tontura da fome é pior do que a do álcool. A tontura do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível ter só ar dentro do estômago.
(Carolina Maria de Jesus, Quarto de Despejo)

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Fome no Brasil cresce e supera taxa de quando Bolsa Família foi criado

Insegurança alimentar grave ou moderada atingiu 27,7% da população no final do ano passado, ou 58 milhões de brasileiros, contra 16,8% em 2004. Pandemia acelerou alta da fome registrada desde 2014, aponta pesquisa.

Bruno Lupion, na Deutsche Welle

As consequências sociais e econômicas da pandemia de covid-19 agravaram a fome no Brasil, que já vinha aumentando e superou em 2020 os níveis registrados no início da década passada, quando foi criado o Bolsa Família.

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Pnad e Caged: No auge do desemprego, Brasil enfrenta falhas nas estatísticas do mercado de trabalho que confundem e desorientam

Thais Carrança, BBC News Brasil

Num momento em que o país tem registrado números diários de mortes por covid-19 que ultrapassam 4 mil e diversos Estados e municípios reforçam medidas de distanciamento social, na tentativa de conter a propagação do vírus, as duas principais estatísticas do mercado de trabalho brasileiro apresentam problemas, apontam economistas.

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A fome tem lugar e um deles é o Nordeste, o Semiárido brasileiro

Em live de lançamento da Pesquisa Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia, ASA Brasil defende políticas de convivência com o Semiárido

Por Adriana Amâncio – Asa

O Inquérito sobre Segurança Alimentar no Contexto da Pandemia, produzido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede Penssan), lançado na última quinta-feira, 8, durante uma live no canal da Rede Penssan no Youtube, revela que, no Nordeste, estão concentrados 7,7 milhões das pessoas que passam fome no Brasil. Em números absolutos, a região é a que mais concentra pessoas em situação de fome no país. Esses números dão uma ideia do peso da fome no Semiárido, que corresponde a 72% do território nordestino. No Semiárido, vivem cerca de 22 milhões de habitantes. 

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ONU Mulheres, Cepal e Fundação Friedrich Ebert lançam relatório sobre gênero, mudanças climáticas e sustentabilidade

Por ONU Brasil

A inação frente à emergência climática tem impactado desproporcionalmente mulheres, meninas e corpos feminizados. São elas as mais afetadas pelas mudanças climáticas e a discriminação que ainda sofrem em nível socioeconômico intensifica as consequências do aquecimento global sobre sua alimentação, casa e meios de vida. É neste sentido que ONU Mulheres Brasil, o escritório no Brasil da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e a representação no Brasil da Fundação Friedrich Ebert (FES) lançam o relatório “A dimensão de gênero no Big Push para a Sustentabilidade no Brasil: as mulheres no contexto da transformação social e ecológica da economia brasileira” nesta terça-feira (30/3). O evento será transmitido ao vivo a partir das 14h pelo YouTube da ONU Mulheres Brasil.

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Desinformação, cortes de recursos e negacionismo. A receita trágica da pandemia

Professora Lucia Souto, diretora do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde, afirma que população brasileira é vitima de um governo federal “criminoso e fracassado”

Por Redação RBA

Na avaliação da professora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e presidenta do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES) Lucia Souto, a população brasileira é vitima de um governo federal “criminoso e fracassado”. A falta de coordenação nacional para impor medidas restritivas com o objetivo de conter a pandemia da covid-19 é, segundo a especialista, um dos principais problemas da gestão.

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Boaventura: o Tempo, a pandemia e a desigualdade

Há diferentes maneiras de viver o tempo, durante uma crise civilizatória. Mas há distinções também em como as classes o encaram: em um mundo com futuro nebuloso, uns buscam ultrapassar o tempo – para outros, ele é um carro na contramão…

Por Boaventura de Sousa Santos, em Outras Palavras

As dificuldades em explicar, interpretar ou viver o tempo são diferentes versões da mesma dificuldade em lidar com o enigma do tempo. Esta dificuldade vem de longe. Já Santo Agostinho afirmava, “o que é então o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei. Se alguém me perguntar, eu não sei responder”. O tempo partilha com o corpo esta insondável característica de nada poder ser pensado sem ele e, no entanto, de ser ele próprio relativamente pouco pensado pela reflexão humanística ou científica. O tempo atual impõe-nos o enigma do tempo com uma acuidade que não pode ser ignorada. A pandemia abalou profundamente tanto as rotinas diárias como as expectativas e os planos de futuro e, consequentemente, as percepções do passado. Dizia Aristóteles que a memória era a imaginação mais o tempo. Um tempo turbulento afeta, pois, a imaginação e a memória. Quem é que nos últimos tempos não reavaliou acontecimentos, vivências e convivências passadas, antigas ou recentes? O tema do tempo salta-nos ao caminho quer quando estamos acordados quer quando dormimos e sonhamos. Neste texto, abordo apenas três questões de um tema imenso. Têm todas a ver com a experiência do tempo, o tempo vivido, aquela dimensão que mais interessa ao sociólogo. As relações entre presente, futuro e passado; a direção do tempo irreversível; continuidades e descontinuidades.

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