Piketty: a ‘reforma agrária’ do século XXI

O modelo de propriedade social e temporária de Piketty “é inspirado na reforma agrária reivindicada pelo radical britânico Thomas Paine, um dos referenciais ideológicos da Revolução Americana. Concretamente, cita o trabalho de Paine, Justiça agrária (1795), no qual defendia o estabelecimento de um imposto sucessório para financiar uma renda básica. Um liberalismo igualitário também defendido na França por Maximilien de Robespierre, mas que foi abortado no final do século XVIII em benefício da sacralização da propriedade no século XIX”, escreve Enric Bonet

por Ctxt / IHU On-Line*

Superar o capitalismo por meio da democracia. Pode parecer ousado em uma conjuntura em que são escassas as utopias e são abundantes os relatos apocalípticos. Contudo, esse é o objetivo de Capital et idéologie (Capitalismo e ideologia), o último livro de Thomas Piketty, publicado em francês, em setembro.

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Desigualdade: 1% dos brasileiros ganham 34 vezes mais do que 50% da população

Pesquisa divulgado pelo IBGE mostra aumento da distância entre mais ricos e mais pobres

Redação Brasil de Fato

A remuneração do 1% da população que ganha em média R$ 27.744 por mês – normalmente executivos de grandes empresas – é 34 vezes maior do que o rendimento da metade da população brasileira, os trabalhadores que vivem com a média de R$ 820 mensais.

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Diáspora no divã: Coletivo Negro de Psicologia da Baixada Fluminense luta contra as subjetividades do racismo

por Fabio Leon, em RioOnWatch

Quando abordamos os processos de invisibilização da população negra no país, alguns aspectos se tornam mais evidentes a partir do momento que encaramos o racismo como protagonista nesses processos históricos. Na psicologia não poderia ser diferente. Assim como alguns ofícios nascidos de uma sociedade exclusivista, trata-se de uma carreira que apresenta um grande déficit de profissionais negros.

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Brasil tem maior explosão da desigualdade desde 1960

Pobreza cresceu 10,4% ao ano e desemprego, 20,1% desde 2015. Desigualdade cresce sete vezes mais rápido do que nas crises da ditadura

por Marcio Pochmann, para a RBA 

O Brasil assiste a explosão da desigualdade de renda, jamais identificada desde o ano de 1960, quando o IBGE passou a captar informações acerca do rendimento da população nos censos demográficos. O novo padrão de concentração da renda que emerge dos governos da segunda metade da década de 2010 transcorre de forma inédita, pois combina o decréscimo econômico com a desestruturação do mundo do trabalho e a elevação acelerada da pobreza.

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A desindustrialização brasileira e a desigualdade social. Os 5% mais ricos detêm a mesma fatia de renda que 95% da população. Entrevista especial com Márcio Pochmann

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

A lenta recuperação da economia brasileira indica que o país “passa pela mais grave crise desde a década de 1880” e a renda per capita do ano de 2019 é “quase 9% menor ao do mesmo ano de 2014”, quando iniciou a recessão econômica, diz o economista Márcio Pochmann à IHU On-Line. Apesar de a renda nacional não ter aumentado nos últimos anos, “a riqueza dos já muito ricos segue aumentando, uma vez que o ônus de toda a crise tem sido repassado para a classe trabalhadora. Em 2018, por exemplo, enquanto o PIB teria variado 1,1%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, os ganhos financeiros foram multiplicados por mais de sete vezes”, menciona. E acrescenta: “Neste primeiro ano do governo Bolsonaro, o Brasil fecha a primeira década perdida em termos econômicos do século XXI. Nos últimos 40 anos, o país acumula duas décadas perdidas”.

