Após denúncias, Temer diz que nomeação de Secretária das Mulheres depende de deputadas

Secretária das Mulheres ‘anti aborto’ [na verdade, ao direito das mulheres ao próprio corpo] teria feito também parte de “articulação criminosa”

Por O Globo/O Paraná

Depois da revelação do suposto envolvimento da ex-deputada Fátima Pelaes num esquema de desvio de emendas parlamentares, o presidente interino, Michel Temer, decidiu dar à bancada feminina a prerrogativa de resolver se manterá ou não a indicação dela para a Secretaria das Mulheres. Se houver recuo na indicação, ele pode não nomeá-la, já que a nomeação ainda não foi efetivada.

Pelaes, presidente reconduzida do PMDB Mulher, foi apontada em 2011 pelo Ministério Público Federal como integrante de uma “articulação criminosa” para desviar R$ 4 milhões de suas emendas parlamentares a uma ONG fantasma no Amapá, seu estado. O dinheiro seria para fomentar o turismo no estado por meio de treinamento de 1,9 mil agentes em Macapá. A ex-deputada aparece na Operação Voucher. A denúncia foi publicada na sexta-feira pelo jornal “Folha de S. Paulo”.

“A parlamentar (Pelaes) teria ainda escolhido as pessoas que ministrariam os cursos oferecidos no âmbito do convênio, que aparentemente sequer foram realizados”, diz o pedido de abertura de inquérito do então procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ao Supremo Tribunal Federal. Gurgel também afirmou que Fátima Pelaes fazia reuniões constantes com servidores do Ministério do Turismo para “agilizar a liberação das verbas do convênio”. Em 2013, o inquérito foi aberto, mas desde o ano passado tramita na Justiça Federal do Amapá, já que Pelaes deixou de ser deputada e perdeu o foro privilegiado. Os sigilos fiscal, bancário e telefônico de Fátima Pelaes foram quebrados.

Um auxiliar de Temer argumenta que a notícia é velha e já era conhecida pelo presidente. Além disso, não foi aberto processo contra a ex-parlamentar. No entanto, há um reconhecimento de que a publicação do fato se soma à declaração sobre estupro, considerada infeliz por interlocutores de Temer.

O presidente interino, no entanto, delegou a solução desse caso ao ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, a quem Fátima será subordinada, caso sua nomeação seja efetivada.

— Aquilo foi um desastre. Mas Temer está deixando isso fermentar, vai dar para o Alexandre cuidar — pontuou um assessor de Temer.

Na mira. Indicada para a Secretaria da Mulher, Fátima Pelaes foi alvo de denúncia em 2011. Foto: Evaristo Sa

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