Pesquisa de doutorado mostra a sacralização de lideranças camponesas e indígenas vitimadas em conflitos de terra no Brasil
Por Luiz Sugimoto, no JU-online
“Ele não foi enterrado, foi plantado”, afirmam reiteradamente os indígenas em respeito ao cacique Xicão (Francisco de Assis Araújo), dotando o líder assassinado em 1998 de materialidade nas águas, matas e terras do povo Xukuru do Ororubá, em Pesqueira (PE). Isso também é recorrente nas narrativas sobre a missionária Dorothy Stang, assassinada em 2005 no município de Anapu (PA). “Os peregrinos afirmam que o corpo dela não foi enterrado, mas plantado, como semente, e que seu sangue derramado fecunda o solo, fertiliza a plantação e fortalece a luta pelos direitos à terra e à vida”, escreve o antropólogo Edimilson Rodrigues de Souza em “Sacralização de lideranças camponesas e indígenas assassinadas em contextos de conflito de terra no Brasil”, tese de doutorado orientada pela professora Emília Pietrafesa de Godoi, no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH).
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