Desprezível

Após a sessão de tortura em um de seus supermercados, a Ricoy escreveu uma nota. Vejam bem: os fios elétricos, transformados em chicote, foram empunhados por outras mãos — mãos terceirizadas, vale destacar

por Priscila Figueiredo*, em Outras Palavras

Em dezembro de 1888, já passada a Abolição, Machado de Assis cismou com a forma como veio a se noticiar a morte de um carrasco de Minas Gerais, o qual teria exercido o “desprezível ofício desde 1835 até 1858”: “Por que carga d’água há de ser desprezível um ofício criado por lei? Foi a lei que decretou a pena de morte, e desde Caim até hoje, para matar alguém é preciso alguém que mate. A bela sociedade estabeleceu a pena de morte para o assassino, em vez de uma razoável compensação pecuniária aos parentes do morto, como queria Maomé. Para executar a pena não se há de ir buscar o escrivão, cujos dedos só se devem tingir no sangue do tinteiro. Usamos empregar outro criminoso” (Bons dias!, 27/12/1888).

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Ele só queria um chocolate

Garoto foi chicoteado ao tentar furtar um doce. Em um país que ainda não se livrou do passado escravocrata, a punição aos negros é brutal — e o Estado muitas vezes não garante o básico. Há resistência, mas violência não pode ser banalizada

por Márcia Acioli*, em Outras Palavras

Saiu na rádio. Um adolescente de 17 anos foi amordaçado, torturado e chicoteado nu em um supermercado pela tentativa, TENTATIVA de roubar um chocolate no Supermercado Ricoy em São Paulo. Não precisou ser anunciado, o adolescente é negro, todos sabíamos.

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Para compreender a “Améfrica” e o “pretuguês”

Em texto de 1980, mas surpreendentemente atual, historiadora expõe contradição central na vida brasileira: mulheres negras são reduzidas a “mulatas, domésticas ou mães pretas”; mas sua presença deu forma e sentido ao país

por Lélia Gonzalez, em Outras Palavras

Artigo apresentado na Reunião do Grupo de Trabalho “Temas e Problemas da População Negra no Brasil”, no IV Encontro Anual da Associação Brasileira de Pós-graduação e Pesquisa nas Ciências Sociais, no Rio de Janeiro, em 31 de outubro de 1980. Título original: “Racismo e sexismo na cultura brasileira”

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Podcast: “Isso aqui é osso de gente”

Acompanhe o primeiro episódio do podcast Histórias Que Ninguém Te Conta. Mergulhe com nossas repórteres no passado da escravidão e conheça os fantasmas da antiga área do Porto do Rio de Janeiro

Por Mariana Simões, Gabriele Roza, Agência Pública

Nos últimos meses, as repórteres da Agência Pública mergulharam na Zona Portuária do Rio de Janeiro para desvendar histórias pouco conhecidas sobre o passado do Rio e do Brasil.

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19 de março: 170 anos da Revolta do Queimado – Espírito Santo

Há 170 anos acontecia a Revolta do Queimado, também conhecida como Insurreição do Queimado, no Espírito Santo, considerada por muitos historiadores como uma das principais ações contrárias ao sistema escravocrata do país naquela época. Conheça agora o que foi esse marco histórico

Por Marina Souza, Carta Capital / CPT

“Um fato histórico de tamanha importância devia ser tomado como bandeira de orgulho, conteúdo turístico amplamente divulgado, mas a gente é preto”, são as palavras de Priscila Gama, presidenta do Instituto Das Pretas.

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Escravidão: autobiografia rara em árabe conta história de intelectual muçulmano capturado na África e vendido como escravo nos EUA

por Alessandra Corrêa, de Winston-Salem (EUA) para a BBC News Brasil

Omar Ibn Said era um intelectual muçulmano de família rica que vivia na África Ocidental quando, no início do Século 19, a região onde morava foi invadida por um exército inimigo que matou grande parte da população. Ibn Said sobreviveu, mas foi capturado, vendido como escravo e transportado em um navio negreiro aos Estados Unidos, onde morreu em 1863, com mais de 90 anos, em meio à Guerra Civil que levaria à abolição da escravidão.

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Escrevi um quadrinho sobre racismo e Rui Barbosa e o mundo caiu na minha cabeça

por Alê Santos, em The Intercpt Brasil

HÁ ALGUMAS SEMANAS, eu escrevi o roteiro de um quadrinho desenhado pelo Estevão Ribeiro e o mundo caiu sobre minha cabeça. A personagem do Estevão, a Rê Tinta, conduziu uma conversa sobre a incineração de documentos relativos à escravidão brasileira. Sob as ordens do então ministro da Fazenda, Rui Barbosa, fogueiras foram acesas pelo menos no Rio de Janeiro e na Bahia para queimar e destruir milhares de papéis sobre importação de escravos. E, com eles, nossa história.

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Brasil, 1822: Um País Parido pela Escravidão

“A in­de­pen­dência  do Brasil foi a mais con­ser­va­dora das Amé­ricas. Os grandes proprietários escravistas das diversas províncias luso-brasileiras rom­peram com o Es­tado e o ab­so­lu­tismo por­tu­guês e en­tro­ni­zavam o au­to­ri­tário her­deiro do reino lu­si­tano”, escreve Mário Maestri, historiador

IHU On-Line

Auriverde pendão de minha terra, 
Que a brisa do Brasil beija e balança, 
[…] Antes te houvessem roto na batalha, 
Que servires a um povo de mortalha!…

Navio Negreiro, Casto Alves (mais…)

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A nova escravidão

Elaine Tavares – Palavras Insurgentes

Sempre que se fala em escravidão, vem à mente a cena do negro, acorrentado, vindo para a América nos navios negreiros do século 17 e 18. Naqueles dias, durante o processo de invasão e dominação dos territórios africanos e americanos, esse era o grande negócio. Usar as pessoas como mão de obra barata para a acumulação de riqueza. Portugal e Espanha desbravaram os novos espaços, destruíram as comunidades existentes e implantaram o saque. A Inglaterra dominou a rota e o mercado do tráfico. Tudo era uma grande operação comercial destinada a enriquecer uns poucos. Esse longo processo foi o responsável pela dizimação dos povos originários no chamado “novo mundo”, nossa Abya Yala, e pela desagregação comunitária nos espaços do continente africano. E foi essa movimentação de conquista de território e escravidão que deu força ao sistema capitalista. A tal da revolução industrial, tão decantada pelos ingleses, nunca teria existido se não fosse esse quadro de exploração, dor e miséria. Para que a Europa se fizesse rica, a América e a África tiveram de ser destruídas. (mais…)

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Navios portugueses e brasileiros fizeram mais de 9 mil viagens com escravos da África para o Brasil

Por Amanda Rossi, da BBC News Brasil

O Brasil ainda não estava no mapa do mundo quando, em 1482, uma dúzia de embarcações portuguesas aportou no oeste da África com uma missão dada pelo rei dom João 2º: construir uma fortaleza militar para defender os interesses econômicos de Portugal na região. Os porões dos navios estavam carregados de material de construção e havia na tripulação dezenas de pedreiros e carpinteiros. Era uma empreitada pioneira, já que nenhuma outra nação europeia havia feito nada semelhante. (mais…)

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