A supremacia do fiscal sobre o social ignora princípios básicos. Entrevista especial com Pedro Rossi

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

O financiamento das políticas públicas esbarra em um conflito no modo como duas áreas, a economia e os direitos sociais, compreendem que deve ser feito o investimento estatal dos recursos públicos em momentos de crise econômica, como a que o Brasil enfrenta nos últimos cinco anos. De acordo com o economista Pedro Rossi, contradições e conflitos de linguagem marcam a atuação da economia e dos direitos sociais. “A economia tradicional faz uso de uma abordagem positiva para buscar uma alocação eficiente de recursos escassos em que bens e serviços são distribuídos desigualmente. Já os direitos humanos seguem padrões normativos que buscam direitos universais, com equidade no acesso”, diz. Um exemplo prático da divergência entre as duas é visível quando, “para os economistas, uma alocação ótima no mercado imobiliário, por exemplo, pode aceitar a situação em que parte da população esteja sem teto para morar. Já segundo a visão dos direitos humanos, é inaceitável que alguém não possua condições dignas de moradia”, exemplifica.

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‘Quem a polícia defende? De que lado está?’, questiona autor de foto símbolo da desigualdade no Brasil

No início de 2004, o fotógrafo Tuca Vieira, que trabalhava no jornal Folha de S.Paulo, recebeu a tarefa de fotografar alguns pontos da capital paulista para um caderno especial sobre o aniversário de 450 anos da cidade, comemorado em 25 de janeiro

por Leandro Machado, em BBC News Brasil em São Paulo

Um dos locais escolhidos foi o encontro entre Paraisópolis, segunda maior favela do município, e o rico bairro do Morumbi.

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Thomas Piketty: “Proponho um imposto que permita dar 120.000 euros a todo mundo aos 25 anos”

Thomas Piketty (Clichy, 1971) se consagrou há cinco anos como um dos economistas mais influentes de sua geração. Seu livro O Capital no Século XXI contribuiu para colocar as desigualdades de renda e patrimônio no centro do debate na Europa e nos Estados Unidos. Piketty, professor da Escola de Economia de Paris, publica agora na Espanha Capital e Ideologia (ainda sem previsão de lançamento no Brasil). Ao longo de 1.200 páginas que cobrem quase meio milênio e quatro continentes, disseca as ideologias que justificaram as desigualdades. E fixa o foco na propriedade privada: a chave que explica tudo.

por Marc Bassets, em El País / IHU On-Line

Eis a entrevista.

O senhor fala em “superar” o capitalismo e a propriedade privada. Superar é um eufemismo? Por que não aboli-los, diretamente?

Prefiro “superar”. Se disséssemos “abolir” ou “suprimir”, seria meramente negativo. Superar permite mostrar que se trata de um processo e obriga a dizer com qual sistema vamos superá-lo.

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Lençóis, papelões e cobertores puídos

Por Regina Bruno*

Dia desses, caminhando pelas Laranjeiras ouvi um grito: “- Estou com fome! Estou com fome”. Era o vendedor de livros usados, agarrado à grade de ferro do muro da Igreja urrando a sua fome. Seu grito silenciou a buzina dos carros, as sirenes das ambulâncias, a algazarra dos alunos e alunas do Liceu e até mesmo a reza das devotas que às segundas-feiras acendem seus incensos e velas para o anjo da guarda. Se Marx por aqui aportasse certamente não necessitaria ler ‘Os mistérios de Paris’ de Eugene Sue para entender as desventuras de nossa cidade, pensei. Bastaria olhar à sua volta pra vida escancarada de seus habitantes – espelho do país – para descobrir os seus segredos.Ele veria calçadas-dormitório com gentes enfileiradas, rentes uma a outra para proteger-se da morte. Garrafas d’água demarcando espaços e assegurando o lugar de quem momentaneamente precisou sair. O direito a privacidade restrito ao lençol enrolado ao corpo ou à proteção precária de caixas de papelão desmontadas e transformadas em muretas. Avistaria as marquises-dormitório assombrando quem por ali passa mesmo aqueles/as que viram o rosto ou que balbuciam “-Isto não me concerne!” .

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Diferença de salários entre negros e brancos do Brasil é de 73,9%, aponta IBGE

Melhoria de acesso dos negros ao ensino superior ainda não reflete em melhores salários, empregos ou representação política.

por Ana Beatriz Rosa, em HuffPost / IHU On-Line

Pela primeira vez na história, os negros do Brasil são maioria (50,3%) nos espaços de ensino superior público. O maior acesso à educação, no entanto, ainda não é capaz de garantir  melhores  empregosmelhores  salários e nem ao menos mais representação política para essa população.

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Aumento da miséria extrema, informalidade e desigualdade marcam os dois anos da Reforma Trabalhista

Mudanças trabalhistas de Temer, junto a medidas do governo Bolsonaro, acentuam precariedade no mundo do trabalho, analisam professores Ricardo Antunes e Andréia Galvão.

por Liana Coll, em Jornal da Unicamp / IHU On-Line

“A nova legislação criará novas relações trabalhistas adequadas à realidade atual, preparando o mercado para as demandas do presente e exigências do futuro”, dizia, em pronunciamento realizado em 2017, o então presidente Michel Temer, em seguida da aprovação da Reforma Trabalhista. Dois anos após a vigência da Lei 13.467, os recordes de informalidade e desigualdade socioeconômica, além do crescente número de pessoas entrando na extrema pobreza, levantam a questão sobre qual o perfil do futuro trazido pelas mudanças no mundo do trabalho.

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Plano mais Brasil não é um projeto de crescimento, mas de aprofundamento da desigualdade econômica e social. Entrevista especial com Guilherme Delgado

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

O Plano mais Brasil, que sugere três Propostas de Emenda Constitucional – PECs, tem “dois focos amplos e complexos”: alterar as relações fiscais e financeiras da União com os estados e municípios, visando a extinção de  Fundos Públicos, e alterar a legislação tributária e das vinculações constitucionais aos entes federativos para obter recursos para o  pagamento da dívida pública, diz o economista Guilherme Delgado à IHU On-Line.

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Na periferia de São Paulo, morte chega 20 anos mais cedo que em bairros ricos

Na Cidade Tiradentes, na zona leste, idade média ao morrer é de 57 anos; em Moema, distrito com menos moradores negros na cidade, é de 80

Por Bruno Fonseca, em Agência Pública

Quem vive na Cidade Tiradentes, no extremo leste de São Paulo, morre em média 23 anos mais cedo que um morador de Moema, bairro com um dos metros quadrados mais valorizados da capital. Os dados, a que a Agência Pública teve acesso, são parte do Mapa da Desigualdade 2019, publicação da Rede Nossa São Paulo, que compara indicadores dos 96 distritos da capital paulista. As informações são baseadas nos óbitos registrados em 2018, informados pela Secretaria Municipal de Saúde.

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O “Outubro Vermelho” e a esclerose brasileira

IHU On-Line

“Que consequências imediatas se devem esperar, e que lições extrair deste “outubro vermelho”? A primeira e mais contundente é que os latino-americanos não suportam nem aceitam mais viver em sociedades com um nível de desigualdade tão extrema e vergonhosa. A segunda é que o mesmo programa neoliberal que fracassou na década de 90 voltou a fracassar exatamente porque não produz crescimento econômico sustentado e acentua violentamente a precarização, a miséria e a desigualdade que já existem em toda a América Latina“.

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