Nesta quinta-feira, dia 07 de Julho, o terreiro Ilê Axé Omo Tifé realiza o Omi Oya: a lavagem das escadarias da Assembleia Legislativa do Ceará, com concentração na Praça da Imprensa, a partir das 8h da manhã. Será a primeira vez no Ceará que o ato da lavagem, tradicional para o povo de terreiro, terá um caráter também político e de protesto.
O ato tem parceria com o Fórum Cearense de Mulheres (FCM), Tambores de Safo, Instituto Negra do Ceará (Inegra), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Levante Popular da Juventude, assim como diversos outros coletivos populares. Será com água de cheiro e flores que as escadarias da ALCE serão lavadas como ato simbólico para a limpeza do ódio, do fundamentalismo e da discriminação.
A ação surgiu durante o 1º Ijexá para a Democracia, uma iniciativa da Casa que reuniu representantes de movimentos sociais, povos de terreiro, lideranças comunitárias e coletivos autônomos, no último dia 11 de junho. O evento marcou o início de uma série de ações que o Ilê Axé Omo Tifé pretende realizar denunciando principalmente o processo de impeachment da presidente Dilma Roussef, acompanhado da intensificação das violações de direitos das comunidades tradicionais de terreiro.
Este evento teve como ponto central de referência a ancestralidade e a necessidade da luta comunitária na defesa do povo de orixá que busca construir seus processos de autonomia no fortalecimento de rodas de conversas comunitárias e na resistência dos movimentos sociais. Na roda, foram relatados vários conflitos, denúncias, iniciativas de resistência, memória e coletividade.
A Iyalorixá Valéria de Logun Edé, conta: “Na verdade, eu busco incessantemente compreender meu ofício como Iyalorixá atrelado à perspectiva de cerrar abraços com os irmãos de tantas lutas, tantas dores e sedentos de sorrisos livres. Conclui serena e sem arroubos: ser quem eu sou é condição de resistência. As agruras relatadas no Ijexá pela Democracia por mulheres de luta, por meninos negros que pelejam por liberdade, por professores e mestres impedidos do livre exercício de pensar em suas salas de aula, a dor pungente dos terreiros irmãos do Omo Tifé… Ah! eu as sinto em minha epiderme de alma, na ponta do meu Ori… Não serão as nossas lágrimas que lavarão aquelas escadas… Serão águas de cheiro! Nosso povo produz amor! Nosso povo tem mão fértil. Não se deve esquecer, bem sei, que Oyá estará lá”, afirma a liderança.
“Dançaremos e ergueremos nossos braços em sinal de rompimento com a moralidade excludente dos bons, a defesa do nosso povo e dos seus direitos são bandeiras que não negociamos, é preciso ainda muitos ijexas em cada bairro, vila e favela contra o extermínio do nosso povo, contra o machismo que violenta nossas Yalodês, contra a homofobia que mata, contra o racismo e a perseguição às nossas casas de candomblé. Nossa luta se faz em cada xirê, que sinaliza nosso pertencimento negro.
Entendemos que a crueldade de alguns ainda é herança do colonialismo, do racismo e do ódio contra os povos. A força da comunicação de Exu se torna nossa fala contra os diversos golpes contra os seus. A doçura e garra de Oxum nos torna forte para luta. A paciência e sabedoria de Oxala alimentam nossas estratégias de resistência cotidiana. Continuaremos de pé até que, enfim, todas e todos sejamos livres”.
Ile Asè Omo Tife
Casa de Candomblé existente há 35 anos, está localizada no bairro Jangurussu. É liderada pela Iyalorixá Valéria de Logun Edé. O terreiro é de Oxóssi e de Nação Ketu.
SERVIÇO:
Omi Oya – Lavagem das Escadarias da Assembleia Legislativa
Dia 07 de julho (quinta-feira), às 8h
Concentração – Praça da Imprensa (Percurso pela Av. Desembargador Moreira)
Ponto de Chegada – Assembleia Legislativa do Ceará
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Enviada para Combate Racismo Ambiental por Aby Rodrigues.