Roteiro para reinventar as cidades brasileiras

Em ano eleitoral, convite incomum: que tal trocar a mera disputa entre candidatos pela reflexão sobre o resgate das metrópoles, atoladas em desigualdade, devastação e democracia corrompida? Em foco, o caso emblemático de São Paulo

Por Ladislau Dowbor*, em Outras Palavras

O presente texto não é um programa ou lista de propostas. Antes constitui uma reflexão sobre o futuro da cidade frente às transformações profundas que vive nossa sociedade. No horizonte complexo que se desenha, com tantas tensões políticas, sociais, econômicas e ambientais, vale a pena tomar um pouco de recuo, buscando inclusive repensar as simplificações ideológicas que nos perseguem. O raciocínio econômico, em particular, é amplamente insuficiente para abarcar os desafios do desenvolvimento.

(mais…)

Ler Mais

A crise da água no Rio de Janeiro é a necropolítica pela torneira

por Juliana Gonçalves, em The Intercept Brasil

A NECROPOLÍTICA NÃO ACONTECE só quando o governador Wilson Witzel diz que é para atirar na cabecinha das pessoas. Ela também está saindo da torneira dos cariocas em forma de água com cor diferente, gosto estranho e cheiro esquisito – bem longe de ser inodora, insípida ou incolor, como aprendemos na escola. A crise da água é mais uma face da política da morte – e o Rio de Janeiro é seu grande laboratório. É mais fácil enxergar a necropolítica em ação quando pensamos em snipers atirando a esmo nas favelas, mas a gestão da morte também acontece quando o estado sucateia um serviço que garante um direito universal: o acesso à água.

(mais…)

Ler Mais

Mulheres pobres trabalham cinco vezes mais que homens em zonas rurais

Elas dedicam 14 horas por dia aos cuidados não remunerados, como buscar água, lenha e cuidar de crianças, aponta relatório da Oxfam para o Fórum Econômico Mundial; dados são globais, mas refletem situação no Brasil, onde os homens são donos de 87,32% das propriedades rurais 

Por Priscilla Arroyo, em De Olho nos Ruralistas

Buscar água do poço ou da nascente, colher lenha, cozinhar, fazer pequenos consertos, cuidar de crianças e idosos. Esses são alguns exemplos de trabalho de cuidado não remunerado, atividade essencial para manter o fluxo de comunidades e até da economia de um país. Trata-se de uma ocupação invisível, desproporcionalmente assumida por mulheres e meninas em situação de pobreza. 

(mais…)

Ler Mais

OIT: insuficiência de empregos remunerados afeta quase meio bilhão de pessoas

Quase meio bilhão de pessoas no mundo trabalham menos horas remuneradas do que gostariam ou não têm suficiente acesso ao trabalho assalariado, segundo o novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

ONU Brasil

O desemprego global permaneceu praticamente estável nos últimos nove anos, mas a desaceleração do crescimento econômico global significa que, embora a força de trabalho global aumente, não estão sendo criados novos empregos suficientes para absorver os que entram no mercado de trabalho.

(mais…)

Ler Mais

“Não há razão para haver tanta miséria. Precisamos construir novos caminhos”. Entrevista especial com Ladislau Dowbor

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

O crescimento das desigualdades no mundo, o agravamento da crise climática, o caos político generalizado e a projeção da Organização das Nações Unidas – ONU de que em 2050 a população mundial chegará a 9,7 bilhões de pessoas exigem uma reorientação do sistema político-econômico global. Na prática, isso significa, entre outras coisas, que é preciso “orientar a economia para o bem-estar das famílias, não para o bem-estar dos mercados que geram mais Wall Street, mais paraísos fiscais e coisas do gênero”, diz o economista Ladislau Dowbor à IHU On-Line.

(mais…)

Ler Mais

Retrato vivo da desigualdade social no Brasil

“Quando os ponteiros se juntam no alto do relógio, os fogos de artifício desenham na noite escura um cenário mágico de luzes e cores. Por toda a extensão da praia, a multidão compacta se extasia e aplaude”, escreve Alfredo J. Gonçalves, padre carlista, assessor das Pastorais Sociais e vice-presidente do SPM.

