Alessandra Munduruku ganha Prêmio RFK de Direitos Humanos 2020 por sua luta

RFK

Washington, D.C. (12 de outubro de 2020) — Robert F. Kennedy Human Rights nomeou Alessandra Korap Munduruku a vencedora do Prêmio de Direitos Humanos de 2020 por seu trabalho em defesa da cultura, meios de subsistência e direitos dos povos indígenas no Brasil.

Os povos indígenas, incluindo a comunidade Munduruku da Alessandra, enfrentaram enormes desafios no Brasil nos últimos anos —desde garimpeiros e madeireiros invadindo e explorando ilegalmente territórios indígenas; aos incêndios generalizados na Amazônia; e um risco aumentado para o coronavírus; sem mencionar um presidente combativo que proativamente removeu proteçōes para comunidades indígenas e as insultou em várias ocasiões. 

Como uma das principais lideranças e organizadoras do povo Munduruku, Alessandra lutou para impedir projetos de construção e mineração ilegal que estão infringindo o território Munduruku, atraindo atenção e apoio internacional. Ela tem defendido a demarcação das terras indígenas e que as comunidades indígenas sejam consultadas sobre as decisões que afetam seus territórios. Alessandra também desempenhou um papel importante no avanço da liderança das mulheres na comunidade Munduruku e entre outras comunidades indígenas no Brasil por meio do seu envolvimento na Associação das Mulheres Munduruku Wakoborûn e na Associação Indígena Pariri. 

“É uma honra ser a ganhadora do Prêmio do Robert F. Kennedy Human Rights deste ano,” disse Alessandra Korap Munduruku. “Ter o respaldo e o apoio adicional da Kerry Kennedy e de toda sua organização, especialmente durante a pandemia, fará toda a diferença à medida que continuamos a lutar pelos nossos direitos, incluindo a demarcação das nossas terras para garantir que os povos indígenas tenham sua autonomia, e pela luta das mulheres que são também a força da resistência.”

“Ao longo da história, os povos indígenas, incluindo os Munduruku, foram repetidamente oprimidos, silenciados e submetidos a terríveis abusos de direitos humanos,” disse Kerry Kennedy, presidente do Robert F. Kennedy Human Rights. “A Alessandra enfrentou heroicamente a intimidação e violência por defender os direitos indígenas em todo o Brasil—incluindo a capacidade de se opor a projetos e desenvolvimentos que afetam seus povos e seus meios de subsistência. Ela é uma campeã dos direitos das mulheres, dos direitos indígenas e do direito fundamental de todos os direitos humanos —o espaço cívico. O espaço cívico protege o direito de discordar, de advogar e defender os direitos humanos, livre de represálias do governo. É a pedra angular de uma democracia funcional.”

A Alessandra será homenageada em uma cerimônia virtual na quinta-feira, dia 22 de outubro, às 18h00 EDT. O evento é gratuito e aberto ao público. Registre-se aqui

Kerry Kennedy apresentará o prêmio, que será seguido por um discurso do ex-secretário de Estado dos EUA, John Kerry, sobre as inúmeras ameaças e desafios que os povos indígenas enfrentam em todo o mundo. Andrew Revkin, diretor do Earth Institute na Columbia University, moderará em seguida uma discussão sobre o trajeto adiante para as comunidades indígenas no Brasil com um estimado painel de especialistas:

  • Juarez Saw Munduruku, Cacique da Aldeia Sawre Muybu no Brasil
  • Maria Leusa Cosme Kaba, Líder das mulheres Munduruku
  • Francisco Cali-Tzay, Relator Especial da ONU para os Direitos dos Povos Indígenas
  • Sebastião Salgado, Fotógrafo documental franco-brasileiro premiado 
  • Antonia Urrejola, Relatora sobre os Direitos dos Povos Indígenas e Comissária da Comissão Interamericana de Direitos Humanos
  • Christian Poirier, Diretor de Programa da Amazon Watch 

Desde 1984, o prêmio anual do Robert F. Kennedy Human Rights  homenageia ativistas por sua busca implacável por justiça em todo o mundo, fornecendo financiamento e apoio estratégico para o avanço de seu trabalho. O prêmio vem com uma recompensa de $30,000 e fornece suporte contínuo por parte do Robert F. Kennedy Human Rights —por meio de litígios estratégicos, treinamento e capacitação e defesa junto a governos, organizações internacionais e outras instituições— para garantir uma mudança duradoura.

Os ganhadores anteriores do Prêmio de Direitos Humanos incluem Angry Tias and Abuelas of the Rio Grande Valley (2019) por sua busca por dignidade e justiça para aqueles que buscam asilo na fronteira dos EUA-México; Alfredo Romero (2017) por seu trabalho com o Foro Penal, prestando assistência jurídica gratuita a vítimas de detenção arbitrária, tortura e outras violaçōes dos direitos humanos na Venezuela; Frank Mugisha (2011) por defender os direitos humanos das minorias sexuais em Uganda, finalmente derubando a lei do pais que criminalizava a homosexualidade; Magodonga Mahlangu and Women of Zimbabwe Arise (WOZA) (2009) por empoderar as mulheres para se empenharem por mudancas politicas e socias no Zimbábue; e a Coalition of Immokalee Workers (2003) por seus esforços para acabar com a exploracao de trabalhadores migrantes na industria agrícola dos EUA, uma forma de escravidão moderna que persiste até hoje. 

O 37º Prêmio do Robert F. Kennedy Human Rights anual é possível em parte pelo apoio generoso de Donato Tramuto.

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