Podcast: “Isso aqui é osso de gente”

Acompanhe o primeiro episódio do podcast Histórias Que Ninguém Te Conta. Mergulhe com nossas repórteres no passado da escravidão e conheça os fantasmas da antiga área do Porto do Rio de Janeiro

Por Mariana Simões, Gabriele Roza, Agência Pública

Nos últimos meses, as repórteres da Agência Pública mergulharam na Zona Portuária do Rio de Janeiro para desvendar histórias pouco conhecidas sobre o passado do Rio e do Brasil.

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19 de março: 170 anos da Revolta do Queimado – Espírito Santo

Há 170 anos acontecia a Revolta do Queimado, também conhecida como Insurreição do Queimado, no Espírito Santo, considerada por muitos historiadores como uma das principais ações contrárias ao sistema escravocrata do país naquela época. Conheça agora o que foi esse marco histórico

Por Marina Souza, Carta Capital / CPT

“Um fato histórico de tamanha importância devia ser tomado como bandeira de orgulho, conteúdo turístico amplamente divulgado, mas a gente é preto”, são as palavras de Priscila Gama, presidenta do Instituto Das Pretas.

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Escravidão: autobiografia rara em árabe conta história de intelectual muçulmano capturado na África e vendido como escravo nos EUA

por Alessandra Corrêa, de Winston-Salem (EUA) para a BBC News Brasil

Omar Ibn Said era um intelectual muçulmano de família rica que vivia na África Ocidental quando, no início do Século 19, a região onde morava foi invadida por um exército inimigo que matou grande parte da população. Ibn Said sobreviveu, mas foi capturado, vendido como escravo e transportado em um navio negreiro aos Estados Unidos, onde morreu em 1863, com mais de 90 anos, em meio à Guerra Civil que levaria à abolição da escravidão.

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Escrevi um quadrinho sobre racismo e Rui Barbosa e o mundo caiu na minha cabeça

por Alê Santos, em The Intercpt Brasil

HÁ ALGUMAS SEMANAS, eu escrevi o roteiro de um quadrinho desenhado pelo Estevão Ribeiro e o mundo caiu sobre minha cabeça. A personagem do Estevão, a Rê Tinta, conduziu uma conversa sobre a incineração de documentos relativos à escravidão brasileira. Sob as ordens do então ministro da Fazenda, Rui Barbosa, fogueiras foram acesas pelo menos no Rio de Janeiro e na Bahia para queimar e destruir milhares de papéis sobre importação de escravos. E, com eles, nossa história.

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Brasil, 1822: Um País Parido pela Escravidão

“A in­de­pen­dência  do Brasil foi a mais con­ser­va­dora das Amé­ricas. Os grandes proprietários escravistas das diversas províncias luso-brasileiras rom­peram com o Es­tado e o ab­so­lu­tismo por­tu­guês e en­tro­ni­zavam o au­to­ri­tário her­deiro do reino lu­si­tano”, escreve Mário Maestri, historiador

IHU On-Line

Auriverde pendão de minha terra, 
Que a brisa do Brasil beija e balança, 
[…] Antes te houvessem roto na batalha, 
Que servires a um povo de mortalha!…

Navio Negreiro, Casto Alves (mais…)

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A nova escravidão

Elaine Tavares – Palavras Insurgentes

Sempre que se fala em escravidão, vem à mente a cena do negro, acorrentado, vindo para a América nos navios negreiros do século 17 e 18. Naqueles dias, durante o processo de invasão e dominação dos territórios africanos e americanos, esse era o grande negócio. Usar as pessoas como mão de obra barata para a acumulação de riqueza. Portugal e Espanha desbravaram os novos espaços, destruíram as comunidades existentes e implantaram o saque. A Inglaterra dominou a rota e o mercado do tráfico. Tudo era uma grande operação comercial destinada a enriquecer uns poucos. Esse longo processo foi o responsável pela dizimação dos povos originários no chamado “novo mundo”, nossa Abya Yala, e pela desagregação comunitária nos espaços do continente africano. E foi essa movimentação de conquista de território e escravidão que deu força ao sistema capitalista. A tal da revolução industrial, tão decantada pelos ingleses, nunca teria existido se não fosse esse quadro de exploração, dor e miséria. Para que a Europa se fizesse rica, a América e a África tiveram de ser destruídas. (mais…)

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Navios portugueses e brasileiros fizeram mais de 9 mil viagens com escravos da África para o Brasil

Por Amanda Rossi, da BBC News Brasil

O Brasil ainda não estava no mapa do mundo quando, em 1482, uma dúzia de embarcações portuguesas aportou no oeste da África com uma missão dada pelo rei dom João 2º: construir uma fortaleza militar para defender os interesses econômicos de Portugal na região. Os porões dos navios estavam carregados de material de construção e havia na tripulação dezenas de pedreiros e carpinteiros. Era uma empreitada pioneira, já que nenhuma outra nação europeia havia feito nada semelhante. (mais…)

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A luta (e a criação) anti-racista vão ao cinema

“O nó do diabo” recria a escravidão e suas sequelas em diferentes momentos históricos. Em “Auto de Resistência”, cinco casos de matança de inocentes disfarçadas de confronto no Rio de Janeiro

Por José Geraldo Couto*, em Outras Palavras

Sob qualquer ponto de vista, o traço essencial de nossa formação como sociedade, nosso pecado original, nosso trauma não resolvido, é sem dúvida a escravidão, que imperou oficialmente entre nós por mais de trezentos anos e deixou marcas profundas. Dois filmes em cartaz, um de ficção e um documentário, investigam com brio e vigor essa infâmia histórica e seu legado de segregação e violência nos dias de hoje. (mais…)

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Achille Mbembe: O devir-negro do mundo

Reviravolta: no instante em que o capitalismo quer reduzir-nos todos a coisa e mercadoria, o negro tornou-se símbolo do oposto: desejo consciente de vida, força engajada no ato de criação

Por Achille Mbembe | Tradução: Sebastião Nascimento, em Outras Palavras

Queríamos escrever este livro* à semelhança de um rio com múltiplos afluentes, neste preciso momento em que a História e as coisas se voltam para nós, e em que a Europa deixou de ser o centro de gravidade do mundo. Efetivamente, esse é o grande acontecimento ou, melhor diríamos, a experiência fundamental da nossa época. Em se tratando, porém, de medir as implicações e avaliar todas as consequências dessa reviravolta, estamos ainda nos primeiros passos.De resto, se tal revelação nos é graciosamente concedida, se ela suscita perplexidade ou se, em vez disso, mergulha-nos num tormento, uma coisa é certa: esse desmantelamento, também ele carregado de perigos, abre novas possibilidades para o pensamento crítico, e isso é parte do que tentaremos examinar neste ensaio. (mais…)

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A Abolição veio, mas não libertou e nem democratizou o país

Neste 13 de maio só a continuidade da luta e da rebeldia são plausíveis, não há comemorações, pois o Estado continua assumindo o papel repressivo do senhor de engenho

Por Raumi Joaquim de Souza*, na Página do MST

A Lei Áurea, sancionada em maio de 1988, não aboliu somente a escravatura, mas também a esperança de ser livre. Mas, como já diria o ditado: “a esperança é a última que morre”. E neste 13 de maio completou 130 anos de uma abolição inacabada e o povo negro prossegue ainda explorado construindo sua história e edificando a preço de sangue e suor a sonhada liberdade. Decretou-se abolição, mas no sentido político e social não se resolveu o problema da desigualdade social e racial, pelo contrário, intensificou e institucionalizou o racismo. (mais…)

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