Tania Pacheco
Enquanto Ibama e ICMBio agiam e localizavam a balsa de garimpo que havia invadido o território Xipaya no dia 14 (leia aqui), versões e ‘narrativas’ abundavam (e continuam a abundar). O PGR dizia que acompanhou a ação do governo federal a cada 30 minutos (aqui), em contato permanente com o também diligente presidente da Funai. E o Ministério da Justiça continuava a afirmar que “apreendeu a balsa utilizada na ação“, em operação comandada pela Polícia Federal, e que os garimpeiros teriam sido levados para Itaituba. Já a própria PF alega, como se pode ver no final da matéria do G1 abaixo, que os garimpeiros foram liberados porque ela não tinha como chegar ao local (onde segundo o Ministério comandou a operação) sequer em 24 horas para a prisão em flagrante.
No que se refere à defesa dos direitos indígenas, tudo indica que estão construindo mais uma revoltante piada internacional.
Segue a matéria do G1:
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Garimpeiros que invadiram território Xipaya no Pará foram liberados, dizem indígenas
Ministério da Justiça afirma que os tripulantes da balsa foram encaminhados à delegacia da Polícia Federal, em Itaituba, mas os Xipaya contestam a informação.
Por g1 Pará — Belém
De acordo com lideranças Xipaya, os garimpeiros que invadiram o território indígena foram liberados dentro da reserva extrativista na tarde deste domingo (17). A balsa em que estavam os garimpeiros foi encontrada em um local conhecido como Riozinho do Anfrísio, na zona rural de Altamira.
Segundo informações divulgadas na noite de sábado (16) pelo Ministério da Justiça, a embarcação levava sete pessoas, duas das quais eram adolescentes, que foram apreendidos e estão sob cuidados da Justiça. Em relação aos cinco adultos, o Ministério informou que eles foram encaminhados para a delegacia da Polícia Federal de Itaituba, sudeste do Pará.
Neste domingo, a Polícia Federal informou que os garimpeiros não chegaram a ser presos porque a região do conflito é de difícil acesso e que não foi possível estar no local a tempo de efetuar a prisão em flagrante do grupo (leia mais no final da reportagem).
Segundo a cacique Juma Xipaya, os cinco garimpeiros foram liberados “com a alegação de que não teria transporte para retirar eles e levar para Altamira para efetuar a prisão, então eles foram liberados. Foi entregue uma embarcação, que tinha sido apreendida, para eles saírem e passando por dentro do território indígena. Fica a indignação”, comenta.
Nós estamos com medo de represálias”— conta Juma Xipaya.
Juma Xipaya, cacique da tribo, expressa estar apreensiva e pede ajuda ao governo. “A gente pede urgência dos órgãos competentes para a retirada dos garimpeiros”, diz a líder indígena.
Neste domingo (17), o Ministério Público Federal (MPF) informou que a Procuradoria Geral da República (PGR) determinou que a invasão às terras dos Xipaya fosse investigada.
Segundo a PGR, o procurador-geral, Augusto Aras, pediu providências ao presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marcelo Xavier, para que fosse evitado um possível conflito armado entre garimpeiros e indígenas.
O que diz a PF
Neste domingo, a Polícia Federal informou que os garimpeiros não chegaram a ser presos porque a região do conflito é de difícil acesso e que não foi possível estar no local antes do final do prazo de 24 horas exigido para configurar prisão em flagrante.
A PF também informou que os garimpeiros foram escoltados para fora da terra indígena e liberados com o compromisso de se apresentarem às autoridades em Altamira. Todos foram indiciados por crime ambiental e usurpação de bem da União e vão responder em liberdade, ainda segundo a Polícia Federal.
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Criança Munduruku. Foto de Rachel Gepp (Nov/2014).
