Retrato vivo da desigualdade social no Brasil

“Quando os ponteiros se juntam no alto do relógio, os fogos de artifício desenham na noite escura um cenário mágico de luzes e cores. Por toda a extensão da praia, a multidão compacta se extasia e aplaude”, escreve Alfredo J. Gonçalves, padre carlista, assessor das Pastorais Sociais e vice-presidente do SPM.

IHU On-Line

A meia-noite bate à porta. Réveillon ou virada de 2019 para 2020. Rios de gente, de todos os cantos, convergem para a orla marítima de CopacabanaRio de Janeiro. Quando os ponteiros se juntam no alto do relógio, os fogos de artifício desenham na noite escura um cenário mágico de luzes e cores. Por toda a extensão da praia, a multidão compacta se extasia e aplaude. Os olhares se enchem com as mais variadas e coloridas fantasias. Promessas, sonhos e esperanças sobem ao céu juntamente com os pequenos balões onde estão escritos os desejos de milhares, milhões de pessoas. Termina um ano, outro se inicia – a vida recomeça.

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Síndrome de Burnout: a precarização se somatiza

Pesquisadores da USP apontam: 20 milhões de trabalhadores brasileiros sofrem depressão e ansiedade relacionados ao trabalho. Mulheres e jovens são os mais afetados. Desemprego, demandas fora do expediente e sistema de metas explicam cenário

Por Raquel Torres, em Outra Saúde

Faz um tempo que a palavra ‘burnout’ começou a circular – a condição, que envolve sintomas de depressão, ansiedade e estresse relacionados diretamente com o trabalho, foi neste ano classificada pela OMS como síndrome. Agora, uma pesquisa da Faculdade de Medicina da USP estimou pela primeira vez quantas pessoas são afetadas no Brasil. E não é pouca gente: 20 milhões. Ou um em cada cinco trabalhadores. Quando se leva em consideração apenas algum dos sinais – mas não o conjunto que indica a ‘queima total’ –, tem-se que quase metade da força de trabalho do país já foi afetada.

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Paraisópolis – Expressão visceral das relações de classe no Brasil. Entrevista especial com Tiaraju D’Andrea

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

O assassinato de nove jovens em Paraisópolis no dia primeiro de dezembro deste ano é resultado da confluência de quatro fatores recorrentes na região: “a histórica violência exercida pelos órgãos repressores do Estado brasileiro contra trabalhadores, negros e moradores de periferias e favelas; o aumento da tensão entre os órgãos repressores do Estado e a favela de Paraisópolis; a criminalização do funk; e o contexto de aumento do autoritarismo no país, que autoriza esse tipo de ação”, diz o sociólogo Tiaraju D’Andrea à IHU On-Line.

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A desigualdade ofusca o tímido avanço da América Latina no desenvolvimento humano

Argentina, Venezuela e Nicarágua registram retrocessos no indicador da ONU. Nos demais, o progresso é escasso, com a desigualdade penalizando sistematicamente

por Ignacio Fariza, em El País

O desenvolvimento humano está avançando na América Latina, embora a uma taxa visivelmente mais baixa do que no restante do mundo e menor do que nas últimas décadas. Todos os países da região, exceto três — Argentina, Venezuela e Nicarágua, economias imersas em crises econômicas e políticas —, melhoraram no ano passado no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH que reúne muitas variáveis em todas as áreas), divulgado nesta segunda-feira pelas Nações Unidas. A desigualdade é especialmente cruel no subcontinente — a região mais desigual do mundo — e aumentou sistematicamente nas medições de praticamente todos os países da região. O IDH é uma fórmula para medir o bem-estar da população muito mais completa que a renda per capita: não se atém aos fatores econômicos e inclui variáveis como expectativa de vida e qualidade da educação.

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Duas vidas do neoliberalismo na América Latina

Nos anos 70, modelo difundiu-se prometendo mais “liberdade”. Desigualdade evidenciou seu fracasso. Mas voltou e, mesmo esgotado, busca perpetuar-se pelo autoritarismo. Chile e Argentina mostram que nova onda pode ter fôlego curto

por Luiz Filgueiras, em Outras Palavras

1- Origem e difusão do neoliberalismo na América Latina

O neoliberalismo ganhou notoriedade, enquanto doutrina/teoria, logo após a Segunda Guerra Mundial, quando Hayek, Mises, Friedman, Stigler e Popper, entre outros, passaram a se reunir na Sociedade de Mont Pèlerin na Suíça (criada em 1947). Concebido em oposição ao socialismo e, mais diretamente, à socialdemocracia então em construção na Europa e ao New Deal nos EUA (Estado de Bem-Estar Social e políticas neokeynesianas), ficou “hibernando” por quase trinta anos. Durante os chamados “anos gloriosos” do capitalismo (e vigência da Guerra Fria), essa ideologia não orientou politicamente as ações do grande capital, então às voltas com a construção de um pacto social que servia de contenção ao “perigo comunista”.

