A macabra sessão de cinema da Assembleia Legislativa de São Paulo

O principal objetivo da sessão era marcar um território, recolocar a Alesp – e o auditório Paulo Kobayashi – sob as asas da ditadura

Por Joana Monteleone, Opera Mundi

Quando morreu, o historiador francês Marc Bloch deixou inacabado o manuscrito Apologia da história ou O ofício do historiador, publicado em 1949 pelo amigo e também historiador Lucien Fevbre. Judeu, Bloch deixara a direção da mais importante revista de história da época, a Revue des Annales, para entrar na resistência ao nazismo. Foi pego, torturado e fuzilado por nazistas próximo à cidade de Lyon no dia 16 de junho de 1944, dias antes da libertação da França. No manuscrito inacabado, Bloch, incontestavelmente um dos maiores historiadores do nosso tempo, discorre sobre a importância da história para a humanidade. Ele conclama os historiadores a saírem dos gabinetes de pesquisa e colocarem as experiências teóricas na vida prática, da luta.

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Ditadura no campo: a memória da violência contra as mulheres camponesa

Conselheira da Comissão de Anistia fala sobre a repressão e assassinato da ditadura às mulheres camponesas

por Ana Maria Oliveira e Gabriela Lenz de Lacerda, em CartaCapital

“Uma mulher
Se tece em
Cardos
Cordas
Cordeiras aspirações
Assim é
Assim quer
O dono da noite
Mas
Uma mulher é capaz
De paz
E de guerra
Uma mulher”
– Militantes da Guerrilha do Araguaia
sobre a militante Helenira Resende

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PFDC recomenda revogação da portaria que nomeou militares entre os conselheiros da Comissão de Anistia

De acordo com o órgão do MPF, a presença de integrantes das Forças Armadas em comissões com esse propósito pode gerar visão distorcida no processo de resgate da memória oficial, além de comprometer a imparcialidade e independência do colegiado

Por Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), do Ministério Público Federal (MPF), encaminhou nesta quinta-feira (4) à  ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, Recomendação para que revogue a Portaria nº 378/2019, que designou a nova composição da Comissão de Anistia. O objetivo é garantir que sejam asseguradas a imparcialidade e a independência dos trabalhos.

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Os esqueletos do armário da ditadura

Ex-delegado descreve partes de sua rotina de trabalho: matar e sumir com corpos de presos políticos. Documentário Pastor Cláudio, o “terror do ano”, também adverte: isso é apenas uma gaveta da memória

Por Marie Declercq, na Vice Brasil

Cláudio Guerra tem uma fala calma, monótona e às vezes confunde algumas palavras. À primeira vista, parece um daqueles senhores de bairro que dão bom dia para todo mundo. Porém, Cláudio tem histórias horríveis para contar ao espectador. Munido de uma bíblia, Guerra conta como incinerou corpos em uma usina do Rio de Janeiro e da participação em execuções de membros do Partido Comunista do Brasil (PCB) à sangue frio por serem considerados inimigos do regime militar do Brasil. Assim o documentário Pastor Cláudio da cineasta Beth Formaggini se apresenta.

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Pensavam, então, que esqueceríamos?

Um professor corre por uma rampa, tentando impedir a invasão da universidade. Os mortos atirados ao infinito do mar, no Brasil e Argentina. Como foi tolo o presidente, ao propor que celebrássemos a infâmia

Por Katya Braghini, em Outras Palavras

Conta-se que Rui Barbosa, prócere da intelectualidade, passou a ordem para dar fim aos documentos brasileiros sobre a escravidão, por vergonha. Pediu para que fossem incinerados. Vergonha de pensar que o Brasil, almejando alcançar a civilização, pouco tempo antes, ainda mantinha a escravidão. Queimar documentos, esquecer o que somos e o que fizemos é uma opção? Segundo consta, era dele a boa vontade em dar fim a uma memória, pensando que o passado vergonhoso não nos valia, como brasileiros. Diante das condições históricas daquele tempo, tal problema é um questionamento sobre os significados de cultura, sobre hierarquia de documentos, sobre o sentido da história etc.

