Não sairemos iguais após o horror em Gaza. Seremos assombrados pelos rostos palestinos que vimos sucumbir e pelo gozo perverso dos sionistas. E se alguém não está cheio de hematomas internos, é porque não olhou nos olhos das crianças palestinas
Na Cult / Outras Palavras
Em uma sala iluminada precariamente, um palestino dava uma entrevista. A calvície, os óculos, a barba por fazer revelam uma pessoa cansada, de noites insones. Enquanto durava a entrevista, o som das bombas lá fora não arrefecia. Ele olhava para a câmera e dizia: Não sei se vou sobreviver. Não gritava. Não pedia socorro. Não, ele não olhava para a câmera. Olhava diretamente nos meus olhos. E me perguntava: você pode me salvar? Eu o escutava em desespero. Eu não podia acreditar. Ele vai sobreviver, desejava. Ele sabia que não. Foi a última vez que o vi. Foi daquela casa que, minutos depois, seria seu túmulo e de sua família, que o poeta palestino expôs uma nova forma de denunciar o genocídio em curso. Logo depois da entrevista, Refaat al-Areer, de 44 anos, professor de literatura, tradutor e poeta, sucumbia vítima de um bombardeio de Israel. Ele morreu no dia 7 de dezembro de 2023. (mais…)