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A supremacia do fiscal sobre o social ignora princípios básicos. Entrevista especial com Pedro Rossi

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

O financiamento das políticas públicas esbarra em um conflito no modo como duas áreas, a economia e os direitos sociais, compreendem que deve ser feito o investimento estatal dos recursos públicos em momentos de crise econômica, como a que o Brasil enfrenta nos últimos cinco anos. De acordo com o economista Pedro Rossi, contradições e conflitos de linguagem marcam a atuação da economia e dos direitos sociais. “A economia tradicional faz uso de uma abordagem positiva para buscar uma alocação eficiente de recursos escassos em que bens e serviços são distribuídos desigualmente. Já os direitos humanos seguem padrões normativos que buscam direitos universais, com equidade no acesso”, diz. Um exemplo prático da divergência entre as duas é visível quando, “para os economistas, uma alocação ótima no mercado imobiliário, por exemplo, pode aceitar a situação em que parte da população esteja sem teto para morar. Já segundo a visão dos direitos humanos, é inaceitável que alguém não possua condições dignas de moradia”, exemplifica.

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‘Quem a polícia defende? De que lado está?’, questiona autor de foto símbolo da desigualdade no Brasil

No início de 2004, o fotógrafo Tuca Vieira, que trabalhava no jornal Folha de S.Paulo, recebeu a tarefa de fotografar alguns pontos da capital paulista para um caderno especial sobre o aniversário de 450 anos da cidade, comemorado em 25 de janeiro

por Leandro Machado, em BBC News Brasil em São Paulo

Um dos locais escolhidos foi o encontro entre Paraisópolis, segunda maior favela do município, e o rico bairro do Morumbi.

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Thomas Piketty: “Proponho um imposto que permita dar 120.000 euros a todo mundo aos 25 anos”

Thomas Piketty (Clichy, 1971) se consagrou há cinco anos como um dos economistas mais influentes de sua geração. Seu livro O Capital no Século XXI contribuiu para colocar as desigualdades de renda e patrimônio no centro do debate na Europa e nos Estados Unidos. Piketty, professor da Escola de Economia de Paris, publica agora na Espanha Capital e Ideologia (ainda sem previsão de lançamento no Brasil). Ao longo de 1.200 páginas que cobrem quase meio milênio e quatro continentes, disseca as ideologias que justificaram as desigualdades. E fixa o foco na propriedade privada: a chave que explica tudo.

por Marc Bassets, em El País / IHU On-Line

Eis a entrevista.

O senhor fala em “superar” o capitalismo e a propriedade privada. Superar é um eufemismo? Por que não aboli-los, diretamente?

Prefiro “superar”. Se disséssemos “abolir” ou “suprimir”, seria meramente negativo. Superar permite mostrar que se trata de um processo e obriga a dizer com qual sistema vamos superá-lo.

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Lençóis, papelões e cobertores puídos

Por Regina Bruno*

Dia desses, caminhando pelas Laranjeiras ouvi um grito: “- Estou com fome! Estou com fome”. Era o vendedor de livros usados, agarrado à grade de ferro do muro da Igreja urrando a sua fome. Seu grito silenciou a buzina dos carros, as sirenes das ambulâncias, a algazarra dos alunos e alunas do Liceu e até mesmo a reza das devotas que às segundas-feiras acendem seus incensos e velas para o anjo da guarda. Se Marx por aqui aportasse certamente não necessitaria ler ‘Os mistérios de Paris’ de Eugene Sue para entender as desventuras de nossa cidade, pensei. Bastaria olhar à sua volta pra vida escancarada de seus habitantes – espelho do país – para descobrir os seus segredos.Ele veria calçadas-dormitório com gentes enfileiradas, rentes uma a outra para proteger-se da morte. Garrafas d’água demarcando espaços e assegurando o lugar de quem momentaneamente precisou sair. O direito a privacidade restrito ao lençol enrolado ao corpo ou à proteção precária de caixas de papelão desmontadas e transformadas em muretas. Avistaria as marquises-dormitório assombrando quem por ali passa mesmo aqueles/as que viram o rosto ou que balbuciam “-Isto não me concerne!” .

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