“Síndico” do Alvorada com Bolsonaro é pastor e atuava como agente de turismo durante expediente

Conservação de palácio e residências oficiais estava a cargo de pastor da igreja de Michelle e sem experiência na área

Por Paulo Motoryn / Brasil de Fato

O pastor Francisco de Assis Lima Castelo Branco, nomeado por Jair Bolsonaro (PL) para trabalhar como “síndico” do Palácio da Alvorada e, depois como coordenador-geral das residências oficiais da Presidência da República, chegou a atuar como agente de viagens no horário do expediente. Ligado à Igreja Batista Atitude, a mesma da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, ele é marido de Elizângela Castelo Branco, tradutora de Libras do ex-presidente.

Em junho de 2021, uma reportagem do Brasil de Fato (leia a íntegra) mostrou que, durante o horário do expediente, Francisco Castelo Branco atuava como agente de viagens na agência Bereshit Viagens, empresa registrada em 2017 em nome de uma parente chamada Juceli Lima de Castelo Branco. Na ocasião, o pastor trabalhava como assessor da Secretaria-Geral da Presidência, depois de ter ocupado cargo no Gabinete Pessoal de Bolsonaro.

Depois, em novembro de 2021, Castelo Branco foi nomeado coordenador-geral de Apoio ao Palácio da Alvorada, cargo ligado à Presidência da República e, que, na prática, funciona como um posto de “síndico” do espaço. Sem motivo aparente, foi demitido do cargo poucos dias depois. Em julho de 2022, voltou a ganhar um cargo, desta vez como coordenador de todas as residências oficiais (Palácios da Alvorada e Jaburu, além da Granja do Torto).

Em suas páginas nas redes sociais, o pastor incentivou um “jejum por Bolsonaro“, apoiou manifestações antidemocráticas e fez postagens com informações falsas sobre a covid-19.

Castelo Branco foi exonerado já no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em portaria publicada em 5 de janeiro de 2023, assinada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. Com ele, também foi demitido o servidor Márcio Roberto Trapiá de Oliveira, que estava ocupando o posto de “síndico” do Palácio da Alvorada desde meados do ano passado. A portaria com as decisões surge após ser revelado o estado de preservação da residência oficial do presidente.

Destruição do patrimônio

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, recebeu na quinta-feira (5), pela primeira vez, uma equipe de reportagem no Alvorada e denunciou o estado de conservação do edifício histórico. Com a repórter Natuza Nery, da TV Globo, ela percorreu todo o edifício, inclusive a área íntima do casal, e disse que vai fazer um inventário de todos os móveis, utensílios e obras de arte.

Durante a visita, foi possível ver parte da madeira de um mesa da sala de estar lascada, infiltrações no teto, vidros rachados e trechos do piso de jacarandá com buracos e rachaduras. Na biblioteca, onde o ex-presidente fazia as transmissões pelas redes sociais, uma poltrona de couro está rasgada e o tapete tem buracos.

A primeira-dama também mostrou uma imagem sacra, do século XIX, deixada no chão. Janja afirmou que muitos objetos e móveis vão precisar ser restaurados. “O que a gente percebe é que não teve cuidado, manutenção. Os móveis, os pés dos móveis que são de latão, não estão polidos. Os móveis não são os originais. A gente vai tentar recuperar isso”, disse Janja.

“Ainda preciso fazer uma visita no depósito [de móveis da Presidência da República] e ver o que foi para lá. Tem muitos objetos que foram transportados de um lado para o outro, do Planalto para cá, daqui para o Jaburu. Então, a gente precisa localizar esses objetos. Eu e o presidente Lula resolvemos que a gente só vai mudar quando tiver um inventário completo do que tem aqui dentro, de como foi entregue para a gente”, declarou.

No início da semana, o novo ministro da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social), Paulo Pimenta, declarou que o governo Bolsonaro entregou as residências oficiais “de qualquer jeito” para a gestão Lula. Na quarta-feira (4) a Polícia Federal (PF) conduziu uma varredura no Ministério da Justiça. O mesmo procedimento será feito no Alvorada. Por enquanto, Lula segue hospedado em um hotel em Brasília, sem previsão de data para a mudança.

Outro lado

O pastor Francisco Castelo Branco foi acionado por meio de suas redes sociais para se posicionar sobre as denúncias de descaso na gestão das residências oficiais. Até o momento, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestações.

Edição: Thalita Pires

Francisco Castelo Branco, pastor da Igreja Batista Atitude, foi responsável pelas residências oficiais no governo Bolsonaro – Reprodução/Instagram

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Colaboração de Combate:

Em “Família de Jair Bolsonaro vai morar no Palácio da Alvorada, que foi recentemente reformado“, é possível ver, inclusive com vídeo mostrando as obras de arte, como o casal recebeu o Alvorada.  

 

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