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O luxo arrasador dos super ricos. Por George Monbiot*

Um voo, em seus jatos, consome o combustível de um ano, numa cidade africana. É preciso cortar seu poder. Um começo: limitar a renda e a riqueza individuais; e defender a frugalidade pessoal, combinada com vida coletiva abundante

No The Guardian| Outras Palavras

Não é exatamente verdade que por trás de cada grande fortuna há um grande crime. Músicos e romancistas, por exemplo, podem tornar-se extremamente ricos oferecendo prazer a outras pessoas. Mas parece ser uma verdade universal de que diante de toda grande fortuna está um grande crime. Riquezas imensas traduzem-se automaticamente em imensos impactos ao meio ambiente, independentemente das intenções daqueles que as possuem. Os muito ricos, quase por definição, estão cometendo ecocídio.

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“As desigualdades são escolhas ideológicas”. Entrevista com Thomas Piketty

A publicação de uma grande obra de Thomas Piketty, Capital et Idéologie, coloca as desigualdades no centro do debate público. La Vie encontrou-se com o economista e refletiu sobre as soluções que empresas, ONGs e a escola podem oferecer.

por Jean-Pierre Denis e Henrik Lindell, em La Vie / IHU On-Line*

Thomas Piketty não se acha superior. Quando recebe La Vie em seu modesto escritório na Escola de Economia de Paris, o pop-star da economia não se superestima. Mas ele poderia. Seu livro anterior, O Capital no século XXI, foi um sucesso estupefaciente após seu lançamento em 2013, a ponto de ser traduzido para 40 idiomas e chegar a 2,5 milhões de leitores. De repente, Piketty tornou-se um dos intelectuais mais importantes do mundo.

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Desprezível

Após a sessão de tortura em um de seus supermercados, a Ricoy escreveu uma nota. Vejam bem: os fios elétricos, transformados em chicote, foram empunhados por outras mãos — mãos terceirizadas, vale destacar

por Priscila Figueiredo*, em Outras Palavras

Em dezembro de 1888, já passada a Abolição, Machado de Assis cismou com a forma como veio a se noticiar a morte de um carrasco de Minas Gerais, o qual teria exercido o “desprezível ofício desde 1835 até 1858”: “Por que carga d’água há de ser desprezível um ofício criado por lei? Foi a lei que decretou a pena de morte, e desde Caim até hoje, para matar alguém é preciso alguém que mate. A bela sociedade estabeleceu a pena de morte para o assassino, em vez de uma razoável compensação pecuniária aos parentes do morto, como queria Maomé. Para executar a pena não se há de ir buscar o escrivão, cujos dedos só se devem tingir no sangue do tinteiro. Usamos empregar outro criminoso” (Bons dias!, 27/12/1888).

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Ele só queria um chocolate

Garoto foi chicoteado ao tentar furtar um doce. Em um país que ainda não se livrou do passado escravocrata, a punição aos negros é brutal — e o Estado muitas vezes não garante o básico. Há resistência, mas violência não pode ser banalizada

por Márcia Acioli*, em Outras Palavras

Saiu na rádio. Um adolescente de 17 anos foi amordaçado, torturado e chicoteado nu em um supermercado pela tentativa, TENTATIVA de roubar um chocolate no Supermercado Ricoy em São Paulo. Não precisou ser anunciado, o adolescente é negro, todos sabíamos.

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Uma teologia como chave para oprimidos resistirem à aspereza da vida. Entrevista especial com Ronilso Pacheco

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

Para compreender as lógicas da Teologia Negra, é preciso compreender as lógicas de opressão e as formas de resistências que se configuram. Por isso, o teólogo Ronilso Pacheco vai conceituá-la como uma forma de resposta da  comunidade negra a toda opressão que sofre, inclusive no aspecto religioso. É uma aproximação da vida cotidiana de quem vive essa opressão, seja na periferia ou mesmo nos locais mais centrais que consegue acessar. “A Teologia Negra não se fecha num mundo espiritualizado e abstrato, mas considera aquilo que marca em especial a história material do povo negro”, pontua, na entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. Para tanto, apoia-se em dois conceitos básicos: “territorialidade” e “corporalidade”.

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