Os riscos da vigilância na pandemia: do controle biopolítico dos corpos à prisão dos estímulos na psicopolítica. Entrevista especial com Rafael Zanatta

Sob o argumento da necessidade de monitoramento do distanciamento social, autoridades passam a defender a emergência de um controle que pode abrir precedentes para vigilância cada vez maior sobre as pessoas

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

Neste cenário de pandemia, está claramente provado que o isolamento social é a melhor forma de frear a propagação da covid-19. No entanto, mesmo em Estados em que se assimila essa perspectiva, a ineficiência em assegurar formas de as pessoas continuarem em casa assume arroubos totalitários de controle. Um deles é o uso de tecnologias a partir da telefonia móvel para vigiar o deslocamento das pessoas.

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Basta de remédios que são novos venenos. Por Gilvander Moreira [1]

Muitas crises estão afetando as pessoas e todos os outros seres vivos que habitam nossa Casa Comum, o planeta Terra. A crise ecológica já acendeu o sinal vermelho há muito tempo. “O mundo está em chamas”, já dizia, ainda no século XVI, Teresa de Jesus, espanhola e freira carmelita, uma das três mulheres consideradas doutoras pela Igreja. O que acontece é que do século XVI para cá, o modo de produção industrial e os estilos de vida impostos pelo modelo capitalista e tecnocrático têm agravado, em progressão geométrica, os problemas socioambientais no Planeta e contribuído para aprofundar a injustiça socioambiental. “Não brinque com fogo”, dizia a mamãe Leontina. Tornou-se urgente interrompermos a espiral de autodestruição da humanidade e de todo o planeta Terra.

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Nunca fomos tão desiguais

Nas respostas à pandemia, afloram as hierarquias brutais do capitalismo financeirizado. Países ricos emitem dinheiro, salvam bancos e dão algum conforto às maiorias. Aos pobres, sem moeda forte, resta resignar-se à miséria e “caridade”

Por Jayati Ghosh*, no Project Syndicate | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Entre as muitas desigualdades reveladas pela pandemia de covid-19, uma das mais chocantes é a diferença dramática nas respostas fiscais dos governos. A atividade econômica entrou em colapso no mundo todo, como resultado das medidas de quarentena para conter o coronavírus. Mas enquanto alguns países desenvolvidos foram capazes de oferecer estímulos ficais em escala inédita, a maior parte das nações não conseguiu.

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Na pandemia, ecos da falsa abolição

Há 132 anos, os negros eram “libertados” — sem terra, direitos ou cidadania. Como esta farsa conduz da senzala à favela; do pelourinho ao “enquadro”; e dos navios negreiros às periferias, onde pretos têm 85% mais riscos de morrer da covid-19

por Coletivo Terra, Raça e Classe do MST

Precisamente em maio, às vésperas de três meses de pandemia e a 132 anos da fatídica “abolição da escravatura” no Brasil, torna-se mais evidente o desastre em curso desencadeado pelo novo coronavírus. Considerando as informações de “raça” e cor é possível ver qual parcela da sociedade mais está morrendo – ou tem mais chances de morrer – devido à pandemia. Os negros e negras somam 43,1% dos hospitalizados, mas representam mais da metade de todos óbitos, 50,1%, contra 47,7% de pessoas brancas de acordo com os dados do Boletim nº 15 da Secretaria de Vigilância do Ministério da Saúde. Do total, 65% das vítimas apresentaram algum tipo de comorbidade associada, tendo destaque as doenças cardiovasculares (3.425 dos óbitos), diabetes (2.660 óbitos), doença renal (621 óbitos), doença neurológica (550 óbitos) e pneumopatia (544 óbitos). 

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Pandemia expõe “necropolítica à brasileira” e uma certa elite que não vê além do umbigo

Para psicanalista Christian Dunker, desigualdade provoca distorção da realidade que atinge parte importante das classes altas

por Heloísa Mendonça, em El País

“O pico da doença [da covid-19] já passou quando a gente analisa a classe média, classe média alta. O desafio é que o Brasil é um país com muita comunidade, muita favela, o que acaba dificultando o processo todo.” A fala de Guilherme Benchimol, presidente da corretora XP, uma importante peça no mercado financeiro brasileiro — e um dos executivos mais engajados no movimento Não Demita, incentivando empresas a manter suas equipes durante a pandemia —, aconteceu durante uma transmissão ao vivo do jornal O Estado de S. Paulo nesta semana e causou uma enxurrada de críticas e revolta nas redes sociais. Ao fatiar a gravidade da pandemia do novo coronavírus entre uma crise de pobres e outra de ricos, o bilionário mostrou a faceta mais caricata da elite brasileira, que se põe à parte frente aos mais de 8.500 mortos em decorrência da doença, o que coloca o país na 6ª posição em número de óbitos.

