Coletivo Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça realiza audiência pública nacional sobre efeitos transgeracionais da violência de Estado da ditadura

Organizada junto ao Conselho Nacional de Direitos Humanos, sessão busca reconhecimento dos impactos da violência da ditadura civil-militar de 1964 nos descendentes de perseguidos políticos

No dia 15 de agosto, das 14h às 18h, um novo marco na luta por justiça e reparação histórica ocorrerá em uma audiência pública nacional virtual. O Coletivo Filhos(as) e Netos(as) por Memória, Verdade e Justiça, em parceria com Conselho Nacional de Direitos Humanos e da Cidadania (CNDH), realizará um amplo debate público sobre os efeitos transgeracionais da violência de Estado, produzidos pela ditadura civil-militar (1964-1985).

O evento contará com especialistas sobre o tema na área do Direito e da Saúde Mental, parlamentares sensíveis à questão, membros e afetados, direta e indiretamente, pela violência de Estado dos anos de chumbo.

A audiência pública nacional é fruto do pedido de anistia coletiva, elaborado pelo coletivo ao longo de 2024 até o início deste ano, e protocolado em março por Bruno Arruda, defensor público federal e coordenador do Observatório Nacional sobre o Direito à Memória, à Verdade e à Justiça de Transição da Defensoria Pública da União.

Inédito, o pedido de anistia coletiva se fundamenta no reconhecimento jurídico e histórico de que os efeitos da violência estatal atravessaram gerações. O exílio, a clandestinidade, as prisões arbitrárias e as execuções não cessaram nos corpos das vítimas diretas: seus filhos e netos também carregam as marcas dessa repressão.

Os depoimentos reunidos no requerimento evidenciam os impactos concretos dessa perseguição sobre os descendentes: separação forçada de familiares, trauma psicológico, perda de direitos civis, vigilância contínua e dificuldades de reinserção social e profissional. Além do reconhecimento oficial, o pedido de anistia coletiva propõe um conjunto de medidas reparatórias que incluem acesso facilitado a serviços de saúde mental, revisão de registros e políticas de memória.

A anistia coletiva solicitada se baseia no artigo 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal, na Lei nº 10.559/2002 e na Portaria nº 177/2023, que prevê a possibilidade de anistia a grupos atingidos por atos de exceção de motivação política. O pedido reforça que o Estado brasileiro tem um compromisso constitucional e internacional de reparação integral às vítimas de graves violações de direitos humanos.

A audiência pública nacional busca evidenciar ainda mais o pedido de anistia coletiva do Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça.

A Audiência Pública conta com o apoio do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, Grupo Tortura Nunca Mais da Bahia e Coletivo RJ Memória, Verdade, Justiça e Reparação.

Ilustração: MPF

Enviada para Combate Racismo Ambiental por Zelic Trajber.

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