A complexa trama entre milícia e Estado e a violência no Rio de Janeiro. Entrevista especial com José Claudio de Souza Alves

Sociólogo analisa o terror espalhado no território carioca nesta semana mergulhando nas questões de fundo que sustentam esta última explosão de violência

Por: João Vitor Santos | Colaboração: Patricia Fachin, em IHU

A cidade do Rio de Janeiro, mais diretamente, e o Brasil começam a semana com a respiração trancada pelo medo. Ônibus explodiam na zona oeste da cidade e uma onda de terror tomava conta das pessoas. Imediatamente, análises e mais análises pipocam com suas interpretações para esta que foi uma resposta ao assassinato de um miliciano durante operação policiais. Segundo o José Claudio de Souza Alves, para compreender o que o Rio passou na última segunda-feira, é preciso olhar para uma obscura trama entre as milícias, outras formas de crime organizado e a estrutura de Estado. “Essas manifestações milicianas partem de uma ruptura com uma prática que existia anteriormente. É possível constatar isso quando analisamos a operação da PRF e da Polícia Civil em conjunto, em outubro de 2020”, aponta. (mais…)

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Milícias avançam sobre geração solar no Rio de Janeiro

Depois do gás, da internet e da TV por assinatura, milicianos cobram mensalidades de empresas do segmento solar e exigem contratação de serviços com eles.

ClimaInfo

Os tentáculos do crime organizado dominado pelas milícias no Rio de Janeiro agora avançam sobre a energia solar. Um representante da ABSOLAR, que preferiu não ter o nome divulgado por segurança, disse que, à medida que o setor cresce, mais relatos de problemas com milícias têm chegado ao conhecimento da associação. (mais…)

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Milícias e Estado: “Como não se quer confronto, silencia-se. Mata-se. Fica por isso mesmo. A conjuntura vai sendo manipulada” (José Cláudio Alves)

“Não dá para dizer que a esquerda e a direita são iguais. Mas o que elas alteram em si, de fato, nas estruturas de poder? Estão alterando algo de fato ou são maquiagens e dimensões limitadas para nos fazer acreditar em uma segurança, proteção ou direito que nunca tivemos e nunca iremos ter?”

Por: João Vitor Santos e Patricia Fachin, em IHU

A violência que perpassa todas as esferas da vida social brasileira “nasce de um projeto colonizador que se perpetua, nunca foi alterado, se mantém, se aprofunda e foi calcado, desde o começo, na violência”, resume José Cláudio Alves na entrevista a seguir concedida via Teams ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. “Ou seja, vive-se uma realidade política na qual o Estado, que vem de Lula, passa por Bolsonaro e volta a Lula – pouco importa – mantém uma estrutura de funcionamento extremamente violenta, desigual e que não consegue incorporar as massas populares que nunca foram incorporadas à sociedade. Desde a ditadura esses grupos sociais continuam buscando sobreviver – sabe-se lá como – com políticas compensatórias, com todo tipo de bolsas, que não resolvem a estrutura de vida deles, enquanto a estrutura do crime organizado resolve”, observa. (mais…)

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Como as milícias rurais dominaram Rondônia e quem é o homem por trás da mais poderosa delas

Violência brutal contra camponeses remonta à ditadura militar, mas recrudesceu com extrema direita na presidência

por Murilo Pajolla, em Brasil de Fato
De um lado, 16 mil famílias de trabalhadores e sem-terra, organizados em luta pela reforma agrária há três décadas. De outro, uma milícia rural formada por jagunços e policiais, com orçamento de R$ 450 milhões e sob o comando do maior grileiro de terras públicas da história da região.

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Jair Bolsonaro e filhos condecoraram ao menos 16 PMs ligados ao crime organizado

O crime de homicídio está entre os mais comuns praticados pelos homenageados, sugerindo que operações violentas eram critério para se aproximar dos Bolsonaro e ganhar medalha

Por Redação RBA

O presidente Jair Bolsonaro (PL) e dois de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o vereador pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos), condecoraram ao menos 16 policiais militares ligados ao crime organizado, conforme denúncias do Ministério Público do Rio de Janeiro. Entre eles, Adriano Nóbrega, o major Ronald Pereira e, mais recentemente, o delegado e ex-chefe da Polícia Civil Allan Turnowski, envolvidos em oito das mais importantes operações de combate ao crime organizado no Rio, no período de 2006 e 2022. (mais…)

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Dos escombros da economia do Estado brasileiro, emergem organizações criminais. Entrevista especial com Daniel Hirata

Ao analisar os processos atuais de destruição da proteção social, professor recupera a origem das milícias e reflete sobre a relação desses grupos com o Estado

Por: João Vitor Santos, em IHU

Em tempos de campanha eleitoral, e até antes, ouve-se muito que, dada a criminalidade e violência no Brasil, “vivemos num Estado miliciano”. Mas o que isso significa? Para o professor Daniel Hirata, não se deve seguir com uma ideia de que as milícias, enquanto organização criminal, estão constituindo um outro tipo de Estado. “Não é outro projeto de Estado; ele se faz em conjunto com o Estado”, observa. Ou seja, significa pensar que a milícia precisa dessa estrutura estatal como conhecemos para se constituir e sobreviver. (mais…)

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