Clóvis Moura, intérprete do Brasil antirracista

Intelectual negro fez uma análise original do escravismo e da luta de classes no país. A partir da história vista de baixo, desvelou o horror colonial e as potentes (e ignoradas) rebeliões dos subalternizados: negros, indígenas e quilombolas

Por Gabriel dos Santos Rocha, no Geledés

As ciências humanas brasileiras nos fornecem uma gama de intérpretes do Brasil, de diferentes épocas e de distintas tendências teóricas e políticas. Trata-se de autores e autoras vinculados aos variados campos do conhecimento, que dedicaram suas obras ao desvendamento e à análise aprofundada dos fundamentos de nossa formação histórica, social, econômica, cultural e política. (mais…)

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A Mulher da Casa Abandonada: estamos falando sobre o que realmente importa?

Repercussão sensacionalista deixa debate sobre escravidão moderna e racismo crônico da elite brasileira em segundo plano

por Nara Lacerda, em Brasil de Fato

herdeira paulistana Margarida Bonetti está em evidência, mas menos por causa do crime de escravidão pelo qual foi acusada nos Estados Unidos no final do século 20. Investigada pelo FBI por submeter uma mulher à servidão, nos últimos anos ela viveu foragida, em anonimato, em uma velha mansão do bairro de Higienópolis, um dos mais caros da capital São Paulo.  

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Escravidão desracializada. Por Marcio Pochmann

No Terapia Política

O Brasil experimenta atualmente a sua terceira fase da escravidão denominada moderna. Ressalta-se, contudo, que não se trata de um acontecimento exclusivamente nacional, pois difundido pelo capitalismo informacional que reconfigura o mundo em dois grandes blocos de países e regiões.

De um lado, os países produtores e exportadores de bens e serviços digitais e, de outro, os demais países passivamente importadores dos mesmos bens e serviços digitais. Pela nova Era Digital, a organização da produção e distribuição da economia tem sido operada pela expansão dos algoritmos geridos por grandes corporações transnacionais, sejam do ocidente, sejam do oriente.

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Pochmann: É necessária nova abolição

No século XIX, os homens mais ricos do Brasil eram traficantes de escravos. Economia chafurdava na infâmia e no atraso, mas alguns faziam fortuna. Rentismo ocupa hoje o mesmo lugar. País precisa asfixiá-lo, para voltar a ter esperança

por Marcio Pochmann, em Outras Palavras

No século XIX, o perfil dos principais ricos no Brasil estava associado ao tráfico negreiro. Os casos de José Francisco dos Santos (Zé Alfaiate), Joaquim Pereira Marinho e Joaquim Ferreira dos Santos exemplificavam o quanto o comércio escravista era altamente lucrativo, permitindo que figurassem na cúpula da riqueza do Brasil imperial (1822-1889).

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A Conjuração Baiana, entre a corda e o cordel

Anticolonial e antiescravista, movimento rebelde de 1798 inspirou-se na luta libertadora no Haiti e teve negros como líderes. Talvez por isso, História oficial esqueceu-se dele. Econjuro!, de Luís Pimentel, mescla teatro e poesia para resgatá-lo

Por Daniel Brazil, em A Terra é Redonda

Poucos brasileiros conhecem com alguma profundidade a Conjuração Baiana, que leva o poético (e algo depreciativo) nome de Revolta dos Alfaiates, devido à grande participação de artesãos, pequenos comerciantes, sapateiros e alfaiates. Para os íntimos era a Revolta dos Búzios, um código de identificação dos participantes, que levavam um pequeno búzio amarrado no pulso.

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Abecê do racismo

Polêmica envolvendo o livro infantil “Abecê da Liberdade” evidencia como o racismo atravessa o cotidiano brasileiro, sendo ensinado para nossas crianças de modo perverso e naturalizado.

Por Ynaê Lopes dos Santos, Deutsche Welle

O universo infantil é um mundo à parte. Um mundo que foi construído ao longo da experiência humana. E, justamente por isso, é um mundo do qual temos que cuidar para que possa ser vivido em toda a sua extensão, intensidade e pulsão. 

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Brasil, colônia de superexploração? Por Gilvander Moreira*

Brasil, nação emancipada ou colônia de superexploração? Celebrar o Dia da Pátria, 7 de setembro de 2021? Como? Por que e para que o 27º Grito dos Excluídos e das Excluídas? Muitos se referem ao Brasil como nação brasileira. Cumpre recordar que ‘nação’ é uma invenção recente, por volta de 1830. A palavra “nação”, do verbo latino nascor, significa nascer e advém do substantivo derivado desse verbo natio ou nação, que significa “parto de uma ninhada”. No final da Antiguidade e aurora da Idade Média, a Igreja passou a usar o plural nationes (nações) para se referir aos pagãos, separando-os do populus Dei, o “povo de Deus”. Em Portugal, os judeus que se refugiavam na Península Ibérica eram chamados de “homens da nação”. No Brasil, os navegantes e os colonizadores se referiam aos indígenas como “nações indígenas”, os “sem fé, sem rei e sem lei” (Cf. CHAUI, 2000, p. 14). Menos recente do que a categoria ‘nação’ são os termos ‘povo’ e ‘pátria’, palavra originada do latim pater, pai. Mas não pai no sentido de genitor de seus filhos, mas de uma figura jurídica do antigo direito romano. “Pater é o senhor, o chefe, que tem a propriedade privada absoluta e incondicional da terra e de tudo o que nela existe, isto é, plantações, gado, edifícios (“pai” é o dono do patrimonium), e o senhor, cuja vontade pessoal é lei, tendo o poder de vida e morte sobre todos os que formam seu domínio (casa, em latim, se diz domus, e o poder do pai sobre a casa é o dominium), e os que estão sob seu domínio formam a família (mulher, filhos, parentes, clientes e escravos)” (CHAUI, 2000, p. 15).

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