O brasileiro insensato que rebate racismo com xenofobia

Jogador Serginho foi vítima de ofensas racistas e abandonou o campo na Bolívia. Por aqui, alguns torcedores preferem ofender o país vizinho a refletir sobre seus próprios preconceitos

Por Breiller Pires, no El País Brasil

Aos 40 minutos do segundo tempo, o meia Serginho, do Jorge Wilstermann, decidiu abandonar o gramado depois de passar toda a partida, válida pelo Campeonato Boliviano e disputada no último domingo, sendo xingado de “macaco” pela torcida do Blooming. Ele havia solicitado ao árbitro que tomasse providências, mas, apesar dos pedidos de atletas adversários, os insultos vindos das arquibancadas não cessaram. Porém, alguns brasileiros, na tentativa de demonstrar solidariedade a um compatriota ofendido no exterior, repetem um comportamento tão reprovável quanto o racismo.

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Dossiê Sur sobre raça e direitos humanos

Por Thiago Amparo, Maryuri Mora Grisales e Sueli Carneiro*, na Revista Sur

Dados sobre desigualdade racial evidenciam a persistência do racismo em todo o mundo. Em 2018, 17 anos após a III Conferência Mundial de Combate ao Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata realizada em Durban, na África do Sul, e 130 anos após a abolição da escravidão no Brasil, ainda inconclusa; os legados do Jim Crow, escravidão e apartheid prosseguem e se reproduzem todos os dias nos Estados Unidos, Brasil e África do Sul.1 Em outras partes do Norte e Sul Globais a situação de grupos raciais historicamente discriminados não é diferente. Europa tem sido palco de casos de xenofobia no contexto da questão migratória.2A Relatora Especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre formas contemporâneas de racismo – uma das autoras neste número da Revista Sur – tem reportado sobre racismo em países tão diversos como Austrália, Mauritânia, Hungria e Colômbia.3

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Carta Aberta do Coletivo Muçulmanas Contra o Fascismo

Coletivo Muçulmanas Contra o Fascismo

Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso. Que a paz, a misericórdia e as bênçãos de Deus estejam com o nosso amado profeta Muhammad, com todos os profetas do Altíssimo e todos os brasileiros.

Abrimos este manifesto elucidando que não temos a intenção, muito menos o direito, de representar a totalidade da comunidade muçulmana brasileira. Defendemos firmemente a diversidade de opiniões, seja no interior da nossa comunidade ou na sociedade em geral, e combatemos o sectarismo ideológico e religioso. E, porque somos a favor da unidade na diversidade, queremos colaborar com os debates acerca deste momento político, no qual as contradições se agudizam. Não temos o objetivo de apoiar aqui qualquer legenda ou candidatura, mas queremos discutir princípios e horizontes sociais. Somos mulheres, somos trabalhadoras, somos parte de uma minoria religiosa e queremos ser ouvidas! (mais…)

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Brasileiros e venezuelanos: uma crônica de ódio e compaixão

Um cientista social viaja à fronteira com a Venezuela, em Roraima, e observa uma realidade bem mais complexa do que a xenofobia dos brasileiros retratada na mídia

Fábio Zuker, da Agência Pública

“É claro que eu sempre pensei em vir ao Brasil, conhecer o carnaval, as praias, ver um jogo de futebol… como turista. Não assim, como indigente.” “Seja quem for a pessoa, não se pode tratá-la assim!” “Somos seres humanos. Somos venezuelanos. Estamos vindo aqui e as pessoas tem que entender que a situação está muito ruim por lá.” “Você sabe que existe um bloqueio à Venezuela? Claro que a situação está ruim, que o governo foi inepto e que existe corrupção, mas isso tudo só chegou a esse ponto com o bloqueio econômico.” “O objetivo disso tudo é tocar o terror no país, humilhar as pessoas, e fazer ver ao mundo o tamanho do problema na Venezuela.” “Eu só tenho a agradecer. Aqui nunca me faltou comida.” “Eu só fui bem tratado, uma pessoa me deu até um par de botas que estava usando.” “Só não me mataram com pedras e paus porque eu corri muito.” (mais…)

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‘És garota de programa?’: contra preconceito em Portugal, brasileiros mudam até o sotaque

Por Ricardo Ribeiro para o UOL

Há três anos em Lisboa, o catarinense Pedro, 32, diz fingir sotaque português para ser tratado de maneira adequada. “Decorei as expressões mais usadas e treinei o jeito de falar ouvindo a TV. Cansei de ser mal atendido, principalmente nos serviços públicos, só de abrir a boca”, disse ao UOL. (mais…)

