Análise de como avança o desmonte do ensino no estado, sob o fetiche da tecnologia. Mudanças curriculares voltadas ao mercado impõem a entrada massiva de plataformas. Ameaçam a autonomia pedagógica e precarizam ainda mais o trabalho docente
por Stephanie Fenselau, em Outras Palavras
A maneira pela qual são reorganizadas anualmente as matrizes curriculares no estado de São Paulo tem gerado incômodos com relação à carga horária de cada disciplina, em uma espécie de disputa por mais aulas de cada componente; por outro lado fica explícito o esvaziamento dos conteúdos das diferentes ciências, com destaque para as humanidades. No Ensino Médio, as disciplinas de Sociologia e Filosofia praticamente foram extintas do currículo, o mesmo ocorrerá com Geografia e História, em 2025, no Ensino Fundamental Anos Finais. O enxugamento das disciplinas do que atualmente intitula-se como formação geral básica vem acompanhada do aumento da parte diversificada do currículo com a inserção volumosa de plataformas digitais na mediação do trabalho docente e um amplo e profundo processo de privatização da educação estatal. Diante desse cenário é necessário refletir sobre as articulações que promovem a subordinação da forma e conteúdo escolar aos interesses em disputa nessas constantes e permanentes alterações curriculares. (mais…)
