Estudo mostra contaminação de Mundurukus por mercúrio de garimpo ilegal

ClimaInfo

O custo do garimpo ilegal em Terras Indígenas (TI) não se desdobra apenas em desmatamento e episódios de violência, mas também em ameaças à saúde das pessoas que ali vivem. Um estudo realizado pela Fiocruz e o WWF-Brasil indicou que comunidades indígenas Mundurukus estão sofrendo com a contaminação por mercúrio em níveis muito acima dos limites de segurança reconhecidos pela comunidade médica. Em localidades próximas a áreas impactadas pelo garimpo, especialmente às margens dos rios, nove em cada dez pessoas analisadas apresentaram alto nível de contaminação. As crianças também são impactadas, sendo que quase 26% apresentaram problemas em testes de neurodesenvolvimento.

A análise também revelou que os peixes, a principal fonte de proteína das comunidades na TI Munduruku, estão igualmente contaminados. Todos os 88 peixes capturados para o estudo, pertencentes a 18 espécies distintas, apresentaram níveis altos de mercúrio. O estudo trouxe também recomendações para o enfrentamento do problema, incluindo a interrupção imediata do garimpo, um plano para descontinuar o uso de mercúrio e o manejo de risco para as populações cronicamente expostas a essa substância. Greenpeace e WWF-Brasil deram mais detalhes.

Em tempo: Mesmo com episódios como esse, o governo Bolsonaro insiste em regularizar a atividade garimpeira em Terras Indígenas. O Valor destacou o embate entre ambientalistas e o Planalto nesse tema, evidente em um congresso promovido pelo Instituto Brasileiro de Mineração nesta semana: enquanto o governo defendeu entusiasticamente a liberação do garimpo, para permitir uma fonte de renda para os indígenas, ambientalistas apontaram para os impactos dessa atividade sobre as comunidades locais, vulneráveis a situações como contaminação por mercúrio.

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