O Dilema nuclear. Por Heitor Scalambrini Costa

O mundo caminha a passos largos para um tensionamento cada vez mais crescente das relações diplomáticas entre as duas mais poderosas nações nucleares do mundo, Rússia e Estados Unidos da América.

Os dois países ainda têm os maiores arsenais de armas nucleares remanescentes da Guerra Fria, cujos números são atualmente limitados pelo New START, tratado assinado pelos dois países em 2010, e que deveria valer até 2026, de redução de armas estratégicas. Todavia neste final de 2025, ao proferir seu discurso anual, o presidente russo Vladimir Putin anunciou a suspensão da participação de seu país no tratado. Ao mesmo tempo alertou, em claro recado à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) liderada pelos EUA, que os russos colocaram novas armas estratégicas à disposição para combate, não especificando se seriam armas nucleares. (mais…)

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“O mundo está em processo de autodestruição”. Entrevista com Manuel Castells

O intelectual catalão, que é o sociólogo de língua espanhola mais citado no mundo, defende a necessidade de uma maior espiritualidade em tempos de profunda crise

IHU

Manuel Castells (Hellín, Albacete, 1942) afirma que a história contemporânea está repleta de paradoxos, algo que condiz com alguém de temperamento vital e que busca conciliar suas próprias contradições. Ele é um intelectual — o sociólogo espanhol mais citado no mundo — mas esteve nas barricadas de Maio de 68 na França. É anarquista de coração, mas foi ministro das Universidades. Dedicou sua grande obra, A Era da Informação, uma trilogia visionária que em breve completará 30 anos, à internet, mas não utiliza redes sociais. Desconfia das estruturas de poder, mas é católico. (mais…)

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A crise do político, a emergência da “nova” direita e os desafios da esquerda no século XXI. Entrevista especial com Hernán Ramiro Ramírez

Caricaturizar a direita é simplificação analítica que não ajuda a compreender as carências sistêmicas que atravessamos. O Brasil pagou caro por não realizar uma justiça de transição após o fim da ditadura militar: “Se 1964 foi a tragédia, 2023 representa a farsa”

Por: Márcia Junges, em IHU

“Vivemos um tempo que engole estruturas mais rapidamente do que as ergue, e as pessoas não estão preparadas para essa mudança tão brusca”, algo que podemos constatar na constante crise do político e do próprio protagonismo da esquerda, bem como da emergência de uma nova direita que se constrói seus alicerces sobre categorias do medo e da inimizade. A análise é do historiador argentino Hernán Ramiro Ramírez em entrevista concedida por WhatsApp ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. (mais…)

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A anomalia brasileira. Por Valerio Arcary

Entre o samba e a superexploração, a nação mais injusta do mundo segue buscando uma resposta para o seu abismo social — e a chave pode estar nas lutas históricas de sua imensa classe trabalhadora

Em A Terra é Redonda

“Quem semeia a injustiça colherá a desgraça” (Provérbio popular português).
“A união do rebanho obriga o leão a deitar-se com fome” (Provérbio popular africano).

1.

O Brasil é a nação mais injusta do mundo. Mas é, também, uma sociedade fascinante. Temos a grandeza da Amazônia e o encanto de um povo diverso em uma nação jovem, o samba, o Rio do Janeiro e Villa-Lobos, o Pantanal, as montanhas de Minas, Chico Buarque, a maior classe trabalhadora do sul do planeta e tudo o mais, que é, maravilhosamente, muito, e não cabe em palavras. (mais…)

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Vale tudo – o remake neoliberal. Por Luiz Marques

O verdadeiro “vale tudo” não é o gesto anárquico, mas a lógica sistêmica que mercantiliza até a rebeldia, convertendo a luta de classes em drama individual e o SUS em pano de fundo para vender xampu

Em A Terra é Redonda

Lançada em maio de 1988 e finalizada em janeiro de 1989, a novela Vale Tudo traz a icônica cena do personagem que ao fugir da justiça faz o gesto da “banana para o Brasil”. Quem simboliza o mal no remake neoliberal da teledramaturgia ainda é Odete Roitman, cujo sobrenome deriva do iídiche (roit / vermelho, man / homem). A indisfarçável insinuação ideológica dos tempos da Guerra Fria ressurge agora na hegemonia totalitária da mercadoria, segundo o padrão dos shopping centers. (mais…)

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From Russia, with love. Por Paulo Nogueira Batista Jr.

Enquanto a russofobia e a arrogância ocidental impedem o diálogo, surge a proposta ousada de o Brasil erguer no Rio de Janeiro a ágora global que o mundo necessita para enfrentar seus dilemas mais prementes

Em A Terra é Redonda

1.

O mundo atravessa uma quadra de extraordinária complexidade e elevados riscos. Estamos ameaçados por perigos de guerra nuclear, por problemas sociais e demográficos, pela destruição ambiental e pelos impactos incalculáveis do progresso tecnológico acelerado, em especial da inteligência artificial. Faz-se necessária, mais do que nunca, uma discussão verdadeiramente global, não excludente, da qual possam participar todas as nações. (mais…)

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Viveiros de Castro analisa três problemas mundiais: crise climática, IA e fascismo

Influente antropólogo fala novamente à Agência Pública e tenta responder quando as coisas começaram a dar errado

Por Thiago Domenici | Edição: Ed Wanderley, Agência Pública

“Quando as coisas começaram a dar errado?”. Essa pergunta sem contexto poderia ser sobre qualquer aspecto da vida pessoal de alguém. Mas não é. A indagação que abre o ensaio mais recente de Eduardo Viveiros de Castro e Déborah Danowski, publicado em 2023, busca algumas respostas às incertezas nos tempos que correm no planeta. (mais…)

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