Relatos apontam ‘temas proibidos’ no Colégio Militar. Exército diz que não houve mudança de postura

Por Giovana Fleck, no Sul21

Não se fala no golpe de 64 há muito tempo. Não se fala em sexualidade. Agora, não se fala em gênero. Relatos de professores dão conta de um cenário de temas interditados no Colégio Militar de Porto Alegre, a exemplo do que estaria ocorrendo em outras escolas do país também. Os autores dos relatos preferem não se identificar. Com o início do ano letivo em 2019, há o temor também de uma vigília constante sobre as aulas. Os relatos apontam uma mudança de atmosfera em função da mudança de contexto político no país. Já haveria casos de inquéritos internos para apurar “desvios de conduta” em sala de aula.

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MPF recorre ao TRF2 em ação contra militar por crimes na Casa da Morte

Justiça Federal em Petrópolis (RJ) rejeitou denúncia oferecida contra sargento reformado do Exército

Procuradoria Regional da República na 2ª Região (RJ/ES) | Procuradoria Regional Eleitoral/RJ

O Ministério Público Federal (MPF) recorreu ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) para dar prosseguimento à denúncia contra um sargento reformado do Exército por crimes cometidos na chamada “Casa da Morte”, em Petrópolis (RJ), durante o regime militar. Antônio Waneir Pinheiro de Lima, de codinome “Camarão”, foi denunciado pelo MPF pelos crimes de sequestro, cárcere privado e estupro contra Inês Etienne Romeu, mas teve a denúncia rejeitada pela 1ª Vara Federal Criminal de Petrópolis.

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“Estou preparado para a porrada”, diz Wagner Moura sobre o filme “Marighella”

Filme estreia no Festival de Berlim com dificuldades de financiamento e sem data para lançamento no Brasil

Mariana Pitasse e José Eduardo Bernardes, Brasil de Fato 

“‘Cuidado que o Marighella é valente’, alertou um agente da repressão antes de umas das muitas tentativas de captura do líder revolucionário durante a ditadura militar”. A passagem da biografia de Carlos Marighella, escrita por Mário Magalhães, retrata uma das principais facetas do protagonista do filme dirigido por Wagner Moura, que estreia na 69ª edição do Festival de Berlim, na Alemanha, entre os dias 7 e 17 de fevereiro.

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Após atuação do MPF, prefeito de Petrópolis publica decreto que desapropria imóvel conhecido como Casa da Morte

Local foi utilizado como centro clandestino de tortura pelo Exército durante a ditadura

Procuradoria da  República no Rio de Janeiro

Após recomendação do Ministério Público Federal, a prefeitura de Petrópolis publicou, nesta terça-feira (29), o decreto 649, que declara de utilidade pública, para fins de desapropriação, o imóvel conhecido como Casa da Morte. O local foi utilizado como centro clandestino pelo Centro de Informações do Exército (CIE) durante a ditadura militar, e lá ocorreram casos de tortura e morte.

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3º Congresso Internacional dos Povos Indígenas da América Latina (CIPIAL) 2019: inscrições de trabalho até 18/01/2019

Parentes, aliadas, aliados, pesquisadoras e pesquisadores,

Somos três indígenas acadêmicos e convidamos vocês para inscreverem os seus trabalhos no Simpósio Temático: “Trajetórias de acadêmicos indígenas: impactos presentes e perspectivas de futuro” (ST 58), que integra o 3º Congresso Internacional Povos Indígenas da América Latina (CIPIAL), que ocorrerá Brasília/DF entre 3 a 5 de julho de 2019.

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Associações divulgam Nota contra ameaça de censura a pesquisadores

ANPUH

Vimos com surpresa e indignação uma nota do jornalista Ascânio Seleme, publicada no Jornal O Globo de 06.01.2019, na qual se lê que está sendo estudada, no MEC, a adoção de uma política de atestados ideológicos para concessão de bolsas para doutorado no exterior. A intenção é negar bolsas e, até mesmo, cortar as existentes, de pesquisadores que possam ter pesquisas com um viés que não esteja de acordo com a política que se implantou no poder executivo neste momento.

