A “gastança amazônica” dos militares na Amazônia

ClimaInfo

A miséria enfrentada pelas agências ambientais no Orçamento da União se contrasta fortemente com a gastança generalizada dos militares, que assumiram no ano passado o protagonismo da política federal para a Amazônia. Como a Piauí destacou, o ministério da defesa fechou 2020 gastando três vezes o total de despesas de órgãos como Ibama e ICMBio para monitoramento, fiscalização e conservação ambiental. Com orçamento cada vez mais exaurido, os órgãos ambientais estão perdendo capacidade de ação, o que vem resultando na queda no total de multas ambientais aplicadas.

Um dos gastos mais significativos da pasta da defesa no ano passado aconteceu nos últimos dias de 2020, com a compra de um novo satélite ao custo de R$ 179 milhões, feita sem licitação e ignorando análise contrária do INPE. Aliás, o preço desse satélite equivale a 66 vezes o valor destinado pela União para os sistemas de monitoramento operados pelo INPE em 2021. A compra também revelou as articulações políticas que o ministério da defesa teve que empreender para mais recursos em um governo federal com orçamento cada vez mais apertado.

Curiosamente, o aumento monstruoso dos gastos militares com proteção ambiental aconteceu no mesmo ano em que os índices de desmatamento e queimadas explodiram na Amazônia, o que coloca em xeque a capacidade das Forças Armadas de encabeçar as ações de combate às ilegalidades ambientais. Segundo o sistema SAD/Imazon, 2020 registrou recorde de desmatamento na Amazônia. Entre janeiro e dezembro, a floresta perdeu 8.058 km2 de área verde, a maior dos últimos dez anos. Na comparação com 2019, houve um aumento de 30% no desmatamento. O G1 deu mais informações.

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