A Europa espezinhada. Por Eugênio Bucci

A humilhação espetacular é a nova arma da política externa trumpista: uma guerra simbólica onde o espetáculo midiático e a chantagem emocional substituíram a geopolítica tradicional

Em A Terra é Redonda

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A União Europeia é a nova vítima do método da humilhação espetacular empregado pelo governo de Donald Trump como arma de guerra simbólica. Pobre Europa. De repente, ela se viu submetida a um padecimento moral inédito, impensável. O bullying e o escárnio voltam-se contra ela. A Casa Branca a insulta com tarifas e desaforos. O Reino Unido, aliado histórico do Tio Sam, não escapou. Keir Starmer, polidamente, chama de “erro” a postura agressiva e predatória dos Estados Unidos. Não fez nem cócegas no Pentágono. (mais…)

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Jeferson Tenório: a literatura permite uma avaliação mais lúcida da realidade

Um dos maiores nomes da literatura brasileira reflete sobre realidade e invenção na estreia do Pauta Pública 2026

Por Andrea DiP, Sofia Amaral, Ricardo Terto, Stela Diogo | Edição: Ludmila Pizarro, Agência Pública

Estreou esta semana, a sexta temporada do Pauta Pública, num ano que, desde os primeiros dias, já se mostrou decisivo para a geopolítica, a democracia, a tecnologia e a história. Em 2026, com o tema “Diálogos para entender o que é real”, a jornalista Andrea Dip conduz conversas para nos situar num mundo em que imagens fictícias parecem verdadeiras e narrativas se impõem como fatos, em meio a disputas cada vez mais intensas sobre o real. (mais…)

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Dialética do bem e do mal. Por Luiz Marques

A condição humana é uma dialética inextricável entre o bem e o mal, uma dualidade que a política e a moral tentam, em vão, simplificar em narrativas unidimensionais

Em A Terra é Redonda

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A máxima “Eu sou humano, nada do que é humano me é estranho” (“Homo sum, humani nihil a me alienum puto”) foi criada pelo dramaturgo romano Terêncio no século II a.C., e popularizada por Karl Marx e Friedrich Nietzsche. Significa que decodificamos os sentimentos, os atos e as falhas dos indivíduos faltosos, que transgridem as leis. Mas a familiaridade com as experiências tortas no âmbito da espécie é uma carga incômoda, para nossa necessidade sociocultural de idealizações simbólicas. (mais…)

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O ataque de Trump à Venezuela vai além do petróleo

A extração do petróleo pesado venezuelano é cara, exigirá anos de investimento contínuo para aumentar significativamente a produção e pode até não ser lucrativa aos preços atuais. A agressão atual tem mais a ver com poder do que com economia.

Por Matt Huber, Jacobina / Tradução: Cauê Seigner Ameni

Após a descarada invasão dos EUA à Venezuela e a consequente destituição de Nicolás Maduro do poder, muitos na esquerda chegaram a uma explicação básica: tudo gira em torno do petróleo. Essa explicação se baseia em uma conhecida teoria marxista “instrumentalista” do Estado capitalista, segundo a qual seu papel primordial é servir aos interesses da classe capitalista. (mais…)

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O Dilema nuclear. Por Heitor Scalambrini Costa

O mundo caminha a passos largos para um tensionamento cada vez mais crescente das relações diplomáticas entre as duas mais poderosas nações nucleares do mundo, Rússia e Estados Unidos da América.

Os dois países ainda têm os maiores arsenais de armas nucleares remanescentes da Guerra Fria, cujos números são atualmente limitados pelo New START, tratado assinado pelos dois países em 2010, e que deveria valer até 2026, de redução de armas estratégicas. Todavia neste final de 2025, ao proferir seu discurso anual, o presidente russo Vladimir Putin anunciou a suspensão da participação de seu país no tratado. Ao mesmo tempo alertou, em claro recado à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) liderada pelos EUA, que os russos colocaram novas armas estratégicas à disposição para combate, não especificando se seriam armas nucleares. (mais…)

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“O mundo está em processo de autodestruição”. Entrevista com Manuel Castells

O intelectual catalão, que é o sociólogo de língua espanhola mais citado no mundo, defende a necessidade de uma maior espiritualidade em tempos de profunda crise

IHU

Manuel Castells (Hellín, Albacete, 1942) afirma que a história contemporânea está repleta de paradoxos, algo que condiz com alguém de temperamento vital e que busca conciliar suas próprias contradições. Ele é um intelectual — o sociólogo espanhol mais citado no mundo — mas esteve nas barricadas de Maio de 68 na França. É anarquista de coração, mas foi ministro das Universidades. Dedicou sua grande obra, A Era da Informação, uma trilogia visionária que em breve completará 30 anos, à internet, mas não utiliza redes sociais. Desconfia das estruturas de poder, mas é católico. (mais…)

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A crise do político, a emergência da “nova” direita e os desafios da esquerda no século XXI. Entrevista especial com Hernán Ramiro Ramírez

Caricaturizar a direita é simplificação analítica que não ajuda a compreender as carências sistêmicas que atravessamos. O Brasil pagou caro por não realizar uma justiça de transição após o fim da ditadura militar: “Se 1964 foi a tragédia, 2023 representa a farsa”

Por: Márcia Junges, em IHU

“Vivemos um tempo que engole estruturas mais rapidamente do que as ergue, e as pessoas não estão preparadas para essa mudança tão brusca”, algo que podemos constatar na constante crise do político e do próprio protagonismo da esquerda, bem como da emergência de uma nova direita que se constrói seus alicerces sobre categorias do medo e da inimizade. A análise é do historiador argentino Hernán Ramiro Ramírez em entrevista concedida por WhatsApp ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. (mais…)

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