IHU On-Line

A meia-noite bate à porta. Réveillon ou virada de 2019 para 2020. Rios de gente, de todos os cantos, convergem para a orla marítima de CopacabanaRio de Janeiro. Quando os ponteiros se juntam no alto do relógio, os fogos de artifício desenham na noite escura um cenário mágico de luzes e cores. Por toda a extensão da praia, a multidão compacta se extasia e aplaude. Os olhares se enchem com as mais variadas e coloridas fantasias. Promessas, sonhos e esperanças sobem ao céu juntamente com os pequenos balões onde estão escritos os desejos de milhares, milhões de pessoas. Termina um ano, outro se inicia – a vida recomeça.

(mais…)

Ler Mais

Síndrome de Burnout: a precarização se somatiza

Pesquisadores da USP apontam: 20 milhões de trabalhadores brasileiros sofrem depressão e ansiedade relacionados ao trabalho. Mulheres e jovens são os mais afetados. Desemprego, demandas fora do expediente e sistema de metas explicam cenário

Por Raquel Torres, em Outra Saúde

Faz um tempo que a palavra ‘burnout’ começou a circular – a condição, que envolve sintomas de depressão, ansiedade e estresse relacionados diretamente com o trabalho, foi neste ano classificada pela OMS como síndrome. Agora, uma pesquisa da Faculdade de Medicina da USP estimou pela primeira vez quantas pessoas são afetadas no Brasil. E não é pouca gente: 20 milhões. Ou um em cada cinco trabalhadores. Quando se leva em consideração apenas algum dos sinais – mas não o conjunto que indica a ‘queima total’ –, tem-se que quase metade da força de trabalho do país já foi afetada.

(mais…)

Ler Mais

Paraisópolis – Expressão visceral das relações de classe no Brasil. Entrevista especial com Tiaraju D’Andrea

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

O assassinato de nove jovens em Paraisópolis no dia primeiro de dezembro deste ano é resultado da confluência de quatro fatores recorrentes na região: “a histórica violência exercida pelos órgãos repressores do Estado brasileiro contra trabalhadores, negros e moradores de periferias e favelas; o aumento da tensão entre os órgãos repressores do Estado e a favela de Paraisópolis; a criminalização do funk; e o contexto de aumento do autoritarismo no país, que autoriza esse tipo de ação”, diz o sociólogo Tiaraju D’Andrea à IHU On-Line.

(mais…)

Ler Mais

A desigualdade ofusca o tímido avanço da América Latina no desenvolvimento humano

Argentina, Venezuela e Nicarágua registram retrocessos no indicador da ONU. Nos demais, o progresso é escasso, com a desigualdade penalizando sistematicamente

por Ignacio Fariza, em El País

O desenvolvimento humano está avançando na América Latina, embora a uma taxa visivelmente mais baixa do que no restante do mundo e menor do que nas últimas décadas. Todos os países da região, exceto três — Argentina, Venezuela e Nicarágua, economias imersas em crises econômicas e políticas —, melhoraram no ano passado no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH que reúne muitas variáveis em todas as áreas), divulgado nesta segunda-feira pelas Nações Unidas. A desigualdade é especialmente cruel no subcontinente — a região mais desigual do mundo — e aumentou sistematicamente nas medições de praticamente todos os países da região. O IDH é uma fórmula para medir o bem-estar da população muito mais completa que a renda per capita: não se atém aos fatores econômicos e inclui variáveis como expectativa de vida e qualidade da educação.

(mais…)

Ler Mais

Duas vidas do neoliberalismo na América Latina

Nos anos 70, modelo difundiu-se prometendo mais “liberdade”. Desigualdade evidenciou seu fracasso. Mas voltou e, mesmo esgotado, busca perpetuar-se pelo autoritarismo. Chile e Argentina mostram que nova onda pode ter fôlego curto

por Luiz Filgueiras, em Outras Palavras

1- Origem e difusão do neoliberalismo na América Latina

O neoliberalismo ganhou notoriedade, enquanto doutrina/teoria, logo após a Segunda Guerra Mundial, quando Hayek, Mises, Friedman, Stigler e Popper, entre outros, passaram a se reunir na Sociedade de Mont Pèlerin na Suíça (criada em 1947). Concebido em oposição ao socialismo e, mais diretamente, à socialdemocracia então em construção na Europa e ao New Deal nos EUA (Estado de Bem-Estar Social e políticas neokeynesianas), ficou “hibernando” por quase trinta anos. Durante os chamados “anos gloriosos” do capitalismo (e vigência da Guerra Fria), essa ideologia não orientou politicamente as ações do grande capital, então às voltas com a construção de um pacto social que servia de contenção ao “perigo comunista”.

(mais…)

Ler Mais