À beira do colapso? A falência dos modelos atuais de pesquisa e pós-graduação

Por Érico Andrade*, no blog da Boitempo

O sistema de pós-graduação no Brasil conheceu um avanço raro em poucas décadas. Para dar um exemplo, basta dizer que em 2023 a pós-graduação stricto sensu superou a marca de 350 mil matrículas. O crescimento da produção científica no Brasil e o incremento na formação de pessoas com mestrado e doutorado é notável. Segundo o Plano Nacional de Pós-Graduação, temos ainda um número deficitário de doutores quando comparado a outros países, mas com um esforço descomunal da comunidade acadêmica estamos equalizando esse quadro. Contudo, esse crescimento, por um lado, não foi acompanhado de melhores condições de trabalho, e por outro, foi objeto de uma maior ingerência dos órgãos de controle sobre a vida universitária. Ou seja, o aumento significativo na produção científica não teve como contrapartida um aumento do investimento em ciência que pudesse desonerar o pesquisador de ser um administrador, contador e expert em prestação de contas de projetos. Ademais, os órgãos de controle passaram a comportar cada vez mais exigências — todas elas quase kafkianas. Nos programas de pós-graduação, as secretarias (quando existe secretaria) parecem abarrotadas de trabalho, porque os sistemas das universidades para monitoramento da vida acadêmica estão cada vez mais complexos. Para alguns deles, aliás, é preciso até um tutorial de uso! (mais…)

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Como a ditadura do gerencialismo oprime os professores

Categoria enfrenta precarização, desvalorização e ataques políticos coordenados pela extrema direita. Agora, são avaliados por softwares de “gestão de negócios”. Efeitos: profissionais temporários já são maioria na rede estadual

Por Ricardo Normanha, no Blog da Boitempo

No dia 6 de agosto celebra-se o dia dos e das profissionais de educação no Brasil. A comemoração foi estabelecida porlei de 2014 com o propósito de dar visibilidade à categoria e enfatizar a necessidade de sua valorização. O texto da lei é sintético, com apenas dois artigos. Deles não se desdobram outras medidas ou ações que possam, efetivamente, cumprir com o objetivo de reconhecimento dessas trabalhadoras e trabalhadores. A despeito da ausência de caracterização no texto da lei, é fundamental frisar que se trata de um grupo diverso no que se refere às diferentes categorias profissionais: docentes, gestores, profissionais de apoio escolar, agentes de inclusão, merendeiras, cuidadoras, berçaristas. Ressalta-se ainda a predominância feminina no setor – como em outras profissões ligadas ao cuidado —, fator historicamente associado à desvalorização profissional. (mais…)

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MPF defende educação diferenciada a quilombolas em Itapeva (SP)

Além da oferta de conteúdo baseado em saberes e tradições da comunidade, ação judicial pede ensino médio em escola do Quilombo Jaó

Ministério Público Federal (MPF)

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública para assegurar o direito à educação diferenciada e de qualidade para os moradores do Quilombo Jaó, em Itapeva (SP). A falta de ensino adaptado às necessidades culturais da comunidade traz sérios riscos aos quilombolas, como a perda de saberes tradicionais e a degeneração da identidade do grupo. São réus na ação os governos federal, estadual e municipal e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). (mais…)

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MPF pede para que plano de reposição de aulas canceladas por violências saia em até 120 dias

Esse é um trabalho que já está em andamento em uma comissão específica para o tema no Conselho Nacional de Educação

Por Bruno Alfano, em O Globo

O Ministério Público Federal (MPF) pediu ao Conselho Nacional de Educação (CNE) para terminar em até 120 dias o plano de reposição de aulas que são canceladas por conta de episódios de violência no entorno das escolas. Esse é um trabalho que já está em andamento em uma comissão específica para o tema no CNE. A recomendação é do procurador Julio José Araujo Junior.
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Censo Escolar de Educação Básica 2024: os desafios em favor de uma educação de qualidade. Entrevista especial com Gabriel Grabowski

Enquanto a rede privada apresenta uma retórica de mais qualidade na educação, resultados são muito semelhantes à rede pública, mas este discurso galvaniza a “saída” neoliberal como alternativa aos índices da educação nacional

IHU

No Brasil, há 47 milhões de matrículas na rede de educação básica. O número supera a população de dezenas de países. A soma de todos os recursos – da União, Estados e Municípios – para a educação no Brasil não chega a 6% do PIB. O discurso da rede privada de que oferece ensino de mais qualidade em comparação à rede pública não se sustenta nos indicadores. Frente a tudo isso a sociedade brasileira se furta a tomar a pauta educacional na profundidade que merece. Os dados da abertura e da entrevista que se segue são do Censo Escolar da Educação Básica de 2024. (mais…)

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A universidade como alvo global. Por Vladimir Safatle

Desmonte, perseguição ou ambos. Nos EUA, Europa e América Latina, ela está ameaçada. A precarização do trabalho torna o diploma inútil. E o sistema vê a instituição como perigosa, por sua capacidade de dialogar com rebeldias

Por Vladimir Safatle, em Outras Palavras

A universidade pública é uma instituição que se tornou, nos últimos anos, espaço de intervenções violentas de toda ordem. Desde acusações de islamo-gauchismo em países como a França até intervenções brutais contra estudantes e professores em solidariedade com a causa palestina,  principalmente  nos  Estados  Unidos da América (EUA) e na Alemanha, o que vemos é a universidade  pública  como  espaço  de  tensionamento  social.  No entanto, a  lista  é  muito  mais extensa. Em governos de extrema-direita, como o que vimos no Brasil e que vemos atualmente na  Argentina, na  Turquia,  na  Hungria  e  em Israel, forças estatais operam toda forma de desmonte de financiamento e de estigmatização social contra a universidade pública, isso quando não se trata de criminalização direta contra professores e estudantes. (mais…)

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Universidades públicas em tempos neoliberais

Pesquisadores investigam, em dossiê, os desafios do Ensino Superior no país. Os riscos de desmonte, sob “ajuste fiscal”. Os perigos de ruptura do papel filosófico e cultural. O impacto dos imperativos produtivistas. E as resistências que emergem

Por Graça Druck, João Carlos Salles e Roberto Leher, em Outras Palavras

As universidades públicas têm uma dinâmica singular. Seu modelo, suas mazelas e mesmo seus sonhos não podem ser compreendidos com independência do contexto em que se instalam nem das tarefas que lhes atribuímos. Vivem, assim, o infortúnio das políticas neoliberais como uma tragédia única, sendo infelizes à sua maneira, a um só tempo mitigada em certos aspectos e agravada intensamente em outros. (mais…)

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