Bação e Aredes – Teatro Comunitário valorizando memórias nas Minas Gerais

por Alenice Baeta & Henrique Piló  

O grupo de teatro São Gonçalo do Bação, sob direção do dramaturgo Mauro Antônio de Souza ou Mauro Ghoña, em parceria com a Estação Ecológica Estadual Aredes-IEF e patrocínio da SAFM, vai apresentar uma nova peça inspirada no livro publicado em 2016: “Aredes- Recuperação Ambiental e Valorização de um sítio arqueológico”, organizado pelos historiadores e arqueólogos Alenice Baeta e Henrique Piló.

A peça de teatro apresenta um olhar artístico e comunitário sobre a obra Aredes – suas memórias, pessoas, lugares e paisagens. Vale a pena assistir e se inspirar nesta bela peça teatral que fará parte da Programação do Festival de Inverno de São Gonçalo do Bação, Itabirito, MG. A apresentação inaugural da peça será no dia 26 de junho, às 20 horas no Adro da Igreja do Vilarejo Bação. O livro, inspiração da peça, focaliza os mecanismos de proteção e valorização da paisagem e do sítio histórico-arqueológico Aredes, situado no município de Itabirito, no Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais, por meio de sua reabilitação ambiental.

O sítio histórico e arqueológico Aredes situa-se na Unidade de Conservação Estação Ecológica Estadual de Aredes e suas origens remontam o início do século XVIII, despontando como importante núcleo de extração aurífera, pouso de tropas e produção de alimentos na antiga região de Itabira do Campo. Possui uma série de estruturas construídas em alvenaria de pedra. Parte delas estava seriamente comprometida devido à processos erosivos ocasionados por grandes cavas realizadas nos últimos decênios por uma mineradora que atuava na área de forma ilícita, colocando em risco as riquezas culturais e naturais da área.

O limite de uma das cavas já se encontrava a um metro de distância de um longo muro de pedras, exigindo medidas urgentes de contenção e de reabilitação ambiental. Tais medidas de reabilitação tiveram início em meados da primeira década do século XXI, culminando em um acordo firmado junto ao Ministério Público Estadual, que propiciou, entre outros avanços, a criação da Estação Ecológica de Aredes, visando a proteção e a conservação das ruínas ali existentes. Esta é a história em poucas linhas e cada capítulo apresenta uma perspectiva sobre Aredes.

Certamente os olhares não se esgotam, pois se trata de uma região muito instigante e de grande complexidade. Uma publicação sobre Aredes foi uma grande oportunidade de difundir as paisagens de um lugar marcado pelos diferentes estigmas deixados pelas atividades da mineração aurífera desde tempos coloniais, além de aprofundar sobre os aspectos relacionados à degradação ambiental, ocorrida nos últimos decênios e possíveis soluções, visando a sua recuperação ambiental e a melhoria da qualidade de vida na região.

Agora, Aredes e Bação lugares vizinhos e imbricados historicamente se entrelaçam novamente através da arte e da escrita – marcados por lugares lindíssimos regados por várias histórias em seus auríferos córregos, dentre eles o Silva, Bugre, Carioca e Ribeirão do Mata Porcos, formadores do rio Itabirito, já tão penalizado e ameaçado por empreendimentos econômicos que causam severos danos socioambientais na região.

Mas tanta força e resistência cultural ativada pela beleza de seu povo e de suas paisagens, revigoram os genuínos desejos de proteger e preservar o seu patrimônio material, imaterial e a sua biodiversidade em forma de arte e de mobilização social. O nosso querido diretor de teatro Ghoña comenta: “…constata-se que o processo teatral se torna efetivamente relevante para uma determinada sociedade ou grupo social a partir de sua relação direta com as questões que permeiam o imaginário cultural daquele grupo ou sociedade. Nessa dinâmica, o Teatro coopera com a afirmação-ou negação- criando novas relações imagéticas coletivas que corroboram para estabelecer laços comunitários. “  (SOUZA, 2014:12)

No dia seguinte à apresentação da peça, ainda dentro da programação do Festival de Inverno, haverá uma atividade junto aos jovens da região, onde será feito um circuito cultural,  quando serão percorridos caminhos do Bação com paradas nos chafarizes e nos antigos becos. Enfim, que a comunidade de Bação mostre a sua essência, a sua cultura e a sua força.

Florescer! Itabirito Resiste! Minas Resiste.

Referências Bibliográficas:

SOUZA, M. A. de A Saga Baçônica. Itabirito: Fumarc, 2014. BAETA, A. & PILÓ, H. (Orgs.) AREDES- Recuperação Ambiental e Valorização de um Sítio Histórico- Arqueológico. Belo Horizonte, Artefactto/SAFM/MPMG/Orange Editorial, 2016.

Integrantes do Grupo de Teatro de São Gonçalo do Bação vestidos de camponeses em apresentação nas ruínas arqueológicas na Estação Ecológica Aredes. Município: Itabirito. Ano: 2019. Foto: H. Piló/Artefactto

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