Entregadores são o alvo. Brasileiro é atacado e imigrante assassinado em Lisboa. Casos não são isolados. Máxima exploração depende de pessoas descartáveis – e alvo de ódio. Greve em Portugal enfrenta “pacote de desmontes” que pode piorar tudo
Por Nirsan Dambrós, em Outras Palavras
Os recentes ataques violentos contra entregadores por plataformas digitais – o assassinato de Mohamed Shamim Bhai em Lisboa e a tentativa de homicídio contra André Oliveira em Dublin, ambos com suas bicicletas roubadas – não constituem episódios aleatórios da barbárie social. Eles representam a expressão fenomênica mais aguda de uma contradição estrutural do capitalismo contemporâneo europeu: sua dependência material da superexploração de uma força de trabalho racializada e precarizada, concomitantemente à produção ideológica dessa mesma força como descartável e vulnerável. Este processo é a síntese de fatores históricos e estruturais, interligados e incorporados socialmente: a inovação tecnológica a serviço da subsunção real do trabalho[i], a função histórica do racismo como divisão da classe trabalhadora e a operação concertada de aparelhos estatais e privados para naturalizar essa violência. (mais…)