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Covid-19 e avanço tecnológico. Nasce um outro mundo do trabalho. Entrevistas especiais com Ruy Braga Neto e Rafael Grohmann

Pesquisadores observam como trabalhadores e trabalhadoras se dividem entre os que fazem do lar “a empresa” e os que, excluídos, sequer conseguem gerar renda

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

Sociologicamente, nas análises, costumava-se usar o termo “mundo do trabalho”. Ou seja, é observar os diversos aspectos da vida atravessados pela perspectiva do trabalho. Mas, e quando o trabalho – ou a falta dele – transborda, passa a ser uma espécie de agenciador de todas os aspectos da vida? Nesses tempos de pandemia causada pelo novo coronavírus, muitas pessoas foram jogadas na realidade do home office e o lar passou a ser organizado desde a centralidade do trabalho. As jornadas extrapolam e as demais tarefas e aspectos da vida preenchem os – poucos – espaços que sobram. De outro lado, há quem sequer consegue se manter no trabalho, seja porque foi demitido em decorrência da crise ou porque a exposição a jornadas extenuantes levou ao adoecimento. Nesse contexto, em que a Revolução 4.0 é o outro aspecto a ser levado em conta, o Instituto Humanitas Unisinos – IHU foi ouvir especialistas sobre o atual contexto do mundo do trabalho, na passagem por um 1º de maio nunca visto.

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Tempos modernos? Trabalho das mulheres em pandemia

O tão romantizado “home office”, novo fio invisível da exploração neoliberal, escancara a importância do serviço doméstico. É motor de pulsação do cotidiano. Mas, desvalorizado e sub-remunerado, expõe mais uma desigualdade de gênero

Por SOS Corpo, na coluna Baderna Feminista / Outras Palavras

A forma de desenvolvimento capitalista produziu historicamente uma vida cotidiana em que o tempo social que conta, ou seja, o tempo de trabalho que tem valor, é aquele empregado na produção de mercadoria, gerador de mais-valia. A apropriação do tempo de trabalho é uma dimensão fundante e permanente da organização social capitalista.

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Covid-19, desigualdade social e tragédia no Brasil

Por que o Amazonas e o Ceará estão entre os principais focos da Covid-19 no Brasil? Artigo correlaciona a explosão de casos com os dados de saneamento básico nesses estados, e apresenta novos estudos que demonstram a persistência do coronavírus nas fezes de pessoas infectadas, mesmo as assintomáticas

Por Larissa Mies Bombardi e Pablo Luiz Maia Nepomuceno, no Le Monde Diplomatique Brasil

Uma versão corrente do mito grego de Pandora diz sobre a possibilidade – devastadora – de uma caixa, que trazia as mazelas do mundo, ser aberta. Com a abertura da Caixa de Pandora os males da humanidade sairiam e se apresentariam tal como são na realidade.

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Mulheres negras na dianteira da transição que precisamos

Por Laura Astrolabio dos Santos, na Revista Cult

A avenida Brasil de um Rio de Janeiro de 2020 lembra bastante o futuro distópico que a escritora Octavia Butler descreve em sua ficção científica A parábola do semeador (Morro Branco, 2018). O livro foi escrito na década de 90 do século 20, sendo o primeiro volume do que deveria ter sido uma trilogia, se a autora não tivesse morrido antes de escrever o terceiro.

É o diário da personagem Lauren Oya Olamina, com anotações dos anos 2024, 2025, 2026 e 2027, com um cenário de mundo acabando em meio ao caos social, com muita violência, escassez de água e comida.

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Pandemia da covid-19 deve ampliar ainda mais o abismo da desigualdade. Entrevista especial com Fábio Konder Comparato

Para o professor e pesquisador, a crise atual exigirá, de forma mais intensa, que se construa um novo sistema político que supere dois enormes desafios: organização do poder e a atual mentalidade social

Por: Ricardo Machado, em IHU On-Line

Em um planeta onde 1% da população vive com a metade das riquezas e 3,7 bilhões de pessoas não têm acesso algum a seus bens, é bastante presumível conhecer quem serão os principais afetados pela pandemia mundial de covid-19. Os impactos da estagnação econômica têm data para acabar, ainda que de forma imprecisa e em tempos diferentes em cada região do mundo. As consequências do agravamento das desigualdades, contudo, podem ser bastante mais longas. “Os efeitos econômicos não se limitam à recessão, que pode não durar muito tempo. Além dela, haverá também, sobretudo em nosso país, o crescimento dramático do grau de separação entre ricos e pobres, com a redução demográfica e social da chamada classe média”, pontua o professor e pesquisador Fábio Konder Comparato, em entrevista por e-mail à IHU On-Line.

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