Enquanto presos comuns bebem água de buraco na parede, cela com ex-policiais e filhos de policiais tem colchão, ventilador e mosquiteiro, diz relatório obtido pela Pública; peritos confirmam lesões, surtos de doenças e insalubridade
Por Bruno Fonseca, em Agência Pública

Nas instalações superlotadas das penitenciárias cearenses, presos com mãos e dedos quebrados e lesões na cabeça denunciam terem sido atingidos por chutes ou golpes de cassetetes. O cenário se divide entre celas alagadas, tomadas por mofo, e as insuportavelmente abafadas, sem ventilação sob o calor de 30º C do nordeste brasileiro. Faltam medicamentos para detentos com tuberculose e hepatite — e para conter um surto de sarna que se espalhou ao menos por dois presídios. Há soropositivos que, além de não terem acesso ao atendimento médico, estão impedidos de receber visita de familiares que poderiam trazer os coquetéis contra o HIV. As fezes de um preso com bolsa de colostomia rompida se espalharam pela cela, bem como as de paraplégicos sem fraldas para higiene. E em uma das alas, a fonte de água para beber e se limpar é um buraco na parede.
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