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O silêncio, a contemplação e a poesia. Etty Hillesum e a mística em tempos complexos. Entrevista especial com Eduardo Losso

Por João Vitor Santos, no IHU

Em geral, quando se fala que Etty Hillesum esteve diante da face do mal por ter vivido a Shoá, a afirmação é aceita. Entretanto, quando se diz que esse mal que nutriu uma guerra é composto de sentimentos presentes ainda hoje, um estranhamento pode se estabelecer. “Se não estamos pensando radicalmente o nosso mal, é porque ele está vencendo. Bem, diante dos fatos recentes, isso é uma evidência”, aponta o professor Eduardo Losso, que quer chamar atenção justamente para esse ponto. Afinal, a maldade da Shoá não surge do nada, mas de sentimentos bem humanos que se convertem em ações perversas. “Hoje, contudo, temos bons motivos para dizer que o abismo de nosso niilismo é bem mais grave que o de nossos antecessores modernos, mas não vejo ninguém encarando o assombroso alcance dele, isto é, o nosso mal”, observa. “Isso significa que, por mais que tenhamos lido Nietzsche, Kierkegaard, Benjamin, Adorno, Cruz e SousaAugusto do Anjos, Machado de Assis, Drummond, não estamos à altura dos abismos de nosso tempo como eles, no seu tempo, estiveram, talvez precisamente porque o nosso é bem maior”, completa.

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Após 50 anos do AI-5, ‘toda a nação está sob ameaça’

A Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, em São Paulo, recebeu personalidades históricas em ato que rememorou a ditadura e alertou sobre a ameaça de novos tempos sombrios

por Gabriel Valery, da RBA

Há 50 anos, o regime ditatorial civil-militar, que alcançara o poder por meio de um golpe quatro anos antes, em 1964, dava seu passo mais sombrio com o Ato Institucional Número Cinco, o AI-5. Naquele 13 de dezembro, a força da ditadura fechou o Congresso, cassou parlamentares, demitiu funcionários públicos, suspendeu habeas corpus e quaisquer garantias constitucionais. O resultado foi a institucionalização da tortura e da censura no país.

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Cinquenta anos depois do AI-5, autoritarismo continua no DNA do brasileiro. Entrevista especial com Jair Krischke

por Patricia Facchin, em IHU On-Line

“Eu tomei uma decisão nesse momento: todas as manhãs quando despertava, prometia a mim mesmo ‘hoje não vou ficar paranoico’. Isso valia por 24 horas”, relembra Jair Krischke, ao contar sua rotina no então  Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul depois da instituição do Ato Institucional Número Cinco – AI-5 em 13 de dezembro de 1968. À época, Krischke atuava auxiliando perseguidos pelo regime a saírem do país, atividade que se intensificou durante a década de vigência do AI-5. “Tivemos que tirar muitas pessoas do país, porque a  perseguição começou a se dar de uma forma indiscriminada: se suspeitassem que alguém tivesse feito isso ou aquilo, já era razão suficiente para a perseguição. O AI-5 estabeleceu uma possibilidade de prisão sem fundamentação jurídica, sem direito a acesso a advogado ou aos familiares. Para temas de ‘crimes políticos’ não havia possibilidade de habeas corpus, que também foi suspenso com o AI-5”, relata na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line.

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O Doi-Codi do século XXI

Para o Brasil branco, masculino e heteronormativo, as violências do Estado apareceram como erros ou falhas do sistema, corrigíveis se caminhássemos com parcimônia

por Edson Teles, no blog da Boitempo

Em 13 de dezembro de 1968 foi imposto ao país o Ato Institucional número 5 (AI-5). Momento que marcou o endurecimento da ditadura inaugurada com o golpe militar de 1964. As medidas autoritárias adotadas até então não estavam mais sendo suficientes. Impunha-se nos primeiros anos de regime militar a disseminação da prisão e da tortura (calcula-se que somente nos primeiros meses após o Golpe mais de 20 mil pessoas tenham sido torturadas), o fechamento do Congresso, o cancelamento de eleições, a cassação de opositores das mais variadas forças políticas.

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