Reforma totalitária e tecnicista na Educação de SP

Análise de como avança o desmonte do ensino no estado, sob o fetiche da tecnologia. Mudanças curriculares voltadas ao mercado impõem a entrada massiva de plataformas. Ameaçam a autonomia pedagógica e precarizam ainda mais o trabalho docente

por Stephanie Fenselau, em Outras Palavras

A maneira pela qual são reorganizadas anualmente as matrizes curriculares no estado de São Paulo tem gerado incômodos com relação à carga horária de cada disciplina, em uma espécie de disputa por mais aulas de cada componente; por outro lado fica explícito o esvaziamento dos conteúdos das diferentes ciências, com destaque para as humanidades. No Ensino Médio, as disciplinas de Sociologia e Filosofia praticamente foram extintas do currículo, o mesmo ocorrerá com Geografia e História, em 2025, no Ensino Fundamental Anos Finais. O enxugamento das disciplinas do que atualmente intitula-se como formação geral básica vem acompanhada do aumento da parte diversificada do currículo com a inserção volumosa de plataformas digitais na mediação do trabalho docente e um amplo e profundo processo de privatização da educação estatal. Diante desse cenário é necessário refletir sobre as articulações que promovem a subordinação da forma e conteúdo escolar aos interesses em disputa nessas constantes e permanentes alterações curriculares. (mais…)

Ler Mais

Novo Ensino Médio está alinhado a uma visão neoliberal e aprofundará as desigualdades educacionais. Entrevista especial com Ângela Both Chagas

Para a doutora em Educação, esta reforma representa uma política autoritária e reduz a autonomia das escolas

Por: André Cardoso e Elstor Hanzen, em IHU

Após a luta de estudantes, educadores e movimentos sociais, a reestruturação do Ensino Médio, a partir da Lei nº 14.945/2024, conseguiu amenizar alguns dos danos promovidos pela Lei nº 13.415/2017, que institui o Novo Ensino Médio. “Não houve uma revogação integral da Lei de 2017, mas pontos importantes foram alterados, como a ampliação da carga horária da Formação Geral Básica, comum a todos os estudantes, e a recomposição da obrigatoriedade de componentes curriculares como História, Sociologia, Filosofia, Artes, Educação Física, Biologia”, afirma a doutora em educação, Ângela Both Chagas. (mais…)

Ler Mais

Educação em ruínas: A terceirização da merenda e o desmonte da educação pública

Os projetos de paceria público-privada e de terceirização trazem para a escola uma visão corporativa e lucrativa, que é essencialmente incompatível com a ideia de uma educação pública universal, gratuita, de qualidade e gerida democraticamente

Por Ricardo Normanha, no blog da Boitempo

A recente repercussão da notícia de que escolas municipais de São Paulo estão proibindo a repetição na merenda escolar sob a gestão de Ricardo Nunes é apenas mais uma peça em um quebra-cabeça maior e mais complexo que estrutura um projeto cada vez mais claro para a educação pública. Trata-se de um programa amplo, produto na ideologia neoliberal e ultraliberal, alicerçado no paradigma da Nova Gestão Pública, de terceirização e privatização de serviços públicos essenciais, incluindo a educação. No caso da merenda escolar, a terceirização já vem sendo aplicada há anos e ilustra os impactos negativos de uma lógica de gestão que desconsidera o caráter pedagógico de todas as atividades escolares. (mais…)

Ler Mais

MPF e MPAC recomendam instalação da Comissão Estadual de Educação Escolar Indígena no Acre

Órgão foi criado por Lei Estadual em 2018, mas nunca funcionou de fato

MPF/AC

O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), em conjunto, enviaram recomendação à Secretaria de Estado de Educação e Esporte (SEE-Acre) para que institua a Comissão Estadual de Educação Escolar Indígena (CEEEI). Conforme orienta o documento, a Comissão deve entrar em funcionamento efetivo no prazo de seis meses, nos parâmetros definidos pela Lei Estadual nº 3.467/2018, que determinou sua criação, e da Portaria 2829/2018, que a instituiu formalmente. (mais…)

Ler Mais

Morcegos infestam escolas indígenas no Xingu construídas para compensar Belo Monte

Imagens exclusivas mostram situação insalubre de escolas erguidas pela Norte Energia em aldeias indígenas do Médio Xingu

Por Isabel Seta | Edição: Giovana Girardi, Agência Pública

Pelo menos duas escolas de aldeias indígenas no Médio Xingu, no Pará, estão tomadas por infestações de morcegos que impedem a realização de aulas para cerca de 150 alunos. (mais…)

Ler Mais

Escolas leiloadas na bolsa de valores. Que educação é essa?

Uma educação a serviço do poder econômico é uma educação falsificada, que se torna um obstáculo ao processo de formação. Do ponto de vista político imediato, ela só pode fortalecer a extrema direita anti-intelectual, individualista e “empreendedora”.

Por Carolina Catini e Gustavo Mello, em Blog da Boitempo

A cena grotesca de um governador de extrema direita dando golpes de martelo no ritual de leilão de escolas estatais na bolsa de valores é também a celebração de quem avança mais alguns passos no projeto de colocar a educação do povo a serviço do poder. Pagando tributo ao imaginário patriarcal, o gesto busca expressar agressividade, virilidade, força, e implicitamente faz um elogio da destruição — destruição de tudo aquilo que foge às garras do mercado, que não serve exclusivamente para garantir o acúmulo de poder econômico e político. (mais…)

Ler Mais

SP: Leiloar escolas – e vender gente

Retrato da escola-empresa que o governo estadual planeja: oferece a gestão na Bolsa e implanta tecnologia que pode aumentar a segregação e beneficiar Big Techs. Palavra de ordem é otimizar para tornar o Ensino um ativo. Sociedade reagirá a este ataque?

por Katya Braghini*, em Outras Palavras

A privatização do ensino público já está dada no estado de São Paulo. Há uma pergunta no ar: como toda a gente que já foi estudante e dependente do ensino público não está revoltada nas ruas para defender um patrimônio que um dia foi seu? Para defender um legado que, sendo público, está dilapidado às novas gerações? Como é possível que as ruas não estejam repletas de gente ofendida pela perda de um legado público? Perdemos a dimensão do significado disso? Renato Feder com os seus brados “Vamos privatizar tudo!” tem sido, esteticamente, a cena mais aceitável. Mas isto é uma conversa mais abrangente. (mais…)

Ler Mais