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A ditadura nos tocou a todos

por Elaine Tavares, em Palavras Insurgentes

Na semana que antecedeu o primeiro de abril, quando o presidente do Brasil decidiu celebrar o golpe de 64, instaurador da ditadura no país, vi várias vezes nos meus círculos a seguinte mensagem: “Eu não fui torturado, meus pais não foram torturados, eles estavam ocupados trabalhando”. Sobre isso garrei a matutar, pensando no alto nível de egoísmo e de fechamento em si da pessoa que postou esse slogan criado por militantes do atraso e da mentira.

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“O golpe de 1964 foi dado contra as organizações do campo: indígenas e camponesas”

Movimento indígena está muito mais organizado e representa uma ameaça ao avanço da direita, dizem especialistas; jurista Carlos Marés afirma que matança entre etnias durante a ditadura soma bem mais do que 8 mil, número que consta de relatório da Comissão Nacional da Verdade

Por Julia Dolce, em De Olho nos Ruralistas

Professor de Direito da Universidade Federal do Paraná, especialista em Direito Agrário, o jurista Carlos Frederico Marés considera que o golpe de 1964 foi dado “contra as organizações do campo: indígenas e camponesas”. Ele diz que é impossível calcular quantas pessoas foram assassinadas. Segundo ele, foram bem mais do que 8 mil, faixa que consta do relatório final da Comissão Nacional da Verdade.

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1964: “O Brasil não estava à beira do comunismo”, diz historiador

Rodrigo Patto Sá Motta explica as batalhas de memória e historiográficas em torno da ditadura, caso do vídeo pró-golpe divulgado ontem pelo Planalto

Por Thiago Domenici, Agência Pública

O golpe militar que mergulhou o país num de seus períodos mais sombrios completa hoje 55 anos. Neste aniversário do golpe que durou de 1964 a 1985, a Pública entrevista o historiador Rodrigo Patto Sá Motta, doutor em história pela USP e professor do Departamento de História da UFMG, autor da obra Em guarda contra o perigo vermelho(2002), que aborda o anticomunismo no Brasil entre 1935/37 e 1961/64.

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Quatro anos depois, Brasil ignora maioria das recomendações da Comissão da Verdade

Por Hyury Potter, Aos Fatos

Em dezembro de 2014, o relatório final apresentado pela CNV (Comissão Nacional da Verdade) indicava 29 recomendações para a sociedade com o objetivo de garantir reparação, memória e justiça às vítimas do regime militar, além de soluções para problemas que persistem na democracia. Dentre essas ações, estavam medidas institucionais sob o alcance da Presidência, iniciativas de reformulação de leis, que dependem de análise no Congresso e outras que davam seguimento às ações da comissão. Passados mais de quatro anos, levantamento de Aos Fatos indica que mais de 80% das propostas não foram cumpridas ou tiveram apenas parte da orientação acatada. Isso significa que, das 29 recomendações, 18 não foram cumpridas, seis realizadas parcialmente e apenas cinco efetivamente aplicadas.

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Golpe 64 | Estado brasileiro não reconhece camponeses assassinados na ditadura

Liderança do Movimento dos Pequenos Agricultores denuncia relação do governo militar com o agronegócio brasileiro

Por Júlia Dolce, em Brasil de Fato / MST

Entre as maiores vítimas do golpe militar brasileiro, que completa 55 anos neste domingo, 31 de março, está o campesinato. O fato, no entanto, ainda é pouco discutido na sociedade brasileira.O Estado reconhece apenas 29 dos 1196 camponeses assassinados pela ditadura, estatística obtida em um levantamento de 2012 da Secretaria Nacional de Direitos Humanos e reiterada no relatório final da Comissão Camponesa da Verdade em 2014.

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