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Razões políticas, econômicas, climáticas e violação de direitos humanos explicam o fenômeno migratório na América Latina. Entrevista especial com Camila Asano

por Patricia Fachin, em IHU On-Line

O fenômeno migratório na América Latina é explicado por motivos econômicos, climáticos e por violações generalizadas de direitos humanos, resume Camila Asano, coordenadora de Programas da ONG Conectas Direitos Humanos, à IHU On-Line. Segundo ela, o processo migratório na região tem sido mais intenso em países como o México, o Haiti e, mais recentemente, a Venezuela. “Nesse contexto, temos tanto os mexicanos que se arriscam na mão de coiotes para atravessar a fronteira com os Estados Unidos em rotas perigosas e precárias, até os haitianos que saíram do país após um grave terremoto que destruiu o país e deixou milhares de pessoas mortas. Mais recentemente, estamos acompanhando o fluxo de venezuelanos em direção à Colômbia, Peru e Brasil, que migram em busca de melhores condições de vida, dada a grave crise econômica, política e social que atinge o país de origem”, exemplifica. (mais…)

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Venezuelanos voltam para casa

por Elaine Tavares, em Palavras Insurgentes

Enquanto a mídia a mando dos Estados Unidos transforma em “crise humanitária” a migração de venezuelanos para países vizinhos, outros tantos sonham em voltar para seu país, por não suportarem as condições de vida e trabalho nos países para onde migraram em busca de vida melhor. Por conta disso, nessa semana o governo venezuelano disponibilizou um avião para trazer de volta para casa dezenas de venezuelanos que estavam no Peru. (mais…)

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A violência em Roraima é contra a imagem no espelho, por Eliane Brum

Os venezuelanos encarnam o pesadelo real de que toda estabilidade é provisória e o pertencimento é sempre precário

No El País Brasil

Não se compreende a violência dos brasileiros contra os venezuelanos sem entender o que é estar na fronteira e se saber à beira do mapa, a borda como o precipício que lembra a quem se agarra ao lado de cá que há uma fera rosnando no desconhecido. Com exceção dos povos indígenas, a população não indígena de Roraima é formada por migrantes recentes, a maioria da segunda metade do século 20. E sempre chegando de um outro lugar em que o chão se tornou movediço embaixo dos pés. Muitos não desembarcaram em Roraima diretamente do lugar em que nasceram, mas antes tentaram pertencer a outros pontos do mapa e não puderam se fixar por falta de trabalho ou outras faltas. (mais…)

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Campanha inflama retórica anti-venezuelanos e agudiza crise em Roraima

Jucá, candidato ao Senado, e governadora defendem barrar entrada. Ministro complica cenário cogitando fechar fronteira

por Tom C. Avendaño, em El País / IHU On-Line

O Governo Michel Temer ainda não conseguiu acalmar as tensões provocadas pela imigração venezuelana em Roraima. Pelo contrário. Depois que milhares de moradores de Pacaraima, localidade fronteiriça de 12.000 habitantes, incendiaram no sábado um acampamento de imigrantes sem-teto, atacaram 700 deles e expulsaram 1.200, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, contribuiu para o clima acirrado ao dizer, na segunda-feira, que a gestão Temer não descartava fechar temporariamente a fronteira com seu asfixiado vizinho do norte. Foi uma declaração que destoou de tudo que o Planalto e outras autoridades, incluindo da Justiça e militares, vinham dizendo. “O Governo não descarta (o fechamento da fronteira), mas vê grandes dificuldades. Vamos aguardar o retorno da comissão interministerial enviada a Roraima para tomar uma decisão”, disse. (mais…)

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Sobre ser da fronteira

por Elaine Tavares, em Palavras Insurgentes

Eu nasci na fronteira entre Brasil e Argentina, e desde bem menina já sabia falar três línguas: o português, o espanhol e o portunhol. Estudei no Passo, o bairro de São Borja que fica na beira do rio, lugar de onde saía a balsa para Santo Tomé. Meus pés de menina pisavam as pedrinhas e a lama do Rio Uruguai quase todos os dias, e no fim de semana, com o pai, passávamos para o outro lado para comprar batatada e balas Mumu. Em épocas de enchente, corríamos para a beira do rio para ver passar as madeiras, conduzidas pelos paysanos e gaúchos, que as manejavam gritando: ibibibiuuuuururu. (mais…)

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