Denúncia de desmatamento na bacia do Médio Rio Munim, Maranhão, pela empresa Gusa Nordeste de carvão vegetal

Por Mayron Regis

Os municípios de Buriti Mata Roma Chapadinha e Afonso Cunha se localizam na bacia do Medio Rio Munim, rio que corta e abastece vários povoados e municipios do norte e centro norte maranhense. O rio Munim tem suas nascentes principais no município de Aldeias Altas, região dos Cocais, onde sofre impacto pela produção de cana de açúcar, e no município de Codó, onde sofre impactos pela criação de gado.

No final dos anos 90, a região do Médio Munim começa a receber fluxos de plantadores de soja, entre eles a empresa SLC, que compra irregularmente mais de 50 mil hectares de áreas de Chapada das mãos do ex prefeito de Buriti Nenem Mourão. Esses mais de 50 mil hectares se encontram parte no município de Buriti e outra parte município de Mata Roma. A empresa SLC, assim como outros plantadores de soja, beneficiaram-se de apoio de grupos políticos locais e estaduais que pressionavam pela rápida liberação de licenças ambientais.

Em 2009, o Fórum Carajás denunciou a SLC por grilagem de terras e por irregularidades na obtenção de licenças ambientais. Em 2010, a empresa, alegando questões financeiras, vende a fazenda para um grupo desconhecido. Mais tarde se ficou sabendo que a fazenda foi apenas arrendada, e um dos objetivos desse arrendamento seria plantar mudas de eucalipto que se destinariam para a fábrica de pellets da Suzano papel e Celulose, planejada para a cidade de Chapadinha.

O projeto da Suzano não foi adiante e os plantios de eucalipto ficaram encalhados para objetivos mais lucrativos. Atualmente, os eucaliptos são cortados e vendidos para cerâmicas em vários pontos do estado do Maranhão, o que não compensa financeiramente.

A última notícia que se tem é que a SLC pediu as terras de volta e para que isso ocorra a empresa arrendatária precisa cortar todos os eucaliptos. Nesse processo, os funcionários da empresa arrendatária cortam os eucaliptos e cortam também a mata nativa do Cerrado.

Segundo informações de moradores da zona rural de Buriti, os funcionários desmataram mais de 300 hectares e a pretensão é alcançar 1500 hectares atingindo as cabeceiras do riacho Feio, o principal tributário do rio Munim e de fundamental importância econômica ambiental para várias comunidades nos municípios de Buriti e Chapadinha. Caso esse desmatamento e outros desmatamentos se concluam as comunidades verão seus acessos a água e a biodiversidade se restringirem ainda mais com impactos no clima e no solo.

Deixe uma resposta

O comentário deve ter seu nome e sobrenome. O e-mail é necessário, mas não será publicado.

18 + três =