Os dois policiais militares estão afastados das atividades de rua e trabalhando em serviços internos
Da Redação Correio 24 horas
A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) informou que está tratando como racismo o crime praticado por dois policiais militares acusados de sequestrar e torturar o serralheiro Moisés Gonçalves, 18 anos, durante uma abordagem policial em Itinga, Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador.
“Entendemos que esse é um caso de racismo e em que houve, claramente, um abuso de poder”, afirmou o coordenador de Promoção da Igualdade Racial da Sepromi, Sérgio São Bernardo.
Segundo ele, no próximo dia 11 de março representantes do órgão e de outras instituições de Direitos Humanos e da Justiça vão se reunir para discutir o assunto. “O objetivo é oferecer assistência à vítima, através de apoio psicológico, assistência médica e outras ações que ajudem a amenizar o que a família está passando”, afirmou São Bernardo.
Devem participar do encontro representantes da Ordem dos Advogados da Bahia (OAB), Ministério Público Estadual (MPE), Defensoria Pública da União, Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), Ministério Público do Trabalho (MPT), Procuradoria do Estado e da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS).
Ainda segundo o coordenador, uma comissão foi formada em parceria com a SJDHDS para acompanhar a investigação realizada pela polícia e pensar outras ações para proteger a vítima.
“As abordagens policiais, na maioria das vezes, não conseguem diferenciar o potencial suspeito daquele que realmente pratica a violência, tratando eles como se fossem iguais. Outro ponto que observamos é como é feita a abordagem. Acreditamos que é possível faze-las respeitando os Direitos Humanos, não necessariamente usando da violência”, explicou.
Moisés foi espancado por dois policiais do setor de Inteligência da 81ª Companhia Independente da Polícia Militar (Itinga) durante uma abordagem no condomínio Quinta da Glória, em Itinga, na quarta-feira (24). Parte da ação foi registrada por um morador em vídeo. O serralheiro contou que foi levado para um matagal e torturado pelos PMs.
A assessoria da PM informou na terça-feira (1) que os dois militares foram afastados do trabalho de rua e estão fazendo serviços administrativos.
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Imagem: Moisés mostra as marcas das agressões sofridas durante abordagem dos policiais militares (Foto: Gil Santos/ CORREIO)




