Documentado novo desmatamento ilegal em fazenda ligada a Eliseu Padilha

Ministério Público apreende caminhões com lascas de madeira ilegalmente extraída do Parque Serra de Ricardo Franco

Por Bruno Calixto, na Época

Seis meses após a Justiça determinar o bloqueio de bens do ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, por desmatamento ilegal no município de Vila Bela da Santíssima Trindade, Mato Grosso, o Ministério Público Estadual (MPE) realizou uma nova operação na região e constatou: os crimes ambientais prosseguem. Foram apreendidos na fazenda Paredão II, nesta sexta-feira (7), ao menos dois caminhões carregados de lascas de madeira extraída ilegalmente do Parque Estadual Serra de Ricardo Franco. A propriedade está em nome de Marcos Tozzatti, sócio de Padilha.

Os mandados de busca e apreensão emitidos para a operação desta sexta-feira foram baseados em imagens feitas por drone pelo delegado de polícia Clayton Queiroz de Moura, em fiscalização, em 23 de junho. Esse vídeo foi obtido com exclusividade por ÉPOCA [assista abaixo] e mostra que foram derrubadas árvores na área do Parque Ricardo Franco, vizinho à fazenda Paredão II. Na operação do mês passado, os agentes ambientais encontraram escavadeiras e máquinas na área do parque, além de toras de madeiras. Segundo uma fonte ouvida por ÉPOCA, um homem que conduzia o maquinário fugiu no momento da ação.

Padilha e seus sócios têm quatro fazendas na região. Segundo a denúncia, a Paredão II “ampliou” seu território, invadindo a área pública e cometendo crime ambiental no local. Em dezembro, Padilha foi acusado de desmatar quase 800 hectares de floresta dentro do parque. Ele contestou as acusações. A nova fiscalização ainda apura o quanto pode ter sido desmatado desde então. É aguardada a apuração de imagens de satélite para o cálculo da multa a ser aplicada. Sobre mais essa denúncia, a assessoria de imprensa do ministro da Casa Civil afirmou que Padilha não se pronunciará sobre o assunto.

O desmatamento ilegal no Parque Ricardo Franco

O Parque Estadual Ricardo Franco foi criado em 1997, com mais de 150.000 hectares, para proteger nascentes e espécies ameaçadas. Ele foi considerado pelo governo do estado como o parque com o maior potencial para atividades de turismo ecológico. Até hoje, no entanto, não tem plano de manejo aprovado e enfrenta forte pressão de invasores e grileiros.

No ano passado, o Ministério Público investigou a situação no parque e pediu liminares contra 51 propriedades rurais que se encontravam dentro dos limites da área protegida. Entre as propriedades estavam as quatro fazendas atribuídas ao ministro Eliseu Padilha – propriedades no nome do ministro, de sua mulher ou de sócios como Marcos Tozzatti. Na ocasião, a Justiça bloqueou os bens e embargou a Fazenda Cachoeira, mas não a Fazenda Paredão.

Poucos meses após a sentença, em abril de 2017, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso aprovou a extinção do Parque Estadual Ricardo Franco em primeira votação. A votação foi questionada como irregular – o texto não tinha sequer autoria, assinado por um genérico “lideranças partidárias”. A justificativa da Assembleia era que a área já estava tão desmatada que havia sido descaracterizada como floresta. Dados de satélite mostram que cerca de 20% do parque estão desmatados.

Após a repercussão negativa da votação, a Assembleia Legislativa voltou atrás e suspendeu a tramitação do Projeto de Lei. Porém, a Casa formalizou uma comissão para estudar os limites de área protegida. A comissão trabalha com rapidez, e já apresentou uma proposta de reduzir o parque em 16.000 hectares. A área reduzida tira as 51 propriedades processadas pelo Ministério Público, incluindo as do ministro Padilha, de dentro da área da unidade de conservação, na prática facilitando a regularização dessas propriedades.

 

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