Projeto habitacional é criado para a população indígena em Minas

As construções serão ecologicamente corretas, obtendo os maiores índices de sustentabilidade possível. Em cada reserva indígena serão pesquisados os materiais construtivos nelas existentes

Por Pedro Ferreira, no EM

Etnias indígenas de Minas Gerais vão contar com um projeto habitacional. A Companhia de Habitação do Estado de Minas Gerais (Cohab Minas) e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Integrado do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Sedinor) firmaram acordo esta semana de parceria para a realização do Projeto Morar na Minas Indígena, para garantir moradias dignas aos índios que vivem no estado e que preservem suas identidades sociais e culturais.

As casas terão aproximadamente 50 metros quadrados, incluindo uma varanda na fachada principal, sala, três quartos e cozinha com fogão a lenha. A cozinha será no centro da construção para respeitar o costume de reunião familiar no centro da casa. O espaço será ventilado por aberturas ao fundo. A “área molhada” também será localizada no fundo da residência, com o objetivo de proporcionar economia nos materiais hidráulicos e proximidade do fogão a lenha, que contará com serpentina para aquecer a água do banho.

De acordo com o projeto, as construções serão ecologicamente corretas, obtendo os maiores índices de sustentabilidade possível. Em cada reserva indígena serão pesquisados os materiais construtivos nelas existentes, que já estejam inseridos na cultura construtiva de cada etnia, e que possam ser utilizados visando a auto sustentabilidade. Os esgotos secundários serão tratados e as águas pluviais armazenadas para utilização. A energia elétrica que abastecerá as 50 casas do projeto-piloto terá origem na energia solar.

Os índios Xakriabá, que vivem no município São João das Missões, Norte de Minas, foram os escolhidos para o lançamento do programa. Serão invesitidos R$ 1,8 milhão na construção da aldeia piloto, que terá 50 casas. Os recursos foram garantidos no encontro entre a Sedinor e Cohab.

As comunidades indígenas terão poder de decisão em todas as etapas do projeto, sendo que as construções respeitarão seus hábitos e costumes. Além disso, haverá a capacitação dos nativos para a execução das obras, transformando-os em multiplicadores para novas construções. (Com informações da Agência Minas Gerais).

Na Aldeia Maxacali, no município de Bertópolis, no Vale do Mucuri, as casas são feitas de adobe. Foto: Pedro Ferreira.

Comments (1)

  1. Gostei da ideia.
    Gostaria de saber se a arquitetura vai ser padrão ou se vai consultar as aldeias sobre o tipo de construção tradicional,onde se sentem bem e onde gostam de viver.Se sentem bem em viver ali.faço este comentario,porque na aldeia Cinta Vermelha Jundiba,os indigenas desenharam sua planta de casa e depois foi discutida com o engenheiro e depois adaptada .Ficaram muito lindas e tem espaço .Mas ja no caso maxakali,mereceria uma conversa com as mulheres e homens das aldeias e uma pesquisa tambem mais profunda com pesquisadores da cultura maxakali.Estes grandes projetos,as vezes , ja vem com modelo pronto,e as pessoas aceitam por causa da necessidade.Por exemplo as escolas das aldeias hoje:Voce vai em todas as aldeias e o modelo é o mesmo,inclusive nas aldeas maxakali.Na CVJ fizeram um planta circular,como as casas anteririoes que não foi aceita,porque ja estava tudo definido como deveria ser a construção.demora mais,mas é melhor.Um arquiteta de BH a Leda Leonel,fez a planta do hospital Yanomami em plena selva,mas respeitando o jeito das construções Yanomami.No funfo,no fundo,todos nós queremos o bem estar das familias indigenas e espero que tudo dê certo!

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