Dança dos Confederados esconde passado escravizador no interior do Brasil

Santa Bárbara d’Oeste (SP) exalta imigrantes dos EUA; registros apontam que colônia teve mais de 200 escravizados

Por Mariama Correia, Bianca Muniz | Edição: Bruno Fonseca, em Agência Pública

Homens de chapéu texano e mulheres com vestidos de renda rodados dançando juntos ao som de música country. Nas mesas e barracas, bandeiras vermelhas com estrelas brancas sobre uma cruz diagonal azul – símbolo dos confederados dos Estados Unidos. Essa poderia ser uma cena da Geórgia ou do Alabama, vista em um filme de faroeste, mas não: são imagens da Festa dos Americanos, também chamada de Festa Confederada, realizada em uma tarde de abril, numa cidade do interior de São Paulo. (mais…)

Ler Mais

A escravidão já foi abolida? Por Carlos Eduardo Gonçalves Wekid1

CPT

Em 14 de maio de 1888, o jornal Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro publicou a notícia “EXTINCÇÃO DA ESCRAVIDÃO” e anunciou a Lei nº 3.353, de 13 de maio de 1888, assinada pela “Priceza Imperial Regente” (a Princesa Isabel), em nome do imperador D. Pedro II. Diz o Art. 1º da Lei Áurea: “É declarada extincta desde a data d’esta Lei, a escravidão no Brazil.” (mais…)

Ler Mais

MPF identifica avanços na atuação do Banco do Brasil pela reparação da escravidão, mas pede concretização de medidas

Relatório com 114 iniciativas foi enviado pelo banco, mas o MPF agendou reunião para discutir a implementação de medidas mais estruturantes

Procuradoria da República no Rio de Janeiro

O Ministério Público Federal (MPF) convocou o Banco do Brasil (BB) para uma reunião, no próximo dia 9 de junho, com o objetivo de discutir o planejamento e a execução das medidas de reparação da escravidão indicadas pela instituição bancária. A reunião busca entender mais de perto medidas apresentadas em relatório do banco, que detalha 114 iniciativas voltadas à promoção da igualdade racial. (mais…)

Ler Mais

Mais um 13 de maio e a luta por reparação histórica segue

Artigo ressalta que 137 anos após a abolição, o povo negro resiste e exige justiça através da Reforma Agrária Popular e do enfrentamento ao racismo estrutural

Por Grupo de Estudos Étnico-Raciais do MST
Da Página do MST

“No dia 14 de maio eu saí por aí,
não tinha trabalho nem casa nem para onde ir…”

Lazzo Matumbi

Mais um 13 de maio e as perguntas seguem: Será mesmo que a liberdade veio nesse dia? Para onde foi o povo negro no pós-abolição? Qual a definição de liberdade trazida contida na Lei Áurea? Porque não houve políticas públicas complementares a essa lei? Porque a liberdade do povo negro chegou tarde, incompleta, silenciosa? (mais…)

Ler Mais

O 13 de maio – e o trabalho digno que nunca chegou

Após a “abolição”, faltou a Coroa assinar a carteira de trabalho. Até hoje, a precarização mostra suas raízes históricas profundas na escravidão. Data pode ser convite para refletir a formação da classe trabalhadora brasileira e seus novos desafios

Por Erik Chiconelli Gomes, no GGN

A formação da classe trabalhadora brasileira constitui um processo histórico singular, profundamente marcado pela transição do trabalho escravo para o trabalho livre a partir do 13 de maio de 1888. Esta data, longe de representar apenas a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, simboliza um complexo processo de lutas e resistências que se iniciou muito antes da abolição formal e continuou muito depois dela. A libertação dos escravizados não foi uma dádiva da Coroa, mas resultado de décadas de rebeliões, fugas, formação de quilombos e pressões do movimento abolicionista, onde os próprios escravizados foram protagonistas ativos, e não meros beneficiários passivos. Após o 13 de maio, os ex-escravizados e seus descendentes enfrentaram a exclusão sistemática do mercado de trabalho formal, a ausência de políticas de integração socioeconômica e o racismo estrutural, fatores que moldaram decisivamente a configuração da classe trabalhadora que emergia. Neste contexto, a experiência compartilhada de exploração, opressão e resistência foi transformando um conjunto heterogêneo de indivíduos em uma classe com identidade e interesses próprios, através de um processo que não se deu naturalmente, mas foi construído nas lutas cotidianas por sobrevivência e dignidade. (mais…)

Ler Mais

Escravizador na pele de abolicionista: abolição teve apoio de políticos que escravizaram

Pesquisa mostra que políticos que defenderam a abolição tiveram escravizados ou se beneficiaram de dinheiro do tráfico

Por Bianca Muniz | Edição: Bruno Fonseca, Agência Pública

No marketing, existe uma manobra chamada de “rebranding”: ela consiste em mudar a imagem de uma pessoa ou marca, atualizando o seu posicionamento para torná-la mais atraente ao público. Há 137 anos, quando o Brasil assinou a Lei Áurea para abolir a escravidão no país, parte do Legislativo imperial usou essa estratégia. Parlamentares que se beneficiaram da escravidão por anos começaram a se apresentar como defensores da liberdade. O objetivo era atender às pressões sociais e preservar capital político. Alguns apoiaram a abolição mesmo ainda tendo pessoas escravizadas. (mais…)

Ler Mais

13 de maio de 2025: Reparação, já

“No dia seguinte, nas décadas seguintes, pouco se fez para superar as consequências de aproximadamente 388 anos de escravidão no país. Ao contrário disso, muito se pensou nos dias que antecederam o 13 de maio de 1888: por medo de que a maioria negra do país assumisse os rumos do seu futuro por autodeterminação, os poderosos colonos e os senhores de escravos fizeram com que diversas leis preparassem o Brasil para cercear e manter imóvel os direitos daqueles que se tornariam ‘livres’.”

Por Simone Nascimento, no blog da Boitempo

Semana passada eu participei de uma roda de conversa na ETEC Tiquatira, na Zona Leste da cidade de São Paulo, que tinha como tema o 13 de maio. Um professor chamado Marcos, muito engajado na efetivação das Leis nº 10.639 e 11.645, que deveriam tornar obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena, incluindo essas disciplinas no currículo oficial das escolas e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, me convidou para conversar com os estudantes. (mais…)

Ler Mais